O futuro do trabalho será em qualquer lado

Já muito se escreveu sobre a pandemia e sobre os seus irrefutáveis efeitos negativos, que minaram a economia nacional (estimando-se uma queda só no ano passado de 7,6%), o mercado de trabalho, a saúde e o bem-estar emocional de todos nós, a atividade de inúmeras empresas e a sua liquidez, entre muitas outras áreas.

Cheios de perguntas sem respostas e perante algo totalmente inesperado e novo, muitas foram as organizações que tiveram – quase de um dia para o outro – de alterar totalmente o seu modus operandi e nunca a palavra “reinventar” fez tanto sentido. Reinventar a forma como comunicamos, como trabalhamos, como nos relacionamos, como orientamos, como delineamos… e como olhamos para o digital.

Há anos que se falava da premência da transformação digital do tecido empresarial e de todo o rol de benefícios que dai adviriam e eis que fomos desafiados por algo maior, que veio acelerar de vez e forçosamente todo este processo que, admitamos, para muitos era algo ainda longínquo.

Não se pense, no entanto, que os desafios foram então menores para as empresas de tecnologias, já que tudo passou a ser feito online.

A verdade é que, mesmo tratando a tecnologia por “tu”, estas empresas tiveram também elas de se adaptar a uma nova realidade e lidar com questões tão díspares como o distanciamento dos colaboradores e colegas, a relação de compromisso e confiança entre estes e a empresa, a ausência de contato humano, a motivação que – apesar da distância – tem de ser assegurada, assim como, todas as ferramentas de apoio que garantam que o trabalho e todos os procedimentos não saiam lesados.

E o que aprendemos? Que o caminho se faz através da aposta em novas estratégias e novas abordagens.

A liderança pode ser exercida de modo não formal e impositiva. Tem de ser criada uma dinâmica positiva de negócio. A comunicação com os colaboradores deve ser algo contínuo e sempre transparente. O espírito de equipa deve ser fomentado e a motivação de cada um deverá ser prioridade para as chefias. O mérito tem de ser reconhecido. A distância não pode ser impeditivo para dar mais responsabilidade às pessoas e a confiança é valor chave em toda a equação.

Estar em teletrabalho é muito mais do que ter em casa os recursos tecnológicos necessários para o trabalho remoto… há toda uma aprendizagem que tem de ser feita, seja ao nível da gestão do tempo e horários, da conciliação com a vida pessoal…sendo certo que a confiança depositada nos colaboradores que agora gerem o seu tempo em função da nova realidade que vivemos é determinante.

Mesmo que não queiramos, paira constantemente a questão: Quando é que tudo isto vai acabar e voltar “ao normal”? Todos queremos obviamente voltar a viver e conviver, sem medos nem restrições, mas a verdade é que tudo mudou e há que saber – pelo menos a nível profissional – reconhecer onde evoluímos e, por isso mesmo, não cair na tentação de voltar aos antigos hábitos.

Podemos e devemos: deixar que cada um faça a sua própria gestão de tempo, continuar a delegar trabalho, confiar em cada colaborador e nas equipas, reconhecer o mérito de cada um e destacar as vitórias. Penso que acabou o tempo das lideranças autoritárias, frias e distantes. Acredito antes em projetos com equipas envolvidas e próximas e que motivar individualmente contribui para o todo.

A premissa é que nunca mais nada vai ser igual, mas isto não é forçosamente mau.

Caminhamos para um sistema mais híbrido, mais flexível, menos rígido, mais dinâmico, mais humano até. Os escritórios serão mais colaborativos e menos tradicionais. E, apesar de tudo, claro que as equipas têm de estar próximas umas das outras, de forma a não se perder a cultura da empresa. A relação entre colaboradores e fornecedores é importantíssima, assim como a empatia que se cria. Porém, isto não tem de ser no horário X ou Y nem da forma que sempre foi.

O importante é estarmos todos na mesma missão, todos alinhados e não comprometer a excelência. Paralelamente, o bem-estar e satisfação dos colaboradores é igualmente imprescindível. No escritório, sentado à secretária? Em casa, à frente ao computador? Acredito que a resposta é que, desde que se garanta a continuidade da atividade diária e dos projetos, o futuro será em qualquer lado!


Por Luís Pires, Country Manager Tech Data Portugal

Artigos Relacionados: