Nuno Vasco Lopes: «Há algo que nunca será substituído por máquinas: o relacionamento humano»

A Glintt é uma multinacional focada em colocar a tecnologia ao serviço do utente e dos profissionais de Saúde. Nuno Vasco Lopes, CEO e presidente da Comissão Executiva, está empenhado em aproximar os cuidados de saúde da casa das pessoas.

A atividade na área da saúde representa cerca de 75% do volume de negócios da Glintt, as suas soluções são utilizadas em mais de 200 hospitais e clínicas e em 14 mil farmácias na Península Ibérica. Ação, resiliência e espírito de sobrevivência são parte da receita do CEO e das mais de 1100 pessoas na Glintt para os tempos actuais. «Quem tiver espírito de sobrevivência e conseguir fazer uma gestão assertiva e mais inteligente, vai conseguir ter maior espaço de manobra para inovar», explica, sem nunca esquecer as pessoas. E inclui ainda fortes doses de reinvenção e capacidade de traçar novos caminhos rumo à inovação tecnológica.

Prova disso, foi a escolha da Organização Mundial de Saúde em adoptar uma ferramenta bem portuguesa, desenvolvida pela Glintt em conjunto com a Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH). A ADAPTT – Surge Planning Support Tool destinada a especialistas seniores em planeamento de cuidados de saúde e decisores políticos.

E as evidências não ficam por aqui. Seja na prestação de cuidados sociais e de saúde sem barreiras e à distância, seja na área da responsabilidade social. Em entrevista à Líder, Nuno Vasco Lopes desvenda estar claramente preparado para a ação.

Ainda que seja uma incógnita a forma como se vai sair da crise, quais é que são os vossos argumentos de sucesso para a Era do “novo normal”?
Ação. Vivemos tempos em que temos de agir rápido, tudo está em constante movimento/mudança. Ninguém pensou que alguma vez fossemos viver esta realidade, e não me parece que o antigo “normal” regresse. Estamos todos numa fase de aprendizagem.
Destaco também a resiliência, a capacidade para não desistir perante os piores cenários. Quem tiver espírito de sobrevivência e consiga fazer uma gestão assertiva e mais inteligente, vai conseguir ter maior espaço de manobra para inovar. E a inovação tecnológica vai ser fundamental para conseguirmos sair desta crise económica e social.

Como é que as empresas devem pensar o “day after”?
No caso da saúde e olhando especialmente para os hospitais, após a COVID-19, a necessidade de aproximarmos os cuidados de saúde da casa das pessoas traz novos desafios, mas facilita muito o acesso e a segurança na prestação de cuidados de saúde.
O desligar do Estado de Emergência vai fazer com que voltemos às nossa vidas, mas temos de tomar medidas de segurança, porque a COVID-19 apenas vai desaparecer quando a ciência resolver o desafio da criação de uma vacina. Esta não é uma visão pessimista, antes uma visão confiante que vamos conseguir ultrapassar todas a dificuldades com a resiliência caraterística da natureza humana.

Ainda há demasiadas incertezas, mas é certo que as organizações têm de ser ágeis, com boas doses de improvisação. Qual é o vosso plano de ação e principais prioridades para a Era Pós-COVID-19?
Temos desenvolvido ao longo dos tempos uma forte capacidade de nos reinventarmos e de traçarmos novos caminhos rumo à inovação tecnológica.
A nova Internet, a IoT ou a Inteligência Artificial são uma realidade, mas nunca serão por si só suficientes. Há algo que nunca será substituído por máquinas: o relacionamento humano, e esse papel vai continuar a existir. A tecnologia vai melhorar a nossa capacidade de processamento dos dados, para obtermos respostas mais rápidas, em tempo real, e para que consigamos tomar as melhores decisões.

O que é que o coronavírus acelerou e o que alterou por completo na vossa empresa?
Esta nova realidade exigiu de tudo e de todos uma aceleração e readaptação diárias. A necessidade de analisarmos os temas de uma forma ainda mais focada e rápida fez com que toda a nossa equipa tivesse de ajustar a sua forma de trabalhar. Conseguimos porque somos um conjunto de pessoas resilientes e com um real espírito de sobrevivência.
Nos clientes, é igual. Assim, adaptámos a capacidade dos nossos clientes em continuarem a sua atividade, com a menor disrupção possível. Criámos novas soluções de acesso remoto que instalámos, monitorizámos e demos suporte durante todo este período. Tudo foi implementado em tempo recorde e com empenho e dedicação de todos os clientes, parceiros e colaboradores envolvidos.

Que erros se aperceberam de ter cometido e o que aprenderam com eles?Neste tempo de incerteza é inevitável que estamos a aprender diariamente. O que devíamos era estar melhor preparados para a mudança drástica que tivemos de adotar de um dia para outro.

Como é que está a ser preparado o regresso ao trabalho?
As equipas que podiam trabalhar de forma remota, cerca de 90% das mais de 1100 pessoas que trabalham na Glintt, assim o fizeram e vão continuar. Vamos continuar a privilegiar o trabalho remoto durante 2020.

Como vai restaurar a segurança nos colaboradores e no vosso ecossistema?
As reconhecidas medidas de segurança recomendadas pelo DGS estão a ser implementadas de forma a tornar o regresso mais seguro. O essencial é retomarmos algumas rotinas sem precipitações, sem corrermos riscos desnecessários, trabalhando e convivendo de forma diferente. Temos o nosso plano de contingência em vigor e vamos privilegiar o teletrabalho.

Até aqui, quais os impactos no negócio desta pandemia? Que medidas foram desenhadas a esse nível?
O impacto da reorganização das nossas equipas. De imediato verificamos que 10% da nossa equipa teria de continuar a trabalhar no local. Os restantes 90% poderiam manter-se em teletrabalho. Uma gestão necessária para equipar os nossos clientes de acordo com a realidade da altura, possibilitando a melhor adaptação ao Estado de Emergência Nacional.
Com toda esta resiliência, desenvolvemos juntamente com a Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) e em estreita colaboração com a OMS, uma ferramenta gráfica, destinada a ser utilizada por especialistas seniores em planeamento de cuidados de saúde e decisores políticos. A ADAPTT – Surge Planning Support Tool é uma ferramenta flexível, que permite que os utilizadores dos vários países insiram os seus dados epidemiológicos, variem os cenários de mitigação (ao usar o modelo epidemiológico ilustrativo da ferramenta) e adaptem a ferramenta a diferentes attack rates. Apostámos ainda em soluções de vídeo consulta através do nosso software hospitalar, o Globalcare, em conjunto com a nossa parceira Hopecare, a aliar serviços a produtos e a plataformas tecnológicas de ponta que permitem a prestação de cuidados sociais e de saúde sem barreiras e à distância.

Em termos de responsabilidade social, que boas práticas da empresa ressalvaria?
A Glintt tem apoiado diversos hospitais e outras instituições como a Associação Dignitude, promotora do Programa abem: Rede Solidária do Medicamento, que lançou a Emergência abem: COVID-19. Através da Emergência abem: COVID-19, será possível apoiar no acesso à saúde de novos beneficiários referenciados por entidades parceiras locais como Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia, IPSS, Cáritas e Misericórdias. Cidadãos que devido ao panorama atual apresentam necessidades específicas, decorrentes deste período tão difícil.

Que lições gostaria de partilhar?
Nas adversidades, o ser humano adapta-se e mostra que tudo é possível. Esta situação veio acelerar o que eu já acredito que esta equipa é (resiliente) e que tem a capacidade de se transformar e de forma rápida. Estes aspetos foram essenciais neste período da pandemia.

E que conselhos deixa aos portugueses que lideram outras empresas ou organizações?
Reagir rápido e pensar nas pessoas em primeiro lugar.

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