“Os Recursos Humanos são o fator mais crítico para o sucesso das empresas”, Pedro Siza Vieira no Encontro de Conselheiros da Leadership Summit Portugal

Após um interregno de um ano, o Conselho Estratégico da Leadership Summit Portugal voltou a reunir-se presencialmente, na passada sexta-feira, dia 17, no JNcQUOI Club, contando com a presença de Pedro Siza Vieira, Ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, cuja intervenção, durante o encontro, está disponível no site da Líder TV e também no MEO #165 e na NOS UMA Apps.

Lançando o mote para a Cimeira deste ano, sob o tema “Back To Politics – Um novo rumo para o Planeta, para a Democracia e para a Humanidade”, a realizar-se no próximo dia 28 de setembro no Casino do Estoril, o Conselho estratégico da Leadership Summit Portugal, constituído por figuras de proa de empresas e organizações diversas, continua o seu papel de partilha de conhecimento e reflexão sobre a atualidade e futuro do tecido empresarial português e desenvolvimento de conteúdos e temáticas da revista Líder e da Cimeira.

A intervenção de Pedro Siza Vieira serviu para refletir sobre o momento que o país está a atravessar e marcar as principais tendências para o futuro da economia em Portugal. Na sua visão, a “Pandemia está relativamente controlada” na Europa, destacando a forma bem sucedida como Portugal superou esse período crítico, e de o ter feito, do ponto de vista económico e social, de uma forma “bastante melhor do que se previa”. Nas suas palavras, “a capacidade produtiva da economia, europeia e nacional, está quase incólume”, reforçando o papel do Estado no apoio às famílias e às empresas. “Sabemos que não está tudo bem, e alguns setores sofreram mais com a crise e por isso, a retoma está mais lenta”, afirma, contudo, a economia em termos macro “está razoavelmente bem”.

Prova disso é o crescimento do país no 2º trimestre de 2021, o segundo maior em cadeia de toda a União Europeia (EU), com o número mais elevado de pessoas empregadas em julho, e as exportações de bens em 2021 já com níveis acima de 2019. Outro indicador que demonstra o movimento de retoma é a capacidade de atração de investimento direto estrangeiro que ganhou quota de mercado em relação a outros países europeus. O ministro realça que no ano de 2020, Portugal foi o “nono destino de investimento direto estrangeiro de toda a UE.” Tal propensão faz com que por toda a Europa se estejam a rever em alta as projeções económicas, e mesmo em Portugal os sinais do 3º trimestre mostram que o crescimento do PIB, previsto em Abril de cerca de 4% para 2021, leva a crer que “há razões para estarmos confiantes que será mais forte do que isso”.

Mas o Ministro também fala das dificuldades que o país está a sentir, nomeadamente no setor do turismo, mas onde mostra confiança pelos sinais em que, apesar do profundo abalo causado pela Pandemia, Portugal já é “o segundo destino da Europa do Sul com mais valor captado de visitante estrangeiro”, sendo uma “marca líder do ponto de vista da procura internacional de turismo”. Outras questões que afetam o tecido económico e social no país, e que dificultam a retoma mais rápida, passam pela escassez e custo elevado de matérias-primas, “os aumentos brutais do preço da energia elétrica” e aquilo que o Ministro refere como um “problema imediato e estrutural” que é o da escassez de mão-de-obra e Recursos Humanos (RH) disponíveis e qualificados.

Estes fatores, que provocam um peso no vigor da retoma económica imediata refletem uma outra questão fundamental que é a da “dependência estratégica da Europa”, ou seja, a falta de autonomia estratégica da UE que acredita ser politicamente um tema muito importante nos próximos tempos.

Aliás, sobre a questão da retoma, Pedro Siza Vieira refere que o crescimento da economia portuguesa só acontece com a atuação do Governo na tomada de medidas concretas e práticas de apoio, alívio fiscal, incentivos à inovação e qualificação dos RH. Conforme referiu, “os Recursos Humanos são o fator mais crítico para o sucesso das empresas”, tal como a procura e retenção de talento, a qualificação, e as questões salariais, frisando as remunerações baixas que, consistentemente, são praticadas em Portugal.

Para o futuro prevê-se um “crescimento económico muito forte no mundo ocidental”, nomeadamente do consumo em que há uma “procura reprimida” à espera de ter condições para voltar a recuperar e uma “abundância de liquidez disponível”.

O grande desafio é, na sua perspetiva, o tema do combate às alterações climáticas, as exigências em termos de descarbonização e economia circular, com a meta de até 2030 reduzir até 55% as emissões de GEE, em comparação com 1990. Sobre isso “não vale a pena discutir a questão da realidade das alterações climáticas e sequer questionar, do ponto de vista político, se as decisões devem ser tomadas ou não”, aliás elas “são positivas mas colocam desafios muito grandes às economias”, afirma o Ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital. Já nas notas finais da sua intervenção, e com um apontamento de positivismo sobre o futuro do país, conclui “tenho noção que a economia portuguesa tem uma oportunidade de prosseguir um movimento de transformação estrutural”.

 

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