Pandemia trouxe “forte subida do serviço business to consumer”, revela CEO dos CTT

O correio business to consumer, ou seja, o serviço de entregas em que os CTT funcionam como intermediários entre as empresas e o consumidor final cresceu muito com a pandemia do coronavírus, diz João Bento, CEO dos CTT na Real – Life Flash Talk organizada pelo ISCTE Executive Education esta semana.

Ao contrário do correio entre empresas e do correio postal – serviço sobre o qual os CTT, apesar de totalmente privatizados, detêm a concessão até final de 2020 – que desceram com esta crise. “A quebra foi brutal no correio postal e de encomendas business to business, mas, em contrapartida, registamos uma forte subida do serviço business to consumer.”

Mas a empresa, que este ano celebra 500 anos de vida, não foi apanhada desprevenida por esta corrente. Desde há alguns anos que se prepara para a concorrência vinda das grandes empresas globais de correio expresso e que aposta no comercio eletrónico.

O investimento num marketplace online, o Dott, revelou-se mais do que acertado durante a pandemia, uma vez que as pessoas, obrigadas a estar em casa confinadas, não tiveram outra opção senão comprar através da internet. Lançado em janeiro de 2019, como joint-venture entre os CTT e a Sonae, o Dott é um shopping online generalista muito focado em marcas e produtos nacionais. Durante a pandemia registou-se uma grande adesão de novas empresas e até de grandes marcas com pouca presença online, avançou o CEO.

João Bento revelou ainda que as lojas virão a sofrer alterações, o que inclui a instalação de cofres e de uma área de self service de encomendas. Os CTT estão ainda a fazer fortes investimentos em novos equipamentos de processamento de correio postal e de encomendas com a aquisição de máquinas para automatizar os processos nos seus centros de produção e logística.

É que, considera, ao ser entrevistado por José Crespo de Carvalho, presidente do ISCTE Executive Education, “para corresponder ao crescimento das encomendas temos de aumentar capacidade dos centros.”

Com a esperada abertura na segunda-feira do grande retalho, o responsável antevê que os valores das vendas business to consumer possam descer ligeiramente, mas acredita que se manterão acima dos valores registados antes da pandemia.

A reforçar a posição competitiva dos CTT esteve a recente fusão com a Transporta, a transportadora do grupo Barraqueiro, que tinha sido adquirida pelos CTT. O mercado está cada vez mais exigente e esta integração ajudou a consolidar a rentabilidade da operação de expresso e carga.

Durante a conversa online disse ainda estar prestes a fechar uma parceria com “um grande operador global.”

Para finalizar e em resposta a questões do público, João Bento reconheceu que a empresa ainda tem muito a fazer na área do rastreamento das encomendas, que considera a base da cultura de serviço ao cliente cujo padrão de qualidade não quer ver baixar. Até porque, sublinhou, “queremos satisfazer os nossos clientes, bem como os clientes dos nossos clientes.”

Privatizados e na linha da frente do e-commerce

De velhinhos não têm nada os CTT de hoje. Desde que o Estado vendeu o resto da sua participação e os Correios de Portugal passaram a ser 100% privados que a revolução não tem parado.

Começou com a reorganização interna e a substituição dos balcões tradicionais pela requalificação dos colaboradores e oferta dos seus serviços noutros espaços e continuou a fazer face à concorrência na área de correio expresso – ao mesmo tempo, o correio postal mantém-se como uma das suas atividades. Contudo, o seu contrato de concessão para serviço postal universal termina em 2020. É na era do digital que os CTT têm sentido os maiores desafios, mas a empresa continua a responder com uma série de novos serviços.

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