O fundador da edX reinventou o modo como aprendemos

A plataforma online de formação que lhe permite aceder a mais de 2500 cursos de 140 instituições de ensino do mundo inteiro. A plataforma foi imaginada em 2012 por Anant Agarwal, o seu fundador que, em conjunto com a Universidade de Harvard e o MIT, conseguiram a proeza de ser hoje o sítio onde podemos fazer um curso de Harvard, Cambrige, Oxford, entre outras, a custo zero.

Em tempo de pandemia era provável o seu crescimento, por isso a Líder falou, em exclusivo, com Anant, sobre a plataforma e como este vê os modelos de aprendizagem do futuro.


Como surge a ideia de criar uma plataforma como a edX?
Em 2012, a nossa sociedade estava a enfrentar – e ainda enfrenta – muitos desafios educacionais – lacunas de competências devido às mudanças tecnológicas, acesso limitado a formação de alta qualidade e enormes compromissos de custo e tempo necessários para obter habilitações – algumas das quais ainda existem hoje. Sabíamos que havia milhões de alunos no mundo para quem as barreiras para aceder à educação de que precisavam eram intransponíveis, portanto a Universidade de Harvard e o MIT decidiram unir-se e criar o edX para encontrar soluções para esses desafios. A nossa missão era tripla: expandir o acesso à educação de alta qualidade para todos, em qualquer lugar; reinventar a educação no campus e online; e melhorar os resultados do ensino e da aprendizagem através da pesquisa. Tentámos quebrar as barreiras da educação tradicional e criar uma nova maneira de aprender através da tecnologia digital – uma que se adaptasse a todas as novas formas, métodos e lugares em que todos aprendemos atualmente.

Nesta época das nossas vidas (com o trabalho e ensino remotos) considera-se um visionário?
Durante esta pandemia, grande parte do mundo passou para a aprendizagem remota, demonstrando a rápida evolução do cenário educacional. Embora seja um novo conceito para alguns, aqui na edX já tínhamos visto uma transformação no sentido das plataformas de tecnologia educacional mesmo antes do início da pandemia, e prevemos que a formação virtual continuará a ganhar força à medida que os alunos e professores de todo o mundo entenderem a sua vasta gama de benefícios, seja em circunstâncias incomuns ou em tempos normais.

Aprender ao longo da vida em vez de aprender por tempo limitado?
Com a ajuda da tecnologia e a criação dessas plataformas de aprendizagem, o nosso objetivo é mudar a mentalidade para uma abordagem modular ao longo da vida, em vez da trajetória típica de dois a seis anos em períodos determinados. Quando fundámos a edX, fizemo-lo com a missão de tornar a educação de alta qualidade mais acessível a mais pessoas, eliminando barreiras como custo, localização e tempo. Um benefício inestimável desta plataforma foi facilitar o envolvimento com os nossos alunos no seu próprio tempo – fornecendo interações em tempo real, lições e colaboração entre esses alunos e os seus professores e colegas. As plataformas de aprendizagem online, como a edX, permitem uma formação de qualidade através da distribuição de vídeos, avaliações com feedback instantâneo e redes sociais que promovem discussões estimulantes – todas a ocorrerem em escala e facilmente acessíveis pelas massas que optam por usá-las. Se há um grande benefício é a eficiência criada pelas plataformas virtuais de aprendizagem.

As universidades são recetivas a esses novos modelos de ensino ou temem a sua expansão?
Acreditamos que a adoção do ensino a distância ou online ocorrerá mais rapidamente como resultado da pandemia, pois alunos e professores começam a ver os muitos benefícios associados a este método. Embora algumas universidades ainda voltem a abordagens puramente tradicionais, prevemos que muitas começarão a adotar e implementar o uso da aprendizagem omnichannel ou blended learning, onde os estudantes do campus usarão rotineiramente a aprendizagem online e pessoal. As universidades também começarão a adotar creditações modulares e cumulativas como blocos de construção para um grau completo de formação. Essas creditações permitirão que os alunos desenvolvam rapidamente conhecimentos transferíveis e adaptados à procura, necessários para acompanhar a transformação digital que causou uma grande lacuna de competências na força de trabalho atual. As universidades também irão desenvolver uma das contribuições mais importantes da tecnologia para a educação – o efeito de rede. As universidades começarão a partilhar conteúdos modulares entre si e a desenvolver o trabalho de forma partilhada. A edX lançou recentemente uma iniciativa que ajudará as universidades neste caminho.

Como imagina a educação universitária daqui a cinco anos?
Em 2020 e além, veremos um aumento na procura por formação pré-graduada. Esse é um dos maiores mercados por explorar na formação online, e os trabalhadores sem um diploma universitário representam alguns dos grupos com maior probabilidade de serem impactados pela alteração de empregos e tecnologias. Os programas mais eficazes neste espaço serão online, correspondem bem às necessidades do setor e conferem competências imediatamente aplicáveis. É por isso que iniciámos o ano com o lançamento dos programas MicroBachelors, a primeira formação online, com garantia de créditos e cumulável.

Consegue identificar o tipo de aluno que está a utilizar a vossa plataforma?
A maioria dos alunos atuais do edX são adultos com formação universitária e idade entre 25 e 40 anos.

Há algum curso na sua plataforma que recomende aos líderes neste novo mundo COVID-19? A equipa do edX tem uma página em que partilha informações sobre a nossa resposta ao COVID-19 e o que esperamos que possam ser ferramentas úteis para alunos e educadores à medida que se ajustam a este novo normal. É importante referir que temos um blog focado em dicas de formação online para principiantes, um curso sobre como aprender online e um curso para educadores que mudam os seus cursos de presenciais para online.

Entrevista Catarina G. Barosa

Leia a entrevista completa na edição de Abril da Líder, que pode ser lida aqui excepcionalmente.

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