Missão Obama: Lançar uma nova geração de jovens com impacto cívico

O ex-Presidente dos EUA acredita que é nos jovens que está a solução para os problemas do mundo. Com vários programas, a Fundação Obama investe na nova geração e no seu poder cívico. A confiança aqui reside na nova geração de líderes que é importante formar. A missão da Fundação Obama é inspirar os jovens, empower ou mostrar que o poder está dentro de cada um de nós, e conectar as pessoas entre si para ajudar a mudar o seu mundo.


“E essa missão começa na nossa casa no lado sul de Chicago onde estamos a construir o Centro Presidencial Obama.” Esta é uma das várias mensagens deixadas pelo casal Obama em obama.org, pequenos textos escritos no plural que nos fazem chegar a voz sincronizada deste casal que em 2008 festejou a sua vitória no primeiro mandato como Presidente dos Estados Unidos e primeira- -dama e despediu-se da função em janeiro de 2017.

Não é preciso muito para tirar a essência das intenções do primeiro Presidente afro-americano dos EUA. Na sua comunicação passa a imagem de quem é movido por narrativas e argumentos em torno da resposta aos desafios que afetam o planeta e as pessoas: das mudanças climáticas aos baixos rendimentos agrícolas em África. Acredita que existem soluções tecnológicas para muitos desses problemas e que as maiores barreiras ao progresso são sociais. Se estivermos atentos aos seus discursos e entrevistas televisivas, por exemplo, percebemos que a intenção de Barack Obama ao criar a Fundação Obama não foi fundar uma máquina de recolha de fundos (embora esteja a angariar doações) mas criar algo em torno de boas causas. E neste caso o objetivo é construir uma geração de jovens conectados, futuros cidadãos ativos na sociedade. A forma de lá chegar foi desenhada em torno de vários programas teóricos e práticos, junto das suas comunidades e nos seus países.

Programas dos Obama

Uma das iniciativas da Fundação Obama é o programa Community Leadership Corps, que se destina a quem tenha entre 18 e 25 anos de idade e pretenda abordar oportunidades e desafios dentro da sua comunidade. Ao longo de seis meses, os membros formam equipas, realizam reuniões e lançam um projeto local em conjunto com a sua comunidade. Em 2020 este programa não viu nascer uma nova edição devido à pandemia de coronavírus.

Os membros deste programa adquirem competências nas áreas da gestão comunitária, pensamento centrado na equidade e gestão de projetos. Os jovens aprendem a saber ouvir os residentes, líderes e organizações na sua comunidade e a determinar como podem trabalhar juntos para criar a mudança. Em fevereiro de 2014 Obama, enquanto Presidente dos EUA, tinha lançado o My Brother’s Keeper para dar resposta à falta de oportunidades para crianças e jovens negros e garantir que todos pudessem alcançar o seu pleno potencial. Em 2015, a My Brother’s Keeper Alliance (MBK Alliance) foi lançada para dimensionar e sustentar a missão do projeto original. No final de 2017, a MBK Alliance tornou-se uma iniciativa da Fundação Obama, estando focada na construção de comunidades seguras e de apoio a crianças e jovens negros onde se sintam valorizados e tenham caminhos que os levem às oportunidades de que precisam.

A Obama Foundation Fellowship apoia inovadores na área do civismo que se distingam, que sejam notáveis – líderes que estão a trabalhar com as suas comunidades para criar mudanças e a abordarem alguns dos problemas mais urgentes do mundo. O programa seleciona vinte estrelas em ascensão voltadas para a comunidade, em todo o mundo, para um programa não residencial de dois anos, projetado para ampliar o impacto de seu trabalho e inspirar uma onda de inovação cívica. Já o Programa de Bolsas da Fundação Obama dá aos jovens líderes em ascensão em todos os pontos do globo, que já estejam a fazer a diferença nas suas comunidades, a oportunidade de elevarem o seu trabalho um nível acima através de um currículo que reúne competências académicas e práticas.


The Girls Opportunity Alliance é outro dos programas da Fundação Obama que pretende capacitar meninas adolescentes em todo o mundo por meio da educação, permitindo que alcancem o seu potencial máximo e transformem as suas famílias, comunidades e países. Líderes: a África é um programa de um ano que fornece a 200 líderes africanos emergentes as ferramentas de que precisam para criar mudanças. O programa não residencial oferece aos líderes a oportunidade de participarem em seminários presenciais e online focados no desenvolvimento de liderança baseada em valores, construção de ferramentas para a mudança social, aprendizagem prática de serviço e formação técnica. Este programa inclui uma “convocação inspiradora”, ou seja, uma reunião intensiva de liderança e desenvolvimento de ferramentas durante cinco dias de treino na sua região; uma plataforma digital para aprendizagem e conexão, em que os líderes estão conectados à sua “corte online” para fomentar a aprendizagem entre pares e a resolução colaborativa de problemas; e vínculos que duram uma vida inteira e apoiam a ação. Após o programa, os líderes juntam-se a uma rede maior de agentes de mudança afiliados à Fundação Obama, com acesso contínuo a outros líderes e oportunidades na rede da Fundação.

Centro Presidencial Obama pronto em 2022

“No South Side de Chicago, o Centro oferecerá a velhos amigos e novos visitantes a possibilidade de explorar um museu de classe mundial e de se reunirem para celebrações de todos os tipos”, disse Obama ao apresentar a sua grande obra na zona sul de Chicago. Porquê Chicago? Michelle Obama nasceu aí, exatamente na zona sul de Chicago, e foi também aí que o presidente Obama começou como um organizador comunitário. O Centro quer ser uma fonte de criação de emprego e impulsionar oportunidades económicas em Chicago, explica Obama.

Texto Maria João Alexandre

[O artigo pode ser lido na íntegra na edição de outubro, em banca, da revista Líder]

 

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