O mercado de trabalho português entrou em 2026 com sinais de desaceleração. O número de pessoas empregadas registou a maior quebra trimestral dos últimos cinco anos e o desemprego voltou a aumentar. Ainda assim, Portugal mantém níveis historicamente elevados de emprego e participação no mercado laboral, segundo os mais recentes dados da Randstad Research.
O primeiro trimestre de 2026 ficou marcado por um abrandamento do mercado de trabalho em Portugal. De acordo com os 50 destaques divulgados pela Randstad Research, com base no Inquérito ao Emprego do Instituto Nacional de Estatística (INE), o número de pessoas empregadas diminuiu em 38,7 mil face ao trimestre anterior, enquanto o desemprego aumentou em 20 mil pessoas.
Apesar deste recuo, o país continua a contar com mais de 5,3 milhões de profissionais empregados e uma população ativa de 5,65 milhões de pessoas, refletindo níveis de participação historicamente elevados.
Emprego regista maior quebra dos últimos cinco anos
A evolução do emprego acompanhou a diminuição da população ativa, que recuou em 18,8 mil pessoas face ao trimestre anterior, a maior quebra trimestral registada nos últimos cinco anos.
No total, Portugal conta atualmente com 5,3 milhões de pessoas empregadas, correspondendo a uma taxa de emprego de 57,3%. Apesar da descida trimestral, a população ativa continua a crescer em termos homólogos, registando uma subida de 1,8%.
Entre os 4,48 milhões de trabalhadores por conta de outrem, a estabilidade contratual continua a ser a norma. Segundo a Randstad Research, 85,8% dos profissionais têm contrato sem termo, enquanto a taxa de contratos a termo se fixou nos 14,2%, menos 0,3 pontos percentuais do que no trimestre anterior.
Qualificações continuam a ser um desafio estrutural
Os dados revelam que Portugal continua a enfrentar desafios ao nível da qualificação da força de trabalho. Atualmente, 35,8% dos profissionais empregados possuem ensino superior completo, apresentando uma taxa de emprego de 79,4%. No entanto, 29,1% dos trabalhadores continuam a ter baixos níveis de qualificação, uma proporção que, segundo a Randstad, representa o dobro da média da União Europeia.
Para Isabel Roseiro, Diretora de Marketing da Randstad Portugal, este continua a ser um dos principais desafios do país: «Os dados do primeiro trimestre de 2026 mostram um mercado de trabalho menos dinâmico do que o observado no final do ano passado, com quedas significativas na população ativa e no emprego. Ainda assim, Portugal continua a apresentar níveis historicamente elevados de participação e emprego. O principal desafio mantém-se estrutural: garantir maior qualificação da força de trabalho e responder à desaceleração sem comprometer a competitividade do mercado laboral.»
Desemprego sobe para 6,1%, mas jovens registam ligeira melhoria
O desemprego voltou a aumentar no início do ano, atingindo 346,3 mil pessoas, mais 20 mil do que no trimestre anterior. A taxa de desemprego subiu para 6,1%, sendo mais elevada entre as mulheres (6,8%) do que entre os homens (5,5%).
Apesar do aumento global, os jovens apresentaram sinais positivos. A taxa de desemprego entre os 16 e os 24 anos desceu para 19,1%, menos 0,7 pontos percentuais face ao trimestre anterior. Ainda assim, continua a representar um valor três vezes superior à média nacional.
Outro indicador que continua a preocupar é o desemprego de longa duração. Atualmente, 39,9% dos desempregados procuram trabalho há mais de um ano, evidenciando dificuldades persistentes de reintegração no mercado laboral.
Emprego público ultrapassa os 767 mil trabalhadores
O emprego nas administrações públicas manteve a trajetória de crescimento. No primeiro trimestre de 2026, o número de trabalhadores do setor público ultrapassou os 767 mil profissionais, representando um aumento de 8.058 trabalhadores face ao mesmo período do ano anterior.
A administração central concentra 75,4% do emprego público, enquanto 92,7% dos trabalhadores das administrações públicas se encontram no continente.
Teletrabalho perde expressão em Portugal
O recurso ao teletrabalho voltou a diminuir no início de 2026. Segundo os dados da Randstad Research, o número de profissionais a trabalhar remotamente caiu em 10,5 mil pessoas, abrangendo atualmente 1,12 milhões de trabalhadores, o equivalente a 21,1% da população empregada.
A Grande Lisboa (33,6%) e a Península de Setúbal (28%) continuam a ser as únicas regiões do país acima da média nacional. O modelo híbrido mantém-se como a solução preferida, sendo utilizado por 39,8% dos trabalhadores remotos, enquanto 24% trabalham exclusivamente a partir de casa. O teletrabalho continua também fortemente associado a profissionais com ensino superior, grupo em que 44,7% desempenham funções remotamente.
Construção lidera criação de empresas
A dinâmica empresarial continua positiva. Em março de 2026 foram constituídas 5.184 novas empresas, um número bastante superior às 1.471 dissoluções registadas no mesmo período.
O setor da Construção voltou a destacar-se como a atividade com mais novas constituições de empresas (2.244), enquanto o Comércio e reparação de veículos liderou o número de encerramentos.
Salários crescem quase 5%
No que respeita às remunerações, o valor médio declarado dos trabalhadores por conta de outrem atingiu os 1.565,30 euros em fevereiro de 2026, representando um crescimento homólogo de 4,9%. Lisboa continua a apresentar o salário médio mais elevado do país, com 1.801,72 euros, enquanto Beja regista o valor mais baixo, fixando-se nos 1.292,84 euros.


