Mentoring: Uma odisseia na primeira pessoa

Vinte anos passaram desde que tive a minha primeira experiência de Mentoring. E apesar de, na altura, não ter a noção deste conceito, o tempo encarregou-se de me presentear com várias outras experiências. Todas elas baseadas na confiança, na partilha e numa aprendizagem mútua.

Tudo começou em janeiro de 2000, quando integrei um novo projeto profissional, como consultora júnior de marketing. Tive a oportunidade de ter um colega da área, mais experiente e mais velho que me acolheu informalmente como sua mentee (sem nunca utilizar esta designação), estando sempre disponível para ajudar e esclarecer as questões de uma jovem marketeer. Uma relação que resistiu ao tempo e às mudanças profissionais de ambos e que continua a existir.

Influenciada positivamente por esta situação e com o desenvolvimento “profissional” do tema, senti-me motivada para retribuir esta generosidade, noutro contexto, cerca de dez anos mais tarde e como mentora. Integrei o Programa de Mentoring promovido pelos alumni da minha Universidade. Foi uma feliz descoberta e uma responsabilidade imensa, ter uma mentee. Alguns mentees depois, o Programa vai na sua 10.ª Edição e o meu entusiasmo continua como no primeiro dia. Ter a possibilidade de interagir com jovens que estão a terminar o seu curso ou em início de carreira e de contribuir para ampliar o seu conhecimento é uma missão possível e necessária!

Paralelamente, nos últimos anos tive a oportunidade de me associar a várias iniciativas de Mentoring, enquanto mentora, em regime de voluntariado, junto de organizações (sem fins lucrativos) que visam promover o desenvolvimento pessoal e profissional dos participantes destes programas, em temas específicos. Alguns focados nos jovens, outros na liderança no feminino e outros na área de empreendedorismo. Investi o meu tempo e obtive um retorno muito positivo do ponto de vista relacional – acredito que o Mentoring alavanca a nossa “inteligência social”! Parte de nós mas não é sobre nós: é sobre a capacidade de dar, de entregar e de partilhar, sem a expetativa em receber algo em troca. Mas recebemos tanto…

Muda-se o contexto mas mantém-se o propósito: através de um relacionamento, uma ligação pessoal, criar-se uma fonte “acelerada” de conhecimento e de partilha. Uma conexão da qual ambas as partes beneficiam, num efeito sinérgico.

Seja num contexto empresarial (entre colaboradores de diferentes gerações ou com níveis de experiência diferentes), académico (antigos alunos e jovens recém-licenciados) ou associativo (em diferentes áreas profissionais), o princípio a aplicar é o mesmo: dar e receber. A aplicação prática do princípio da reciprocidade.

Vinte anos passaram e estou de “volta às origens”. Iniciei uma nova jornada de Mentoring, enquanto mentee. Num programa internacional e 100% digital. Uma nova aventura para partilhar na primeira pessoa…

E por falar em aventuras, o que diria Homero se sonhasse que o seu personagem Mentor, da Odisseia, se tinha popularizado tanto no século XXI, no seio da Gestão de Pessoas?


Por Rita Oliveira Pelica, Chief Energy Officer ONYOU

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