Em 2025, a imigração internacional continuou a ser uma das histórias económicas mais influentes do mundo. Países desenvolvidos enfrentam envelhecimento populacional, falta de trabalhadores e uma necessidade crescente de talento global — e os imigrantes, por sua vez, procuram melhores condições de vida e oportunidades laborais.
Dados recentes do International Migration Outlook 2025 da OCDE mostram que, após a entrada no mercado de trabalho, os rendimentos dos imigrantes crescem de forma muito diferente consoante o país.
A Líder analisou os dados e os rendimentos médios reais dos imigrantes no primeiro e no quinto ano após chegada. Isso ajuda a entender para onde eles vão e quanto progridem economicamente depois de se estabelecerem.
Noruega: landing alto, mas crescimento moderado
Na Noruega, o sonho começa bem literal: os imigrantes começam com rendimentos médios muito altos — cerca de €50.530 no primeiro ano — mas o crescimento ao longo de cinco anos é relativamente modesto, de cerca de +14%. Isto significa que, num mercado já favorável, existe menos espaço para um salto salarial dramático quando comparado com outros destinos.
Porquê este padrão? A economia norueguesa paga bem desde o início, sobretudo em sectores como energia, marítimo e tecnologia, mas isso também pode significar que os salários já estão próximos do teto salarial local, deixando menos margem para progressão rápida.
Dinamarca: boa base e progressão estável
Na Dinamarca, o valor inicial dos rendimentos dos imigrantes já é alto (cerca de €32.090), e o crescimento ao longo de cinco anos situa‑se em +23%. Isso reflete um mercado robusto e políticas de integração laboral que permitem progressão salarial sustentável após os primeiros anos de experiência.
Nova Zelândia: onde o crescimento diminui com o tempo
Nova Zelândia surpreende negativamente: embora os imigrantes entrem com rendimentos relativamente elevados (€40.700), ao fim de cinco anos esses rendimentos caem para cerca de €38.430, representando um decréscimo de 6%. Este padrão sugere que a economia local e o mercado de trabalho não conseguem absorver plenamente as capacidades adquiridas, ou que existam barreiras na progressão salarial para estrangeiros.
Estados Unidos: o “Hustle Pays Off”
Nos Estados Unidos, o peso histórico como principal destino migratório global traduz‑se também em crescimento salarial substancial: de cerca de €23.170 no ano 1 para €33.150 no ano 5, ou +43%. Este aumento robusto reflete um mercado dinâmico, onde experiência local e mobilidade sectorial permitem ganhos rápidos e consideráveis para quem se integra com sucesso.
Canadá: crescimento continuado, mas menos exponencial
No Canadá, os imigrantes veem os seus rendimentos saltarem de €25.000 para €31.860 num período de cinco anos, ou +27%. Isto mostra um mercado estável com boas oportunidades de progressão, embora menos agressivo do que nos EUA ou Alemanha.
Alemanha: campeão do crescimento salarial
No topo do ranking do crescimento está a Alemanha, onde os rendimentos médios dos imigrantes crescem cerca de 48% em cinco anos — passando de €14.370 para €21.330. Este padrão sugere duas coisas: um mercado de trabalho que recompensa a experiência adquirida e uma economia que valoriza a integração gradual dos trabalhadores estrangeiros em sectores bem pagos.
Holanda: onde o progresso estagna
Assim como a Nova Zelândia, os imigrantes na Holanda enfrentam um cenário estranho: após uma entrada salarial decente (aproximadamente €22.470), os rendimentos caem para €21.000 ao fim de cinco anos, ou ‑6% — uma indicação de que oportunidades de ascensão salarial são limitadas ou bloqueadas por vários fatores de integração.
Suécia: crescimento forte e sustentado
A Suécia apresenta um crescimento forte (+44%): cerca de €13.470 no ano 1 para €19.350 no ano 5. Este desempenho é um dos melhores da Europa e mostra que o mercado sueco, apesar de salários iniciais mais modestos, permite progressão consistente ao longo dos primeiros anos de carreira no país.
França: crescimento moderado
Em França, os imigrantes veem os seus rendimentos crescer +19% em cinco anos, de cerca de €16.010 para €19.090. O mercado francês oferece integração salarial moderada, apoiada por proteções laborais fortes, embora nem sempre traduzida em ganhos rápidos.
Itália: subida significativa, mas ainda limitada
A Itália mostra crescimento de cerca de 29% nos rendimentos de migrantes ao longo de cinco anos, de €12.590 para €16.280 — um sinal de oportunidades de subida, embora com salários de base mais baixos do que a média europeia ocidental.
Espanha: progressão igual ao Canadá
Na Espanha, o crescimento salarial dos imigrantes ao longo de cinco anos ronda os +27% (de €12.090 para €15.390), semelhante ao padrão do Canadá — um mercado que recompensa a duração de estadia e experiência local, embora com salários de base relativamente modestos.
Áustria: crescimento positivo, mas moderado
Na Áustria, os rendimentos médios dos imigrantes crescem cerca de +21% ao longo de cinco anos, de €8.980 para €10.840 — um sinal de aproximação estável ao mercado laboral, embora num nível salarial mais baixo comparado com Europa Ocidental tradicional.
Portugal: o destino com menor crescimento salarial
No fim da lista está Portugal, onde o crescimento salarial médio dos imigrantes num período de cinco anos é cerca de +17%, passando de aproximadamente €7.860 para €9.200. Embora positivo, este crescimento é dos mais baixos entre os países analisados — reflexo de salários iniciais mais baixos e de um mercado de trabalho com progressão salarial menos dinâmica.
Mas isto não tira o papel crucial dos imigrantes na economia portuguesa: estudos recentes mostram que sem imigração, a mão de obra em Portugal teria até diminuído nos últimos anos — um sinal claro de que o crescimento económico depende fortemente dos fluxos migratórios.
Como interpretar estes dados?
Mercados de entrada alta e crescimento lento como Noruega oferecem estabilidade salarial desde o primeiro ano — bom para quem quer segurança imediata.
Mercados de ascensão como Alemanha e EUA mostram que a experiência local paga dividendos e oferece mobilidade salarial grande.
Mercados de declínio ou estagnação como Nova Zelândia e Holanda indicam que oportunidades de progressão podem ser menores do que aparentam à chegada.
Países e oportunidades em 2026
Ao olhar para o sonho do imigrante em 2025, percebemos que não existe um único destino perfeito — existe, sim, um espectro de oportunidades:
Alemanha e EUA emergem como os destinos onde o trabalho pode pagar melhor ao longo do tempo.
Suécia e Dinamarca mostram mercados laborais saudáveis e progressivos.
Noruega oferece estabilidade salarial desde o início.
Nova Zelândia e Holanda levantam importantes questões sobre integração salarial a longo prazo.
Portugal, ainda que com crescimento salarial moderado, demonstra que os imigrantes são essenciais para sustentar a força laboral e o crescimento económico — mesmo que a progressão salarial precise de políticas mais fortes de reconhecimento de competências e mobilidade interna.


