Os filhos de Apollo

Em 1962, num dos discursos mais famosos de todos os tempos, o Presidente Kennedy convenceu o povo americano da importância de ir à Lua antes do final da década. Em julho de 1969, a missão Apollo 11 aterrou com sucesso na Lua. Hoje vemos esse discurso como um dos exemplos mais fortes de visão, determinação e um exemplo da era de ouro da América.

O programa Apollo, ao todo, gastou 200 mil milhões de dólares (aos valores de hoje). Este é um preço muito baixo a pagar pelo retorno altamente positivo de que ainda beneficiamos hoje. Há vários estudos de economistas sobre este impacto, e o retorno sobre o investimento mais comum é de sete dólares para cada dólar gasto, ao longo de dez anos.

Hoje não há discussão: da esquerda à direita, este programa foi um sucesso surpreendente e estabeleceu os EUA como líder mundial.

Houve outro efeito colateral que é muito relevante: a geração que cresceu nos anos 60 foi profundamente inspirada por este feito e viu milhares de alunos quererem seguir carreiras nas áreas da ciência e tecnologia. A idade média da missão de controlo de Houston quando aterrámos na Lua era de apenas 26 anos. Após o programa, esses profissionais saíram para adicionar ainda mais valor à economia mundial. Esses milhares de indivíduos inspirados, otimistas e voltados para a ciência são agora chamados de “Os Filhos de Apollo”.

Recentemente, Ursula von der Leyen, Presidente da Comissão Europeia, fez um discurso sobre o Estado da União Europeia que lançou as bases para um plano de recuperação que pretende tornar a Europa líder mundial em diversas áreas como a biotecnologia, energias renováveis, tecnologia e até nos valores democráticos. No total, a Europa investirá 880 mil milhões de dólares. Isso mesmo: daria para mais de quatro Programas Apollo. Só na frente digital, há um plano de gastar cerca de 177 mil milhões de dólares.

Esta é uma grande oportunidade com as bases certas e, apesar de não ter a visão aspiracional e tangível de aterrar num corpo celeste, tem escala para produzir uma nova era dos Filhos da Europa.

A Europa, porém, tem uma tradição muito sofrível em ter uma mensagem clara e forte por trás de uma meta ambiciosa. E isso é mais importante do que nunca.

[O artigo foi publicado na edição de outubro de 2020 da revista Líder]


Por Daniel Araújo, Curador 20/21, Global Shapers Lisbon Hub

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