Networking no Feminino – construir redes para além da diversidade

De que forma a capacidade de criar laços, pontes e estabelecer redes de contacto ajudam no percurso profissional? Existem poucos dados que representem as mulheres no networking, uma prática que merece atenção e encorajamento, com vantagens tanto a nível profissional como pessoal, essencial para abrir novas portas e diversificar o mercado. “Networking no feminino”, foi o tema abordado no 7º episódio do “Promova Talks”, que desta vez contou com a participação de Ana Torres, Presidente da Professional Women’s Network (PWN) e MS Europe Cluster Lead RD da Pfizer, Rosário Almeida, Category Leader da Sonae MC, e Vanda de Jesus, Diretora Executiva da Portugal Digital, numa conversa moderada pelo Jornalista André Macedo.

Para Ana Torres é evidente que o networking interno é uma parte crucial na carreira, “é importante arranjarmos a nossa rede de contactos, pelo simples facto de que podemos sempre aprender com os outros”, salientando que o trabalho em equipa dá a possibilidade de atingir resultados maiores do que o somatório da mesma. O facto de se dar a conhecer em áreas completamente distintas e por vezes nada relacionadas com a função pode “fazer, em primeiro lugar, com que nos conheçam melhor, quando for necessário fazer uma referenciação para que se lembrem do nosso nome e saberem mais sobre os nossos achievements, e isso é fundamental”, reforça.

Rosário Almeida partilha a mesma visão, salientando a importância do trabalho de equipa, donetworking e como “contribuir para ajudar o próximo aumenta a entrega e a capacidade de superação”. Acrescentando ainda que “quando somos nós próprios, generosos para o outro e nos ajudamos mutuamente, e damos sem esperar receber, a rede vai-se construindo”. Revela que a competência e as capacidades de trabalho são cruciais, mas que a relação de confiança é igualmente determinante. “Quando conhecemos alguém do nosso trabalho e confiamos nessa pessoa, somos capazes de a recomendar para outra função”, afirma a responsável da Sonae MC.

Vanda de Jesus partilha que desde cedo adotou a regra de conhecer novas pessoas, “no início não era tanto pelo networking, era pela minha necessidade de receber de fora, buscar inspiração, de fazer pontes entre temas (…) e comecei a perceber que precisava de conversas um bocadinho maiores e mais estruturadas para trazer ambientes novos para as minhas discussões”. Regra esta que aponta ter sido bastante natural, e que tenta dedica-la nas suas horas de almoço, diversificando muito almoços mistos de amizade, inspiração, parceria e mentoria. “Fazemos este investimento em nós próprios e nos outros”, o que, na sua opinião, possibilita perceber outros pontos de vista que poderão ser incorporados tanto no trabalho como na vida pessoal.

Há unanimidade em relação ao networking ser afetado por questões culturais. Apesar de haver maior repartição e equilíbrio de tarefas nas gerações abaixo dos 40 anos, a mulher continua a ter “mais dificuldade a dedicar tempo a tarefas extratrabalho e família”, indica Ana Torres, reforçando que outras tarefas acabam por ser feitas de forma mais forçada. Opinião corroborada por Rosário Almeida que afirma “nós mulheres sentimos que estamos sempre em débito (…) para com os outros que nos rodeiam”. Apontando que, por outro lado, existe o lado empático, muito característico do feminino, que ajuda a conduzir para o sucesso, e que é uma forma de networking mais focada num contexto natural de partilha, e não numa objetividade de o ter de fazer. “Quando as pessoas se dão, nasce!”, afirma perentoriamente.

Inspirada pelo projeto da PWN, que pretende ajudar as mulheres na progressão de carreira, Vanda de Jesus pensou na necessidade de um programa só para reintroduzir as mulheres no mercado de trabalho devido à desigualdade na representação e no contexto de aprendizagem. “Há cada vez mais duas coisas a corrigir: as mulheres têm de criar espaço entre elas, mas os homens têm de se abrir mais. Para mim a diversidade é importante, mas não de género, é toda”, realça a Diretora do Portugal Digital.

André Macedo lança o desafio, “que sugestão podem dar às pessoas sobre como iniciar o processo de redescoberta dos outros?”, ao qual obtém respostas que em muito se interligam. Ana Torres sugere que se juntem ao projeto PWN e propõe que se conheça uma pessoa nova a cada semana ou mês, encarando como uma ferramenta de crescimento pessoal e não como uma “agenda determinada”. Rosário Almeida revela que a chave e empoderamento está no reconhecimento do trabalho do outro “o poder da gratidão é incrível”. Para Vanda de Jesus é necessário ter a humildade de dar aos outros, “não é só esperar ser procurado, mas ter a curiosidade de procurar”.

O “Promova Talks” foi criado no âmbito do Projeto Promova, lançado pela CIP, em parceria com a NOVA SBE. Trata-se de um programa de desenvolvimento e formação com o objetivo de promover cada vez mais mulheres em cargos de liderança nas empresas portuguesas. É um podcast mensal, produzido pela CIP em parceria com a Randstad, que visa discutir os desafios da igualdade de género e de oportunidades no emprego para as mulheres. Este podcast está disponível através das principais plataformas Spotify, iTunes, Google Podcasts. O 1.º episódio tem como tema “O recrutamento sem género”, o 2.º “As mulheres no setor da saúde”, o 3º “As mulheres a tecnologia”, o 4.º “Gerações no Feminino, o que muda?”, o 5.º “Work life balance” e o 6º “Por que razão as mulheres avançam lentamente nas carreiras?”

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