ONU apela à acção dos líderes através da SDG Ambition

Mesmo antes da pandemia começar, em janeiro de 2020, a ONU já tinha delineada a sua nova estratégia para colocar as empresas mais próximas da realização dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), afirmou Lise Kingo, a responsável pela área de negócios sustentáveis da ONU, na conferência para líderes integrada na Global Compact da ONU que celebra 20 anos de existência este ano. Os 17 Sustainable Development Goals (SDG) em inglês foram definidos em 2015 pela ONU e tinham um horizonte temporal de 15 anos, portanto deveriam ser atingidos até 2030.

Com a SDG Ambition pretende-se acelerar, desafiar e apoiar as empresas participantes do Global Compact a estabelecerem metas corporativas ambiciosas alinhadas com os ODS. No fundo, é uma forma de dizer aos CEO: não percam tempo e acelerem o processo de integração dos objetivos no core business das empresas e na gestão do desempenho.

Ao entrevistar Julie Sweet, CEO da consultora Accenture – uma das entidades parceiras da nova iniciativa em conjunto com a software house alemã SAP -, a responsável pela área de negócios sustentáveis da ONU explicou que esta nova ambição da ONU pretende apoiar e guiar as empresas a definir “o novo normal”. É que, para si, os modelos de negócio e contratos sociais que temos hoje deixaram de funcionar.

Com a SDG Ambition as Nações Unidas querem que as empresas sejam ambiciosas, indo além do progresso incremental, avançando para mudanças realmente transformadoras – gerando valor comercial, criando resiliência empresarial e permitindo crescimento a longo prazo.

Através das redes locais do Global Compact em mais de 60 países, as empresas participantes avaliarão o desempenho atual, identificarão áreas de risco, descobrirão novas oportunidades e tomarão ações ambiciosas para alcançar os ODS.

A necessidade da SDG Ambition é clara: o mundo não está a progredir em direção aos ODS no ritmo e escala necessários. Embora ainda seja possível mudar o mundo para evitar que a temperatura do planeta suba mais de 1,5 °C e alcançar os ODS até 2030, serão necessárias ações urgentes, escaláveis e com várias partes interessadas em sintonia para acelerar drasticamente o progresso.

Na área das ações para reduzir o aumento de temperatura do planeta, as mais de 10 mil empresas que estão inscritas no Global Compact da ONU estão a ser incentivadas a fortalecer os seus compromissos na questão da redução das emissões de gases de efeito estufa.

Muitas comprometeram-se a reduzir as emissões de carbono para a atmosfera e, no âmbito do “Acordo de Paris”, manter o aumento da temperatura global em não mais do que 2 °C. Porém, estudos científicos mostram que isso pode não ser suficiente para evitar um desastre e que as consequências de até 1,5 °C serão severas.

Lise Kingo quer que as empresas revejam os seus planos de negócios para reduzir a emissão de carbono, de acordo com a meta de 1,5 °C. “Precisamos ver a liderança a funcionar para impulsionar essa meta”, disse a diretora executiva do Global Compact.

Um estudo da ONU preparado para a edição deste ano do Global Compact concluiu que apenas quatro em cada 10 empresas tinham metas que lhes permitiam atingir os ODS até 2030, e menos de um terço considerava que o seu setor estava a agir com rapidez suficiente.

Enquanto 84% das empresas participantes do Global Compact disseram que estavam a tomar medidas quanto às metas, apenas menos da metade estava a incorporar essas metas no seu core business, e 37% procurava definir os seus modelos de negócios para dar resposta às metas.

Numa coisa vários oradores estiveram de acordo: as empresas devem assumir uma posição clara e demonstrar uma liderança ousada para transformar modelos de negócios e tornarem-se mais justas e inclusivas – não deixando ninguém para trás.

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