Os seis pilares essenciais que definem uma cidade inteligente, segundo Miguel Pinto Luz

Miguel Pinto Luz, vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais, esteve ontem, no âmbito da Pós-Graduação de Branding Territorial, da Coimbra Business School, a dar uma masterclass sobre smart cities, partilhando a sua experiência de muitos anos ao serviço daquele município. As tecnologias permitiram que mais de 1400 pessoas pudessem assistir à masterclass.

O recurso às novas tecnologias e a digitalização têm sido algumas das estratégias postas em prática pelo concelho de Cascais. Segundo Miguel Pinto Luz: “Cascais posiciona-se como uma smart city desde a sua criação, há mais de 650 anos, e como uma terra de “early adopters” e, por isso, a experimentação de novas soluções tecnológicas tem sido uma bandeira do concelho, que tem já cerca de um milhão de sensores instalados e dispõe de um Centro de Operações preditivo. No entanto, de nada vale ter uma cidade inteligente, se não tivermos uma missão a dar aos nossos colaboradores, concidadãos e a quem nos visita – fazer de Cascais o melhor local para viver. E para nós, o envolvimento de todos é uma condição essencial para o sucesso. “

A tecnologia apesar de ser estratégica para Cascais e de este ser um concelho que tem feito investimentos significativos nesta área, não exclui a importância da dimensão humana, sendo absolutamente relevante o envolvimento de todos.

O mundo está a mudar e as cidades também, segundo Miguel Pinto Luz. “As mudanças de paradigma das cidades obrigam a esta constante busca por soluções inovadoras. “

Mas o que significa verdadeiramente uma smart city? Para o vice-presidente há “seis pilares essenciais: Smart Living, Smart Governance, Smart People, Smart Mobility, Smart Economy e Smart Energy & Environment. E procuramos ter respostas em todas estas áreas. Com uma certeza, é preciso garantir que temos os stakeholders certos e mobilizados, que existe um espírito dentro da autarquia relativamente flexível e com vontade de aderir a estas novas tecnologias que estão ao dispor de todos e que estamos abertos ao risco e não temos receio de ser um campo de experimentação.“

Mas Miguel Pinto Luz não deixou nunca de frisar que a “prioridade para Cascais são os cidadãos, e se a tecnologia vier resolver os problemas dos cidadãos e vier dar melhor qualidade de vida, então a tecnologia é uma prioridade para Cascais. Nós não entendemos a tecnologia como um fim em si mesmo, o fim é o bem-estar dos munícipes, não somos viciados em gadgets. Gostamos de gadgets, mas os gadgets ou a tecnologia que resolvem problemas dos cidadãos. É esse o nosso posicionamento e daí não fugimos.”

Se os tempos são outros, se as cidades também são outras, a vida está necessariamente a mudar. “A vida nas cidades é, como todos sabemos, bastante movimentada e preenchida. O tempo passou, por isso, a ter um valor que até há uns anos não tinha. Essa valorização veio exigir da mobilidade uma outra eficácia e alterou, também, a forma de comércio. Obrigou cada cidade a pensar e a tornar-se inteligente“, frisa Miguel Pinto Luz. Dando seguimento ao raciocínio: “Se nos anos 90 a moda era criar grandes superfícies em zonas periféricas, hoje a tendência é inversa. Há uma procura, cada vez maior, pelo comércio de proximidade e pelas compras online. Com isto, as cidades passaram a ter um novo problema, a circulação de mercadorias em zonas centrais, por exemplo. Para evitar que as cargas e descargas tornem a circulação caótica, as cidades tiveram de “inventar” pontos para essas ações. Foi necessário criar uma nova política de estacionamento, limitando-o a curtos períodos de tempo. “

Esta nova realidade, esta nova vida que se tem vindo a impor às cidades, tem implicado também um esforço de adaptação muito grande, segundo o autarca: “temos em Cascais, felizmente, muitos bons exemplos para apresentar. Como o centro de atendimento único, como o login único para as várias plataformas digitais, como os títulos de transporte MOBI Cascais, como é o caso do Cascais Smart Waste, que permite poupar recursos técnicos e financeiros na recolha de desperdícios, como é o exemplo da nossa app Fix Cascais, para a solicitação de intervenções municipais, ou sobre a forma que a autarquia encontrou para premiar a cidadania através da app City Points.

São um conjunto de diferentes projetos, e apenas referimos alguns, mas que têm sempre um ponto de ligação, que não nos cansamos de repetir: A prioridade para Cascais são os cidadãos“, conclui.

Esta masterclass inovadora permitiu a milhares de pessoas entenderem como a tecnologia pode ser colocada ao serviço dos cidadãos e como importa também não descurar o necessário envolvimento de todos para que as estratégias pensadas e aplicadas funcionem e sejam bem percecionadas e usadas pelos munícipes. Não adianta fazer e inovar de modo isolado ou só para ter uma bandeira, na verdade, sem os munícipes envolvidos ativamente nada será possível.

As novas cidades, as cidades do futuro, mais do que smart, devem ser humanas:  primeiro o cidadão, depois a tecnologia ao seu serviço.

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