O desafio da comunicação com máscara

As máscaras ajudam a proteger contra o coronavírus, mas com elas postas é difícil ler expressões faciais. A logística de uma entrevista com máscara foi o tema de uma conversa recente entre Gabby Lennox, formadora da Korn Ferry Advance, e um dos seus clientes. “Acabámos por conversar sobre outras coisas que o corpo pode fazer para compensar a perda de expressões faciais”, contou num artigo para o website desta empresa que presta aconselhamento de carreira.

Muitas entrevistas ainda estão a decorrer por telefone ou videochamada, mas para aquelas que são pessoalmente, como é que se consegue comunicar com máscara? pergunta a especialista. Mesmo no caso das reuniões de equipa ou de uma reunião mensal de orçamento, em que estão todos sentados em volta de uma mesa, como resolver este problema da comunicação sem visualizar a face do outro?

De fato, uma pesquisa da empresa de software de recrutamento Jobvite, realizada em fevereiro e novamente em abril, mostrou que para 77% dos entrevistados um dos métodos preferidos para entrevistas de emprego – mesmo no atual contexto de COVID-19 – era presencial. Enquanto isso, 67% preferem ligações telefónicas e 45% videochamadas.

Com metade do rosto “mascarado”, os especialistas em comunicação dizem que é fundamental incorporar – e, por sua vez, estudar – a linguagem corporal de si próprio e dos outros. E como as máscaras não desaparecerão tão cedo, aprender a comunicar com tecido a cobrir metade do rosto será fundamental. Gabby Lennox deixa algumas dicas.

Lemos os rostos como um todo, observando movimentos nos olhos, na boca e até na testa. A prática é tão importante que, para ter uma ideia, é a forma como os bebés aprendem a comunicar: se os observar enquanto aprendem a falar, geralmente imitam o movimento da boca de um adulto.

Portanto, quando metade desses movimentos deixa de existir porque a face está coberta com uma máscara, pode ser difícil para o cérebro processar, dizem os psicólogos. Além disso, a leitura do rosto ajuda-nos a entender o contexto nas interações sociais – porque, embora alguém possa estar a dizer que está feliz, o seu rosto pode expressar um sentimento muito diferente.

Use a linguagem corporal

Os especialistas em comunicação dizem que é fundamental incorporar – e, por sua vez, estudar – a linguagem corporal de si próprio e dos outros. Alguém que está sentado direito ou mesmo relaxado pode não parecer tão interessado no tópico em discussão como alguém que se inclina para frente e usa as mãos enquanto fala. Lennox aconselhou as suas clientes a sorrir mais porque, mesmo que o sorriso esteja coberto, os entrevistadores podem ver os seus olhos a enrugarem-se, mostrando entusiasmo.

Articule bem os sons das suas palavras

Outro fator a considerar com as máscaras é que tornam as conversas mais abafadas. Portanto, é importante prestar muita atenção à forma como articula o discurso oral. Além disso, lembre-se que uma das melhores maneiras de se expressar é através do tom de voz. Num estudo detalhado no famoso livro Silent Messages, de 1971, o professor da UCLA Albert Mehrabian descobriu que, se houvesse uma incompatibilidade entre o que uma pessoa dizia e o tom da sua voz, os ouvintes confiavam mais no tom da sua voz do que nas palavras reais.

Seja criativo

Já vimos vários esforços para encontrar soluções inovadoras no trabalho e nos estilos de vida, que foram interrompidos pelo coronavírus- para o uso de máscaras temos de fazer o mesmo. Professores de bebés e de crianças pequenas, por exemplo, descobriram que podem comprar máscaras com uma janela de plástico transparente sobre a boca para que as suas expressões possam ser vistas. Outra opção? Usar uma viseira em vez de uma máscara, para que todo o seu rosto fique visível e possa ser visto e lido.

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