O Grupo Simoldes está preparado para uma segunda vaga da COVID-19

A divisão de plásticos do Grupo Simoldes, com décadas de existência no mercado, nunca tinha recorrido ao layoff. Fê-lo no pico da pandemia porque produz para a indústria automóvel que parou, em absoluto, a sua atividade. Neste momento, a situação está a retomar a normalidade, já não têm ninguém em layoff e 75% dos seus trabalhadores já estão fisicamente na empresa. Os restantes 25%, estão a trabalhar remotamente, solução que a empresa está a pensar poder vir a implementar no futuro de forma mais permanente. A Líder falou com Paulo Bastos, diretor de recursos humanos do Grupo Simoldes, com 20 anos de experiência na área de gestão de pessoas, nunca tinha vivido uma realidade assim. Apesar de tudo, considera-se otimista, está preparado para uma segunda vaga da COVID-19 e acredita que a retoma pode ser lenta, mas surpreender a médio prazo.

Numa organização com a dimensão da Simoldes, como está a ser o impacto da pandemia no negócio?

Uma pandemia desta natureza tem afetado transversalmente as empresas e os seus negócios, na maioria de forma drástica. A indústria automóvel não é exceção, tendo sido forçada a parar completamente a sua produção durante um período de tempo significativo. O Grupo Simoldes – Divisão Plásticos, como empresa fornecedora para a indústria automóvel, também tem sentido uma quebra acentuada no negócio, embora se sintam alguns sinais de retoma, que será lenta mas que poderá surpreender a médio prazo. Tudo dependerá também da abertura do mercado em geral e da forma como evoluir esta pandemia.

Tiveram casos de COVID-19 na empresa? Como geriram essa situação?

Sim, tivemos inicialmente em março um caso que foi imediatamente acautelado; em conjunto com os médicos da empresa e a DGS, conseguimos rapidamente identificar a possível cadeia de contágio e isolá-la do resto da empresa, felizmente sem cadeia de transmissão. Ao dia de hoje (13 de julho), não temos nenhum caso identificado.

Recorreram ao layoff? Qual foi a reação dos vossos trabalhadores?

Infelizmente, fomos obrigados a recorrer ao layoff (apesar de tudo termos feito para o evitar) e o impacto nos colaboradores não foi tão negativo quanto o esperado. Como não podia deixar de ser, a empresa adotou uma postura de comunicação transparente, objetiva e aberta, apelando à compreensão de todos e ao esforço de cada um para mantermos os compromissos para com os clientes e assegurarmos a continuidade dos negócios. Os colaboradores entenderam que esta seria a única solução para manter os postos de trabalho e o compromisso social que assumimos com cada um desde o primeiro dia de trabalho. Atualmente, não temos nenhuma das empresas do Grupo Simoldes – Divisão Plásticos em Portugal em layoff.

Utilizam o teletrabalho? Em que termos?

Numa primeira fase, para responder de imediato à situação de emergência sanitária, a empresa decidiu colocar em regime de teletrabalho todos os seus colaboradores dos HQ e os colaboradores não diretamente ligados à produção, por tempo indeterminado, salvaguardando o cumprimento de serviços mínimos para a empresa sempre que aplicável; numa fase posterior (quando a evolução da situação melhorou…), os colaboradores passaram a trabalhar de forma rotativa em regime de home office e presencial. Neste momento, temos cerca de 75% dos colaboradores a trabalhar nas instalações físicas da empresa e 25 % dos colaboradores a trabalhar em home office (em funções onde é aplicável este regime e de forma rotativa dentro dos respetivos departamentos).

Considera que o teletrabalho, para as funções em que ele é possível, veio para ficar?

O Grupo Simoldes – Divisão Plásticos já aplicava o teletrabalho de forma pontual para funções compatíveis com esta modalidade de trabalho. Claro que o desafio por que a empresa passou, em que teve de alargar o universo de colaboradores a trabalhar a partir de casa, provou que é possível fazê-lo com eficácia e compromisso, cumprindo os objetivos da empresa. A capacidade tecnológica e digital da Simoldes, que disponibilizou ferramentas eficazes de trabalho remoto e de colaboração em equipa, foram determinantes para os bons resultados e a adaptação dos colaboradores ao teletrabalho. Acreditamos, porém, que a proximidade física entre colegas, bem como entre colaboradores e superiores hierárquicos, permite encontrar respostas mais rápidas e criativas aos desafios de trabalho e potencia o espírito de entreajuda, o trabalho de equipa, o sentido de pertença organizacional… Contudo, a empresa está a analisar a possibilidade de utilizar o teletrabalho de forma mais abrangente para funções compatíveis com esta modalidade de trabalho, no sentido de contribuir para uma melhor conciliação entre o trabalho e a vida pessoal dos seus colaboradores.

Como tem conseguido manter os níveis de motivação das equipas nestes tempos tão complexos?

Não tem sido uma tarefa fácil, mas com uma gestão e comunicação de proximidade, que muito nos caracteriza, os colaboradores sentem-se à vontade para falar abertamente sobre todos os assuntos que consideram importantes, o que nos ajuda a procurar respostas adequadas às suas necessidades e inquietações. Acima de tudo, os colaboradores sabem que fazem parte de uma família e que estamos ali para os ajudar. Esta cultura de proximidade, de abertura e de responsabilidade partilhada tem sido fundamental para manter os níveis de motivação de colaboradores e equipas. No fundo, trata-se de aplicar os valores por que nos pautamos: cumprir os nossos compromissos e confiar uns nos outros.

(…)

Entrevista a Paulo Bastos, Diretor de Recursos Humanos do Grupo Simoldes. Para Leitura integral, subscreva aqui.

 

Artigos Relacionados: