O exemplo exigido

Nestes dias tem sido abundantemente noticiado e comentado o que se passa na Comissão Parlamentar de Inquérito ao Novo Banco. Como seria de esperar, muita demagogia embrulhada em populismo é difundida sobre este assunto. No entanto, aqueles que se preocupam com uma sociedade livre, de mercado livre e iniciativa privada, devem apoquentar-se com os factos que propiciam tal demagogia e tal populismo.

O presidente da CPI, Fernando Negrão, deputado do PSD, tem feito o possível; o mesmo poderei dizer de todos os deputados que integram a CPI, sem excluir ninguém, nem mesmo a por mim muito criticada Mariana Mortágua. Acontece que o mesmo não posso dizer de empresários (ou melhor lhes chamaria pseudoempresários) que por lá passam. Moniz da Maia foi um desastre completo; Gama Leão, não tão desastroso, não esteve à altura do que se pretende de alguém com responsabilidades; Luís Filipe Vieira, misturou o Benfica com a sua pessoa e a sua pessoa com ninguém; Nuno Gaioso ou Nuno Vasconcellos são mais do mesmo.

Enfim, se um partido comunista, ou anticapitalista quisesse designar quem devia representar a maldade intrínseca dos regimes de mercado; ou indicar quem melhor representava a perversidade de tal sistema, dificilmente encontraria melhor.

Assim, não me espanta, que os partidários do igualitarismo e os crentes na doutrina de que o fundamental é redistribuir sem produzir, sem crescer, nos mostrem constantemente estes exemplos, como se eles fossem representativos das sociedades liberais e abertas que defendemos.

O que sustento – e com garra – é que as organizações que defendem os empresários, os patrões, os gestores sejam duras – duríssimas – a condenar o tipo de comportamento que estes senhores têm. Se julgássemos que todos os defensores do capitalismo e da liberdade eram iguais ao senhor Moniz da Maia ou ao senhor Luís Filipe Vieira, creiam que haveria muitos mais comunistas, esquerdistas e extremistas de direita do que existem.

O exemplo exigido é que aqueles que não se revêm em teorias igualitárias, identitárias e totalitárias, mas sim em sociedades de mercado aberto e de liberdade política plena, sejam implacáveis a criticar o tipo de comportamento que aqueles e outros senhores têm na casa da Democracia. Sejam eles quem forem, venham de onde vierem. De outro modo, todos somos tidos pelo modelo que os respondentes da CPI defendem: a irresponsabilidade, a acumulação de dívidas e os impostos ao serviço dos seus negócios.


Por Henrique Monteiro, Jornalista e antigo Diretor do Expresso

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