O desafio desta startup é desenhar óculos para negros

Após anos de luta para encontrar óculos adaptados aos traços faciais das pessoas negras, a Reframd, está a usar tecnologia para desenhar estruturas que se ajustem aos “pontos de referência do rosto” dos negros.

Os óculos tradicionais não se ajustam bem. Um formato nasal demasiado alto ou estreito cria um espaço entre a armação e o nariz, fazendo com que os óculos deslizem para baixo ou se movam para cima quando a pessoa sorri. A maioria dos óculos são concebidos para se adaptarem a características tipicamente encontradas em pessoas caucasianas. Os negros têm tido menos opções de escolha.

Foi este problema de design que o fundador da Reframd, Ackeem Ngwenya, que estudou Engenharia de Design de Inovação no Royal College of Art e no Imperial College London, decidiu resolver.

Ngwenya fundou em Berlim a Reframd, uma startup que desenha e fabrica óculos que se adaptam aos perfis do nariz dos negros. Criou assim armações standard com três larguras, que custam 200 euros, e óculos de sol que são vendidos por 249 euros.

Reconhecendo a individualidade dos rostos negros, o próximo passo da empresa será incorporar a modelação 3D para criar armações feitas à medida. Basta o cliente usar a câmara do seu telefone para capturar os “pontos de referência do rosto” e encomendar um par de óculos adaptado e feito especialmente para o seu rosto.

Investidores estão céticos

Tal como na maioria das outras empresas em fase de arranque, grande parte do foco de Ngwenya neste momento está na angariação de fundos e na sensibilização. Mas a ideia tem enfrentado até agora algum ceticismo por parte dos investidores.

Alguns potenciais investidores ou financiadores pensam que a Reframd não pode estar a resolver um problema real, caso contrário outra pessoa já estaria a trabalhar nele. Ngwenya acredita que é uma questão de diversidade e de quem tem o poder para decidir que produtos são feitos, para quem são feitos, e quem os fabrica.

Embora existam barreiras, o empreendedor tem encontrado apoio no projeto Worth Partnership, uma incubadora criativa que já ajudou várias ideias a verem a luz do dia, em 2020. A Reframd é também apoiada pelo Fundo dos Fundadores de Berlim, que fornece um subsídio aos fundadores, formação e mentoria.

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