MENU – novo projeto de refeições sustentáveis à base de macroalgas da costa portuguesa

Um leque variado de pratos doces e salgados à base de macroalgas marinhas da costa portuguesa é a proposta do projeto MENU. Coordenado pela investigadora Ana Marta Gonçalves, do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) da Universidade de Coimbra (UC), a iniciativa foca-se no desenvolvimento de refeições pré-cozinhadas alternativas, com elevado valor nutricional e de rápida confeção, oferecendo aos consumidores uma dieta rica e saudável. Os primeiros produtos poderão estar no mercado dentro de um ano.

A grande inovação do “MENU: Marine Macroalgae, alternative recipes for a daily nutritional diet” está na utilização completa das macroalgas marinhas e não apenas extratos ou compostos, como acontece em várias indústrias. O objetivo é aproveitar todas as propriedades destas verduras do mar, conhecidas, por exemplo, pelas suas propriedades antivirais, antibacterianas, antidiabéticas, antioxidantes e anticancerígenas, entre outras.

O projeto financiado pelo Fundo Azul – um mecanismo de incentivo financeiro da Direção-Geral de Política do Mar destinado a apoiar a investigação científica –, visa também dar resposta aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, da Agenda 2030 da ONU – ODS 14: Proteger a Vida Marinha que visa a conservação e sustentabilidade dos oceanos e dos recursos marinhos, contribuindo para a produção e consumo de produtos sustentáveis e melhoria da nutrição.

Por isso, explica a investigadora do MARE, «recolhemos no mar amostras das espécies de macroalgas comestíveis pré-selecionadas (castanhas, verdes e vermelhas), que são colocadas a crescer em laboratório e transferidas depois para tanques de aquacultura até obter a biomassa necessária para a confeção dos alimentos. São métodos sustentáveis, podemos produzir macroalgas marinhas em grande escala sem prejudicar o ambiente».

«Conhecendo o elevado valor nutricional e as bioatividades das macroalgas, que apresentam muitos benefícios para a saúde humana, a nossa aposta é utilizar a alga como um todo de modo a que os nossos produtos tenham todas as biopropriedades, garantindo assim os efeitos benéficos para o consumidor», refere a coordenadora do projeto.

Iniciado em 2019, são parceiros do MENU a Universidade de Aveiro (UA), a startup Lusalgae, especializada em biotecnologia marinha, e a Ernesto Morgado, a mais antiga indústria de arroz em Portugal. Já foram desenvolvidas várias receitas, tais como arroz com algas, frango com algas, sopas e molhos adicionais; e, nos doces, gelatinas de framboesa e morango, pudins de vários sabores, nomeadamente amêndoa, baunilha, chocolate e coco, compotas e arroz doce. Outros produtos estão em fase de desenvolvimento, como, por exemplo, mousses.

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