“O movimento Black Lives Matter é uma oportunidade”

Há quem se sinta otimista e entusiasmado com o momento que vivemos. Entre os apoiantes do movimento anti-racista Black Lives Matter, há quem veja uma oportunidade e portas a abrirem-se. É o caso de Daisy Onubogu, umas das convidadas do webinar sobre raça e identidade promovido pelo think tank House of Beautiful Business, uma comunidade que acredita que “os humanos podem ser mais humanos e os negócios mais bonitos.”

Onubogu contou que se sente exausta, mas, ainda assim, com uma esperança e energia que conduzem à ação. «De certa forma estou entusiasmada com este momento porque hoje há mais pessoas a falar de racismo sistémico» defendeu a responsável pelo fundo de capital de risco Backed, com sede em Londres e que diz investir «num novo espírito de empreendedorismo.» Na sua opinião, «o movimento “Black Lives Matter” é uma oportunidade» porque estamos agora, mais do que nunca, a entender como estas questões são sistemáticas.

Quem é responsável? «Todos os setores de atividade têm grande responsabilidade» e cada um de nós é responsável na medida em que «todos temos um certo nível de poder e influência.» Para a ativista dos direitos humanos «devemos perguntarmo-nos como usar o nosso poder para fazer frente às injustiças.»

Questionada por Monika Jiang, responsável pela área de Conteúdos e Comunidade da House of Beautiful Business, sobre um artigo que escreveu para a Medium, que começa com «dear allies», a autora explica que é uma carta para os aliados brancos e não-negros, «neste momento de foco na injustiça racial anti-negra». Contudo, acrescenta que o artigo dirige-se a todos, «porque há várias lutas contra a injustiça e estamos todos fora do grupo dos aliados em algum lugar.»

O que te fez escrever este texto? «É uma carta às pessoas de que mais gosto e aos meu colegas, assente no princípio dos direitos humanos, do que é a injustiça e do antirracismo.» Cresceu na Nigéria e na Irlanda, no seio de duas culturas díspares, e reconhece que tem uma profunda consciência da sua «multitude de identidades».

Formas de combate na causa da Diversidade
O evento online, que decorreu esta semana na plataforma Zoom, juntou também Roshni Goyate, co-fundadora da The Other Box, uma organização que desafia as empresas a lidarem com a diversidade e a inclusão; e Emilia Roig, fundadora do Center for Intersectional Justice, uma organização sem fins lucrativos que trabalha sobre as políticas anti-descriminação e igualdade na Europa.

A questão de arranque foi lançada por Tim Leberech, co-fundador da House of Beautiful Business: como podemos ser aliados e apoiar a inclusão e a diversidade?

A forma de Roshni Goyate contribuir para esta causa é através da empresa que cofundou, a The Other Box. Além de uma comunidade dinâmica, o seu core business são os cursos nas empresas sobre vários temas, como liderança inclusiva e inteligência emocional.

“Ensinamos as empresas a serem mais inclusivas”, diz, indicando que tem clientes importantes como a Google, a Monzo, e o próprio NHS. Os cursos são interativos e projetados para orientar os participantes a identificar e questionar os seus próprios preconceitos inconscientes.

A desigualdade estrutural e a discriminação na Europa é um dos temas que mais preocupa Emilia Roig. Todo o seu trabalho na organização sem fins lucrativos que fundou em Berlin está orientado para o exercício da influência do discurso público e do impacto na formulação de políticas por meio de advocacia, pesquisa e aconselhamento. Além disso, quer ter uma palavra a dizer por meio de publicações sobre discriminações intersetoriais com base na raça, género, classe e todos os outros sistemas de opressão que sustentam a desigualdade.

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