«O esforço está associado a prazer e gosto pela vida», defende o filósofo Carlos Morujão

Porque viver dá tanto trabalho? Porque o Homem tem de fazer um esforço para encontrar “a orientação justa.” E, ao contrário do que se possa pensar, o esforço é uma coisa boa, está associado a gosto pela vida.


O ser humano tem necessidade de orientação e isso implica resolver situações complicadas porque nunca sabe o resultado, ou seja, nunca tem a certeza de que vai encontrar “a orientação justa.” Este é um processo difícil de definir, em que “procuramos a orientação por tentativa e erro.”

No palco da Leadership Summit Portugal, o filósofo e professor da Universidade Católica, Carlos Morujão, explicou que o ser humano não está geneticamente preparado para se orientar de forma justa – seria uma situação desejável porque nesse caso “ninguém nos enganava.”

“O ideal era que, do ponto de vista genético, estivéssemos preparados para que quando procurássemos orientação encontrássemos sempre a orientação justa”, diz o académico, que é também presidente da Associação Portuguesa de Filosofia Fenomenológica.

O Homem gostaria de acertar sempre, explica, mas provavelmente a nossa vida não seria tão agradável. É que “o esforço para ultrapassar as dificuldades está associado a algum prazer e gosto pela vida.” Portanto, “estamos sujeitos a falhar – mas é conveniente não falharmos muito.”


Ficar no estado de desorientação também não é uma opção para o Homem, que “precisa de ultrapassar o estado de desorientação” – daí a desorientação ser sempre um estado transitório.

Segundo o professor, a vida dá muito trabalho para quem procura “a orientação justa” e quer acrescentar algo ao que recebeu de legado. E isso “implica da nossa parte estarmos conscientes do perigo que espreita”, ou seja, da possibilidade de podermos vir a perder tudo o que recebemos.

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