“Nem todas as mudanças causadas pela pandemia são negativas”, diz CEO da Odgers Berndtson

A pandemia da COVID-19 deve ser o acontecimento mais perturbador da história moderna. Cerca de um terço da população mundial está atualmente sob algum tipo de quarentena. Quase da noite para o dia, mais de cem milhões de americanos pararam de trabalhar ou começaram a trabalhar em casa; dez milhões entraram no desemprego nas últimas duas semanas de março; outros 6,6 milhões passaram à prateleira na primeira semana de abril. No segundo trimestre de 2020, outros 20 milhões de empregos tendem a desaparecer.

Mesmo se diminuirmos a taxa de novos casos da COVID-19, conseguirmos levar as pessoas ao trabalho em breve e obter uma recuperação significativa, a desaceleração económica deverá ser mais grave do que qualquer outra nos últimos 60 anos. Mas nem todas as mudanças causadas pela pandemia são negativas.

Tal como outros grandes eventos perturbadores – a crise do petróleo de 1979, o ataque às Torres Gémeas nos EUA a 11 de setembro de 2001 ou a crise financeira de 2008 – a COVID-19 fez com que alterássemos completamente o que sabemos sobre o risco.

Após décadas a deslocalizar postos de trabalho para fora dos EUA, “as cadeias de abastecimento, como a indústria farmacêutica, devem sentir-se social e fiscalmente irresponsáveis”, defende Steve Potter, CEO da Odgers Berndtson nos EUA, empresa que presta serviços na área da liderança, executive search e gestão do talento.

Na sua opinião, “o exame minucioso aos riscos decorrentes das pandemias mudará para sempre as cadeias de valor, diminuindo a dependência de fábricas estrangeiras e trazendo milhões de empregos da indústria para o país.”

Essa mudança levará à adoção generalizada de tecnologias avançadas de produção e impulsionará outras inovações à medida que as empresas passem a usar a automação para compensar os custos mais altos da mão-de-obra doméstica.

Ao mesmo tempo, centenas de milhões de americanos começaram a trabalhar de casa, compram a partir de casa, e estudam a partir da sua sala de estar. Esta mudança levará a alterações profundas no comportamento do cliente, colaborador e organização.

Não é claro quando é que a crise da saúde passará ou como será o mundo quando isso acontecer. Segundo algumas projeções, a economia dos EUA recuperará ainda este ano; de acordo com outros não atingirá o seu novo normal até 2023. “Mas, independentemente de levar seis meses ou três anos, é hoje evidente a necessidade de levar a cabo uma reestruturação da sociedade”, finaliza Steve Potter.

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