O setor financeiro continua a destacar-se como um dos mais bem pagos em Portugal. De acordo com dados divulgados pela Randstad Portugal, a remuneração média nas atividades financeiras atingiu, em novembro de 2025, os 3.250 euros — um valor 70% superior à média nacional, fixada nos 1.877 euros. Nota ainda para as mulheres que representavam quase 54% da força de trabalho no setor financeiro no terceiro trimestre de 2025.
Apesar da liderança salarial, o crescimento da última década foi mais moderado do que o registado no conjunto da economia. Nos últimos dez anos, os salários no setor aumentaram 24%, enquanto a remuneração média nacional cresceu 53%. Já no último ano, o aumento foi de 2,6%, com uma variação mensal de 1,3%, refletindo alguma volatilidade ao longo do ano.
Um setor mais feminino do que a média
O retrato do emprego revela também uma maior feminização face ao panorama nacional. No terceiro trimestre de 2025, as mulheres representavam quase 54% da força de trabalho no setor financeiro — cerca de 61 mil profissionais — enquanto os homens somavam 46%, num total de 52 mil trabalhadores.
Menos balcões, mais qualificação
A transformação estrutural do setor é evidente na redução da rede física. Entre 2012 e 2024, mais de metade dos balcões bancários e caixas económicas encerraram, passando de 5.571 para 2.751 estabelecimentos. A retração da presença física acompanha a aceleração da digitalização e a reorganização operacional das instituições.
Em paralelo, o perfil das funções tornou-se mais qualificado. Atualmente, os especialistas de atividades intelectuais e científicas representam 42,9% do emprego, seguidos pelos técnicos de nível intermédio (28,8%), consolidando um setor cada vez mais orientado para competências técnicas e analíticas.
Banca lidera criação de emprego
A análise por atividade confirma que o dinamismo do emprego está concentrado no núcleo bancário. No terceiro trimestre de 2025, as atividades de serviços financeiros — sobretudo banca — atingiram um máximo histórico de 79,7 mil trabalhadores, superando largamente os níveis mínimos registados no período pós-Troika. Já o setor segurador estabilizou nos 19,8 mil profissionais, após o pico observado durante a pandemia.
O desemprego no setor mantém-se residual. Com apenas 2.022 inscritos nos centros de emprego, representa 0,8% do total nacional. Lisboa concentra o maior número de desempregados (911), seguida pela região Norte (735).
Para Joana Gonçalves, Senior Manager de Finance, Banking & Financial Services da Randstad, o setor «continua a ser um dos pilares de emprego qualificado em Portugal, oferecendo remunerações significativamente acima da média». No entanto, sublinha que a contração da rede física e a volatilidade salarial evidenciam um setor “em plena mutação”, onde a digitalização e a adaptação estrutural serão determinantes para o futuro.
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