Nearshore: Desafios na Gestão de Pessoas

Tendo em conta a importância do setor nearshore, a Aon realizou em parceria com a APDC e a Experis um estudo focado nos desafios que estas organizações têm na gestão das suas pessoas. Este estudo foi realizado no final de 2019 e abrangeu 30 empresas que representam cerca de 40 mil colaboradores.

Podemos caraterizar as empresas participantes no estudo como sendo organizações com crescimentos anuais de dois dígitos, com colaboradores jovens (93% abaixo dos 40 anos) e com vários desafios ao nível da gestão de talento.

O mapeamento de competências necessárias vs. existentes foi o primeiro desafio a ser identificado pelos participantes com uma avaliação de 3,6 (de 1 a 5) entre o que precisam e o que existe atualmente na sua população. O gap atual é significativo e vai por certo agravar-se com o futuro do trabalho.

O segundo desafio identificado está relacionado com a motivação dos colaboradores e com as respetivas ferramentas à disposição das empresas. A criação de uma cultura de proteção focada na saúde e bem-estar foi considerada a principal ferramenta de motivação por três quartos dos participantes. No entanto, mais de 80% dos participantes assume que no presente apenas tem apostado em seguros de saúde e alguns programas relacionados com bem-estar físico, sendo o bem-estar mental e financeiro uma área de futuro desenvolvimento.

Ainda relativamente à motivação dos colaboradores, os participantes colocaram em segundo lugar a introdução de políticas de flexibilidade no trabalho e na definição de pacotes retributivos e, em terceiro lugar, os benefícios extrassalariais desde que relevantes e bem comunicados.

O último dos três desafios mais relevantes está relacionado com o recrutamento, nomeadamente no formato associado ao desenho de propostas de valor competitivas e alinhadas com as expectativas de trabalho dos candidatos e também na forma como conseguem chegar aos perfis desejados.

Relembro que o estudo foi realizado em ambiente pré-COVID, ou seja, todas as reflexões que têm sido feitas nos últimos meses sobre o impacto desta pandemia eram ainda uma miragem. No entanto, temas como a necessidade de novas competências, a importância da criação de uma cultura de proteção e bem-estar, a obrigatoriedade de introduzir flexibilidade na forma de trabalhar e recompensar ou ainda a importância de uma proposta de valor focada nos colaboradores desde o momento do recrutamento, são tudo buzz words das últimas semanas ou mesmo meses.

Estes resultados confirmam que tudo o que vivemos no presente veio “apenas” acelerar tendências já existentes. Não estamos a mudar de paradigma, mas apenas a colocar o pé no acelerador e avançar para o futuro de forma mais rápida, mas seguindo o mesmo caminho.

Podemos concluir também que vamos continuar a prosperar num setor que pode representar já 3% dos empregos do País, pois as áreas-chave de sucesso já tinham sido acauteladas bem antes do impacto COVID, fazendo com que todas estas empresas estejam bem preparadas para os novos desafios.


Por Nuno Abreu, diretor Aon HR Solutions

Artigos Relacionados: