Os novos líderes: iguais, mas diferentes

Precisamos de recalibrar o conceito de liderança para os tempos que vivemos e que hão- de vir. Nada será como antes! Isto é uma evidência.

A pandemia veio “obrigar-nos” a repensar tudo e, no que respeita às organizações, a reequacionar o seu modelo de hierarquia. Assistimos hoje a novas lideranças de quem não está no topo da pirâmide, caso de: enfermeiros, médicos, paramédicos, jornalistas, polícias, trabalhadores de limpeza e recolha do lixo, bombeiros, farmacêuticos, agricultores, motoristas, funcionários de supermercados, entre muitos outros. Estes sim, têm sido verdadeiros líderes e com grande impacto na vida de todos nós.  Ou seja, se estivermos todos unidos, motivados, a concorrer para o mesmo objetivo, somos mais fortes e os resultados aparecem.

O mesmo se aplica a uma organização. Os modelos de liderança baseados em hierarquias rígidas e silos acabaram há muito tempo. O mundo mudou, nada é previsível, e a Gestão de Pessoas terá de mudar também. Afinal, elas são o ativo mais valioso de qualquer organização. Sem o seu contributo não há conteúdo para elaborar relatórios & contas.

Ou seja, mais do que eficiência, precisamos de resiliência e adaptabilidade e isso implica confiança nas equipas, pois as pessoas bem motivadas e conduzidas vão acabar por se superar e surpreender!

Os líderes têm que se focar na pessoa, no processo de personalização, queimando modelos padronizados ou, claro, tentando fazer o melhor equilíbrio possível entre ambos. Porque transparência, autenticidade e vulnerabilidade não são fragilidades, são soft skills que os novos líderes devem dominar e potenciar em benefício dos projetos em curso e do sucesso das suas empresas.

O ser humano é dotado de várias competências e conhecimento. Só precisa de uma liderança visionária, inspiradora, mobilizadora, que defina as regras e aponte o caminho. Uma liderança que saiba distinguir e reconhecer quando necessário, mas que também saiba corrigir assertivamente.

Hoje, a liderança é quebrar barreiras e dar às pessoas a liberdade de criar oportunidades inéditas para elevar sua própria capacidade e, logo, a capacidade da organização.

Ou seja, os líderes precisam de ter um pensamento evolutivo. Sem estratégia, a mudança será meramente substituição.

Em suma, mais do que nunca a liderança deve ser inspiradora, mobilizadora, empática, observando e acompanhando equipas, principalmente aquelas cujas tarefas são muitas vezes esquecidas. Porque o resultado e a eficácia do gestor depende da qualidade do desempenho dos colaboradores. Por isso, o líder deverá ser muito relacional, não pode “tropeçar” no seu sucesso. Tem de saber resgatar da sua equipa o que de melhor ela tem com um sentido de propósito para a organização! Com esta atitude conseguirá que as pessoas estejam comprometidas com a organização, num modelo de valores, regras e consequências.

Se o momento agora exige que as empresas se reinventem, tal só será possível se estiverem criados sistemas que se concentram na inclusão e no poder da capacidade individual.

Como dizia Kant, talvez o mais relevante filósofo da era moderna, trata-se de mobilizar tudo aquilo que não tem preço: a dignidade em grande escala.


Por Carla Guedes, especialista em Comunicação Corporativa

 

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