Novo estudo mostra que a maioria dos portugueses está disposta a fazer uma reconversão profissional

A crise pandémica provocada pela COVID-19 veio acelerar a necessidade de resolução de questões emergentes na sociedade como a rápida digitalização da economia, a necessidade de formação contínua e a fragilidade dos sistemas nacionais de proteção social.

As principais conclusões do estudo Workforce Protection, do Grupo Zurich e a Universidade de Oxford, com uma amostra de 19 mil profissionais de 17 países, onde se incluem 1100 portugueses, vêm demonstrar no seu relatório “Definir um Mundo de trabalho melhor: Argumentos para defender um novo contrato social”, que a gestão destas mudanças e a prosperidade das sociedades a longo prazo depende da partilha de responsabilidades entre cidadãos, governos e empregadores.

Com a Pandemia a impulsionar a digitalização, incluindo o uso da Inteligência Artificial e a automatização, aumenta também a necessidade da requalificação profissional. No entanto, o estudo mostra um desfasamento entre o nível de risco pessoal percebido pelos inquiridos e a sua vontade de tomar medidas para o enfrentar. Em Portugal, a grande maioria (72%) dos inquiridos afirma estar disposta a fazer uma reconversão profissional, um número acima da média da amostra, sendo, nomeadamente, os trabalhadores em funções criativas baseadas no conhecimento os mais empreendedores e com maior disposição em abdicar do seu tempo livre para adquirir novas competências profissionais.

O estudo aponta também para o desempenho de um papel fundamental dos governos e empresas na partilha de informação aos trabalhadores sobre os riscos dos seus atuais empregos e as oportunidades disponíveis.

A situação precipitada pela Pandemia veio destacar a importância de reforçar a proteção dos profissionais que não têm empregos tradicionais, como os trabalhadores independentes, com empregos temporários ou a tempo parcial e numa maior exposição ao risco encontram-se os millennials, e jovens da geração Z. Em situação pré-COVID as gerações mais jovens tinham o dobro da probabilidade de optar pelo trabalho independente como carreira, quando comparados com os profissionais mais velhos. Agora a tendência inverte-se com os trabalhadores mais novos à procura de segurança e estabilidade no emprego, o que pode implicar repensar os quadros de proteção dos trabalhadores independentes, seja qual for a geração.

“Para além da urgente reflexão sobre a fragilidade dos sistemas de proteção social de diversos países, nomeadamente os cuidados de saúde e pensões, é fundamental ter em conta a necessidade de implementar programas contínuos de formação e requalificação de adultos, assim como sensibilizar as pessoas sobre os riscos financeiros que enfrentam e as opções disponíveis para a gestão desses riscos”, afirma António Bico, CEO da Zurich em Portugal.

Workforce Protection é um projeto do Grupo Zurich, em parceria com a Smith School of Enterprise and the Environment da Universidade de Oxford, que a Zurich Portugal integra, e que tem como objetivo partilhar a visão atual dos consumidores ao nível do conhecimento, atitudes e comportamentos relacionados com o mundo do trabalho.

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