O que podemos aprender com Susan Sontag, segundo o seu biógrafo e vencedor de um Pulitzer

A escritora americana Susan Sontag, falecida em 2004 com 71 anos, foi, ao longo do seu percurso, endeusada e incompreendida, elogiada e odiada. Deixou um legado de literatura sobre arte e política, feminismo e homossexualidade, fascismo e comunismo – para muitos um contributo indispensável à cultura moderna.

Na visão do seu biógrafo Benjamin Moser, autor de Sontag: Her Life and Work, obra que lhe atribuiu o Prémio Pulitzer em 2020, Sontag é uma escritora que representa como ninguém o século XX americano. Na sua obra retrata a ensaísta como uma das intelectuais mais importantes pela escrita e pensamento radical, ativismo público e vida privada pouco conhecida. Explora a angústia e as inseguranças por trás da charmosa pessoa pública.

Moser foi o convidado especial do último webinar do think tank House of Beautiful Business, em que se falou sobre o que podemos aprender com as lições de vida da escritora, numa altura em que estamos a reexaminar o capitalismo e a reformular as nossas economias em plena crise pandémica.

Sontag foi uma das primeiras a escrever um ensaio na revista americana New Yorker depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, argumentando que os ataques eram “consequência de ações específicas dos Estados Unidos da América.” Foi por essa razão que começou a ser rotulada como antipatriota e traidora. Nos EUA transformou-se ainda num alvo por ser dura a criticar a invasão do Iraque, os meios de comunicação americanos e a política de Israel em relação aos palestinianos.

Durante a palestra no Zoom na semana passada, Moser contou que dedicou sete anos da sua vida a explorar diários e arquivos privados da escritora e a fazer centenas de entrevistas. Apaixonado por poder mergulhar a fundo nos detalhes da vida de um dos seus ídolos, como explicou, assume que a história de vida publicada é a sua interpretação, mas que apenas escreve aquilo que possa contribuir para entendermos a pessoa na sua totalidade.

“Este é um livro sobre como olhar para as coisas”, destaca o autor que foi convidado pela família de Sontag para lançar mais uma biografia sobre a escritora. “Ela era extraordinária e uma diva”, disse ao ser entrevistado por Tim Leberecht e Morgwn Rimel da House of Beautiful Business numa sessão acompanhada pelo músico residente Benjamin Schlez com o seu mais recente projeto, Tandberg.

Sontag leva-nos a perguntar: o que está a acontecer? Que papel tem a arte, a política, a sexualidade, a guerra, a posição da mulher na sociedade de hoje? Não só questiona como ajuda a encontrar as respostas.

“Aprendi muito com ela sobre cinema, literatura, história e até fotografia”, disse Moser. Para quem tiver interesse, está tudo nas mais de 700 páginas de texto e quase 100 imagens do livro Sontag – Vida e Obra, na edição portuguesa editada pela Companhia das Letras.

O nome de Benjamin Moser começou a ser conhecido devido à sua biografia sobre Clarice Lispector, escritora ucraniana naturalizada brasileira. A obra Why This World: A Biography of Clarice Lispector foi finalista do National Book Critics ‘Circle Award e considerada notável pelo New York Times, em 2009. Depois de ter publicado Clarice, uma Biografia, para indicar a edição portuguesa também editada pela Companhia das Letras, em 2009, ficou responsável pela obra desta escritora nos Estados Unidos da América.

 

 

 

 

 

 

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