O digital é a solução para a venda de automóveis

Com as vendas de automóveis a caírem 90% em resultado da crise da COVID-19, João Seabra, diretor geral da Kia em Portugal, acredita que as vendas de automóveis online serão um importante, se não mesmo o mais importante, canal de venda de automóveis no futuro.


Neste sentido, a marca lançou recentemente o Kia Vibe, um projeto criado em Portugal que, segundo a marca, “é o primeiro a permitir dar todos os passos na compra de um carro sem sair de casa”. Este investimento da Kia Portugal e da sua rede de concessionários foi construído como uma viagem interativa que culmina na aquisição de um automóvel e poderá ser a resposta comercial à crise da COVID-19.

Para alguns setores saírem desta crise, João Seabra em entrevista à Líder, acredita que será necessário o Governo avançar com apoios a fundo perdido já que os empréstimos serão insustentáveis para muitas empresas que têm já níveis muito elevados de dívida.

Até ao início da declaração do estado de emergência decorrente da pandemia COVID-19, como estava a correr o negócio da KIA em Portugal?
Até meados de março as vendas de automóveis da marca Kia estavam a correr muito bem em linha com o que tínhamos previsto para 2020.

Neste momento, qual é o efeito da crise nas vossas vendas?
A partir da declaração do estado de emergência o efeito nas vendas de viaturas foi brutal, isto é, o mercado está a cair 90%! Só haverá recuperação a partir do levantamento do estado de emergência, mas esta será muito lenta. A nível do serviço pós-venda a actividade nunca parou, caiu numa primeira fase para 25% do normal, mas esta semana já se nota uma ligeira melhoria. Aqui a recuperação será mais rápida do que na área das vendas de viaturas.

Tem dados que lhe permitam comparar as quebras de vendas da vossa marca em Portugal com outros países?
Pelo que sei, nos diversos mercados onde foram tomadas medidas semelhantes de confinamento o efeito nas vendas tem sido igual, isto é, está tudo praticamente parado. Nos países onde há menos restrições (exemplo da Suécia) a quebra de vendas é ligeira.

Quais as principais medidas que irão tomar para recuperarem a atividade?Não há medidas especiais a tomar, há que retomar a actividade simplesmente.

Parece-lhe que a venda de automóveis online é viável, a longo prazo?
Não só me parece como estou firmemente convencido que será um importante, se não mesmo o mais importante, canal de venda de automóveis no futuro. Por acreditarmos mesmo no que dizemos abrimos a semana passada o primeiro verdadeiro canal de vendas de automóveis online do País, da Europa e um dos mais avançados no Mundo! O volume de adesões ao canal Kia VIBE, simulações, vídeo chamadas e interações que temos tido nestes poucos dias de atividade e apesar do momento de crise que se vive dão-nos excelentes perspetivas para o futuro

Acredita que, a curto prazo, os consumidores vão voltar aos stands de venda automóvel?
Com toda a certeza, como voltarão aos restaurantes e aos centros comerciais.

Houve alguma alteração na estratégia de lançamento de novos modelos KIA?Não, mantemos o plano inicialmente previsto, isto é, lançámos em março a Kia Ceed SW PHEV e lançaremos até julho o Kia XCeed PHEV. Mais no final do ano lançaremos a nova versão do Kia Sorento.

A atual crise estará a fazer com que os consumidores olhem cada vez com maior relevância para as soluções de consumo sustentáveis e amigas do ambiente. Qual a estratégia da KIA a este nível, nomeadamente no que se refere à eletrificação?
A nossa estratégia de vendas está assente numa progressiva e intensa eletrificação da nossa gama. Como referi, lançamos já em plena crise dois modelos eletrificados (PHEV, plug-in hybrid), vamos continuar a migrar as motorizações diesel para diesel MildHybrid (MHEV). Já comercializamos dois modelos 100% elétricos, o Kia e-Niro e o Kia e-Soul, dois modelo PHEV, o Kia Niro PHEV e o Kia Optima SW PHEV, vendemos ainda a versão híbrida do Kia Niro (HEV) e o Sportage MHEV.

A Coreia do Sul tem sido referida como um exemplo no controlo da pandemia COVID-19. Uma vez que a KIA é sul-coreana, acredita que poderá ter um efeito reputacional positivo para a marca?
Acho que só pode ajudar a reforçar uma imagem já forte do país e da marca.

Como olha, enquanto líder, para este cenário de pandemia que estamos a enfrentar em Portugal?
Olho com preocupação no curto prazo pela destruição da economia que originou, mas estou optimista que a recuperação seja relativamente rápida, isto é, vamos estar condicionados durante todo o ano de 2020, mas acho que 2021 trará uma franca recuperação.

Parece-lhe que as medidas adotadas pelo Governo são as mais ajustadas às necessidades das empresas?
Ainda é cedo para saber, mas também acho que se for preciso mais apoio o Governo o dará. Acho que vai ser assim em todos os países da UE. Em todo o caso, as empresas vão ter de se adaptar ao um novo cenário de mercado e em alguns setores terá de haver ajustamentos fortes, exemplo do Turismo, pois a recuperação será mais lenta que noutros.

Que outras medidas de incentivo e apoio à atividade empresarial poderiam ser adotadas pelas entidades públicas?
Acho que têm de ser pensadas, para alguns sectores, apoios a fundo perdido pois apenas empréstimos não será suficiente para empresas já com níveis de endividamento elevado e com perspetivas de mercado no curto prazo muito baixas, não haverá condições para pagar empréstimos com a actividade a 25%/30% do normal.

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