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Home Opinião O fim da gestão por exaustão: Será o bem-estar o novo ROI?

Opinião

O fim da gestão por exaustão: Será o bem-estar o novo ROI?

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26 Fevereiro, 2026 | 3 minutos de leitura

Em Portugal, o cenário é paradoxal: 61% dos profissionais sentem-se esgotados ou em risco de burnout, e três em cada quatro colaboradores apresentam pelo menos um sintoma de esgotamento. Enquanto as perdas de produtividade associadas a problemas de saúde mental ultrapassam os 5 mil milhões de euros anuais, uma parte significativa das organizações ainda trata o bem-estar como uma mera nota de rodapé no orçamento.

Durante décadas, a equação da liderança parecia linear: mais pressão equivalia a mais resultados. Esta lógica, embora tenha entregado números no passado, atingiu o seu prazo de validade. Com a ascensão da Gen Z e a digitalização do trabalho, a corda não só esticou, como começou a romper.

Dados de uma investigação global com 1.500 profissionais revelam uma nuance perigosa: 88% declararam-se altamente comprometidos, mas 82% afirmam estar simultaneamente esgotados. O que mais surpreende são os 44% de profissionais que referem que o burnout os torna mais envolvidos no trabalho.

Na prática, isto significa que os seus talentos mais dedicados – aqueles que nunca dizem “não” -, são precisamente os que estão mais próximos do limite. Para um líder, este dado é um alerta vermelho: o compromisso extremo pode ser o prelúdio da rotatividade ou da incapacidade prolongada.

Em 2025, o Estudo Nacional de Saúde Mental revelou que 1,34 milhões de portugueses reconhecem precisar de ajuda, mas metade não dá o passo seguinte. O entrave raramente é a falta de consciência individual; é o contexto organizacional que ainda não criou as condições para o apoio psicológico necessário.

Quando o suporte não existe, os custos materializam-se. As baixas médicas por saúde mental já representam 27% das ausências laborais, com tendência crescente. A nível global, a depressão e a ansiedade subtraem 12 mil milhões de dias de trabalho por ano. O relatório Gallup 2025 sintetiza a urgência: a Europa detém a taxa de engajamento laboral mais baixa do mundo (apenas 13%). Onde existe um hiato desta dimensão, existe uma oportunidade competitiva brutal para quem decidir liderar de forma diferente.

Persiste a crença de que não investir em bem-estar é uma posição neutra de poupança, mas os dados desmentem-na. O relatório Return on Wellbeing 2024, indica que 95% das empresas que medem o ROI dos seus programas de bem-estar reportam retornos positivos. Organizações que integram o bem-estar na cultura e na liderança podem atingir até 20% mais produtividade, com retornos sobre o investimento superiores a 150%. O bem-estar corporativo não é um “mimo” de RH; é uma competência crítica de liderança. Quanto mais cedo as organizações o perceberem, mais cedo começam a colher os resultados.

Não é preciso reinventar a organização do zero, mas é imperativo mudar a hierarquia de prioridades. Um líder consciente comunica com clareza e gere o stress sem o transferir para a equipa; a segurança psicológica torna os colaboradores mais honestos, criativos e comprometidos; e o talento, por consequência, retém-se.

Para os 75% dos europeus com menos de 34 anos que reportam esgotamento, uma organização que cuida da equipa não é um bónus; é um critério de escolha e, acima de tudo, de permanência. As organizações que já perceberam isto não estão apenas ser mais simpáticas; estas estão a ser mais estratégicas.

Carolina Padilha,
Especialista em Bem-Estar e Desenvolvimento Humano

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