Os 150 anos de Alfredo da Silva

Tem sido um tema habitual desta coluna: as boas sociedades encontram um equilíbrio dinâmico, e por isso instável e contestado, entre as forças das empresas, do Estado e da sociedade civil. Num país tão dependente do Estado as empresas são olhadas com desconfiança. Perguntemos: sem boas empresas como são criadas a riqueza e os bons empregos que permitem ao Estado cumprir as suas funções distributivas e às pessoas viver melhor? De onde vem essa riqueza? Do Estado? No seu melhor, o Estado cumpre um papel fundamental, criando condições para a competição justa e para uma destruição criativa com cuidado pelas pessoas.


Mas o Estado precisa de empresários como Alfredo da Silva, o fundador do Grupo CUF. Agora que passam 150 anos sobre o seu nascimento, e que decorre um programa de comemorações, aproveite-se a oportunidade para refletir sobre o papel dos empresários. Vale a pena olhar o programa de comemorações, fazer uma visita ao Museu Industrial da Baía do Tejo, no Barreiro, e ler Alfredo da Silva e a CUF. Liderança, empreendedorismo e compromisso, de José Manuel Sardica (Principia).

E vale a pena considerar que os países, incluindo o nosso, precisam de se preocupar com os trabalhadores, mas também com os seus bons empresários. Estes devem ser alvo de admiração e gratidão, esses homens e mulheres que criam e comandam os negócios de que vamos necessitar para responder aos grandes desafios de desenvolvimento sustentável. Dos outros, que destroem valor ao desvirtuarem a lei e a competição, deve-se ocupar o Estado. Se as sinergias Estado-setor privado existirem, admiraremos mais o Estado e os empresários. Sem elas sofrem uns e os outros.

Declaração de interesses: o autor é titular da cátedra Fundação Amélia de Mello na Nova SBE e membro da comissão de comemorações dos 150 anos de Alfredo da Silva.


Por Miguel Pina e Cunha, diretor da revista Líder

 

Artigos Relacionados: