A jovem artista lisboeta Beatriz Narciso foi a vencedora da primeira edição da bolsa anual WAF – Women in Art Fellowship, destinada a apoiar e dar visibilidade a mulheres artistas emergentes em Portugal. A bolsa tem um valor de 27 000 euros e conta com Joana Vasconcelos como madrinha desta primeira edição, promovida pelo Freeport Lisboa Fashion Outlet e Vila do Conde Porto […]
A jovem artista lisboeta Beatriz Narciso foi a vencedora da primeira edição da bolsa anual WAF – Women in Art Fellowship, destinada a apoiar e dar visibilidade a mulheres artistas emergentes em Portugal. A bolsa tem um valor de 27 000 euros e conta com Joana Vasconcelos como madrinha desta primeira edição, promovida pelo Freeport Lisboa Fashion Outlet e Vila do Conde Porto Fashion Outlet, em parceria com a SOTA – State of the Art e a Portugal Manual.
À Líder, Beatriz explica que o conhecimento que obteve nas mentorias não foi apenas útil, mas também essencial para validar o seu trabalho. «Nunca tive uma receção tão acolhedora, tão válida. Nós, artistas, para trabalhar, não precisamos de tanta validação, mas convém haver esta perceção pública», referiu.
Receber este feedback permitiu-lhe estar «mais aberta à mudança». «Eu diria que 80% do meu tempo é aplicado aqui na ‘gruta’, como eu costumo dizer, a trabalhar. Mas acho que preciso de ter mais abertura pública e a bolsa permite precisamente isso», acrescenta.

Uma lente masculina para ver a arte
O foco nas mulheres artistas é outro fator importante para a jovem vencedora, que conta como este continua a ser um setor muito desigual. «Nas minhas exposições individuais, havia pessoas que acabavam por ver primeiro a minha arte e depois viam-me a mim e diziam ‘Ah, que surpresa!’», relembra.
Ouviu várias vezes que a atenção ao detalhe e perfecionismo das suas obras faziam lembrar «os mestres de antigamente» e Beatriz gostaria de «quebrar esta linha de pensamento». «Nós [mulheres artistas] não somos poucas e é por isso que é importante continuar a dar voz e mostrar que estamos aqui», refere.
Sei que a história não pode ser reescrita, e às vezes é mal contada também, mas deixa-me muito surpreendida que Portugal ainda tenha esta conceção.
Acrescenta que a cultura não se afasta dos temas da atualidade, andando mesmo de «mãos dadas com a política». «Uma precisa da outra para subir ou descer diferentes escalas e diferentes tempos que correm. A cultura nunca foi algo à parte do funcionamento social», diz.
As barreiras financeiras persistem
O valor do certame vai dar asas a Beatriz para voar mais alto, especificamente para se dedicar a «pensar em grande» e projetar obras em formatos que antes seriam impensáveis. «Estando em Portugal, temos de ser muito mais realistas e começar a cortar, para fazer de uma forma mais económica. A bolsa fez-me acreditar que eu era capaz e fazer como eu queria desde o plano A, sem ser preciso ir ao plano C, D ou E», explicou.
Outro obstáculo financeiro é a forma como se compra arte em Portugal. A jovem artista explica que a maioria dos seus compradores é portuguesa e «gostaria de investir em arte», mas que existem outras prioridades. Gostaria de se expandir além-fronteiras, mas, confessa, ainda não sabe como.
Durante o último trimestre do ano, Beatriz vai participar num ciclo de mentorias de acompanhamento exclusivas que apoiarão o desenvolvimento do seu projeto artístico, cuja exposição surge no início de 2026. Antes disso, irá realizar, em novembro, uma exposição coletiva em conjunto com as nove finalistas da WAF, num novo espaço expositivo do Vila do Conde Porto Fashion Outlet.





