O líder Coach preditor e promotor da felicidade organizacional

Se nos questionarmos o que pode estar na base da felicidade quando trabalhamos nas organizações, talvez a resposta não esteja muito longe da identificação de uns quantos ideais, essenciais e que não apenas predizem, mas promovem a felicidade das pessoas nas organizações.

Alguns desses ideais são a autonomia de pensamento, a assunção da responsabilidade, o trato igualitário, a perceção de equidade e a liberdade de autocorreção. Perspetive-se como poderá ser o ambiente e a cultura organizacionais de uma empresa que assente a sua gestão nestes ideais. Como serão e estarão as pessoas dessa empresa? Cremos que pessoas que trabalhem numa organização que respeite e fomente estes ideais terão uma maior probabilidade de encontrar não apenas felicidade, mas também autorrealização e bem-estar.

Estes ideais têm na sua essência um estilo de liderança muito diferente dos estilos que vamos encontrando pelas empresas. Nas empresas, ao contrário do que seria de esperar, grassam estilos assentes nos princípios normalmente encontrados na chamada liderança paternalista e outras designações quejandas que atiram a liderança para a cauda dos investimentos da generalidade das organizações. Estes líderes paternalistas não promovem a autonomia e a autorregulação do comportamento dos liderados e procuram acentuar o seu poder pela criação de uma dependência emocional e profissional desses liderados. De facto, as organizações deviam investir mais na formação dos seus “chefes”, até porque se esses “chefes” fossem verdadeiramente líderes as organizações teriam certamente uma percentagem de conflitos desadequados muito inferior à que habitualmente têm e por outro lado as organizações teriam pessoas mais comprometidas e com maiores índices de felicidade. Atualmente quem trabalha nas organizações e deixando o argumento geracional à parte, tão em voga nos escritos, não quer ser tratado de modo paternalista.

Hoje, o mundo organizacional deve apontar para a autorresponsabilidade dos trabalhadores e consequente assunção, por um processo de autorreflexão, da necessidade de melhorar o desempenho. Neste caso será criada a oportunidade desses trabalhadores exercerem um dos mais importantes direitos de personalidade que assenta na liberdade de pensamento e de opinião, bem como na possibilidade de identificarem quais os comportamentos necessários à melhoria do seu desempenho pelo exercício do direito à autocorreção do comportamento. Por consequência, não nos parece que estilos de liderança paternalista possam promover estas oportunidades ou incentivar ao exercício destes direitos.

Parece-nos sim que por via de outros estilos de liderança e do incentivo ao exercício daqueles direitos, ficarão abertas as portas do bem-estar, da autorrealização e da felicidade dos seus trabalhadores e das organizações onde trabalham.

Um desses estilos pode e deve ser o estilo com base em técnicas de coaching. Este “estilo” implica uma liderança pela proximidade onde o líder questiona os liderados e promove a autodescoberta, pedindo “autofeedback e autofeedforward” do desempenho, criando também nos liderados uma perceção de equidade, um ambiente de serenidade, liberdade e autonomia, potenciado o crescimento da sua maturidade emocional.

Com a liderança pela proximidade os líderes coach lançam as sementes da confiança mútua e das relações de parceria e comprometimento. Nestas relações em que o Bom-Trato e o respeito máximo pelo Princípio da Autocorreção do Desempenho sejam ferramentas de liderança diária, serão criadas as raízes do bem-estar, da autorrealização e da felicidade nas organizações. Pois para além das festas, dos fringe benefits e das medidas de salário emocional, há que promover o crescimento emocional dos liderados pela autorresponsabilidade e pela liberdade da autorregulação do comportamento que funcionarão como vias essências da criação da felicidade organizacional.


Por António Paulo Teixeira, consultor de RGPD, Liderança e Gestão de Pessoas

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