Meia dúzia de lições do 19.º

A conquista do 19.º título de campeão nacional pelo Sporting permite tirar um conjunto de ideias que talvez possam ultrapassar as chamadas quatro linhas.

  1. O Sporting ganhou porque lutou. Deixou-se de queixas e queixinhas. Onésimo Teotónio Almeida, professor nos EUA, diz que em Portugal há “uma certa cultura nacional de queixa”. O Sporting ganhou mais quando se queixou menos. Curiosamente os outros queixaram-se mais e arranjaram desculpas quando ganharam menos.
  2. Não baixar o nível. O Sporting ganhou com elevação. Não precisou de ofender nem de arranjar inimigos externos para ganhar. Aliás no Sporting os maiores inimigos são frequentemente os internos.
  3. Apostar na juventude. Este país não é para jovens – nem para velhos. Mas é possível apostar mais nos jovens e acreditar neles – não como uma reserva de futuro mas para o presente. Na política, em particular, precisamos de caras novas sem os vícios das jotas, que produzem mentes velhas em corpos jovens.
  4. O mérito é mais que um certificado. A perseguição a Ruben mostrou o pior do Portugal corporativo em que conta mais a proteção do status quo que a promoção do mérito e da mudança.
  5. Como escreveu Cesare Pavese, o trabalho cansa. Mas compensa. Enquanto a chico-espertice a que assistimos todos os dias nos tribunais e numa TV perto de si prevalecerem, não vamos ganhar campeonatos. A justiça desportiva replicou, aliás, o pior do atavismo da nossa justiça em geral.
  6. Ganhou a equipa mais que as individualidades. A equipa foi a estrela e o capitão Coates a sua cara. Ganharam também o treinador Ruben Amorim e o presidente Varandas. A união fez a força, uma lição para um país em que a política não parece capaz de encontrar espaços de consenso para resolver grandes problemas nacionais.

Esta vitória trará ao Sporting, espera-se, um módico de paz e estabilidade, sem a qual não se vai a lado nenhum. Gostaria nesta altura de lembrar e honrar a memória do meu amigo e colega de gabinete Nuno Fernandes Thomaz. Estou certo de que, onde estiver, o Nuno está a celebrar connosco.


Por Miguel Pina e Cunha, Diretor da revista Líder

 

 

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