Novo regresso, novas expectativas

A pandemia revolucionou a nossa forma de trabalhar. Num curtíssimo espaço de tempo, o teletrabalho passou a ser visto como uma clara vantagem, por parte dos colaboradores das empresas: possibilitava o aumento da flexibilidade de gestão entre a vida pessoal e profissional e a sensação de segurança face à propagação do vírus.

Mais recentemente, com o fim do teletrabalho obrigatório, decretado pelo Governo e com incidência a partir de agosto, a maioria dos empregadores inicia um processo de regresso ao escritório. Empresários e gestores traçaram vários cenários, sendo um dos mais adotados – e talvez o que reúna maior consenso – o que privilegia a passagem para um regime misto, onde o trabalho presencial e o remoto possam coexistir.

Os colaboradores que regressam ao local de trabalho, voltam com novas expectativas e, muitas vezes, com receio de perder algumas vantagens ganhas com o trabalho remoto. Se listarmos as preferências dos profissionais, a existência de um maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal, semanas de trabalho com menos dias, horários de trabalho reduzidos e o cumprimento de medidas de higiene sanitária, estariam certamente entre os requisitos mais desejados.

Um dos maiores desafios das empresas, para alinhar suas políticas internas aos novos interesses dos trabalhadores, é mudar a mentalidade dos gestores: olhar para o colaborador e para o seu mundo, e perspetivar que benefícios este mais valoriza e que podem gerar uma melhor qualidade de vida para si e para a sua família. Este é, sem dúvida, um dos fatores que fará a diferença na retenção de talento e certamente terá efeitos visíveis no colaborador, concretamente ao nível da felicidade no trabalho e promoção de maior produtividade.

É tempo de gerir as novas expectativas dos colaboradores. Agora que Portugal regista uma das mais elevadas taxas de vacinação contra a COVID-19 do mundo e que o regresso ao escritório é uma realidade, é também tempo para viver uma nova realidade, que a pandemia mudou. É premente ouvir os colaboradores, perceber tendências e adaptar ou criar novos produtos que se adaptem à nova realidade. Uma certeza todos temos: nada será como antes.

 


Por Maria de la Calle Vergara, Diretora de HR para Portugal e Espanha, Sodexo

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