Este mês começa o campeonato mundial de futebol. Trata-se de um dos acontecimentos do ano e não é uma guerra. Por isso, vou dedicar os meus textos deste mês ao mundo da bola. Mas não vou falar do que se passa no terreno. Eis o primeiro desses textos, inspirado num dos editoriais de maio do Financial Times.
O texto tratava do futebol como ativo económico do Reino Unido. Eis o ponto: mais que um jogo da bola, o futebol tornou-se o desporto rei e, com isso, um negócio global de grande importância. Descontar esse impacto não faz sentido.
O jornal inglês referia vários factos. A Premier League, o campeonato principal, gera anualmente 10 mil milhões de libras em bilhetes, merchandising e turismo. Esse número equivale ao valor criado por todo o setor agrícola inglês. A Premier League é um extraordinário recurso cultural e uma fonte de soft power, uma marca tão conhecida como a BBC, as grandes universidades inglesas, ou a monarquia. O futebol, nomeadamente o investimento em infraestruturas e formação, permitiu a regeneração urbana, oferecendo oportunidades de atividade física a muitos jovens. Constitui ainda um poderoso antídoto contra o racismo.
Por cá, em vez de ver o futebol como isto tudo, vemo-lo ser tratado como um território de tribos e tribalistas. Este lado tribal tem graça desde que não seja extremado. E é-o muitas vezes. A polémica prevalece. Os dirigentes são estrelas. Falam muito e falam mal. E se, em vez deste statu quo, pensássemos o futebol como uma fonte de soft power?

