Para alegrar o verão

Hoje não se fala aqui de problemas nem da realidade; nem de máscaras, vacinas e regras que mudam todos os dias. Com a chegada de agosto, esta assume a forma de uma coluna escapista. Aproximando-se esta semana começo a compor o saco de coisas para levar para as férias. Este ano seguem para sul, tal como é costume, uns livros volumosos que se atacam melhor nesta altura. Um já está encetado e foi aqui antes referido: Vida e Destino, de Vassili Grossman (Dom Quixote). Trata-se de uma extraordinária obra, uma ópera polifónica de profunda humanidade, que nos mostra a vida do lado de dentro da frente soviética de Estalinegrado. Neste livro cabe tudo o que é humano. O plano é terminar as suas mais de 800 páginas na primeira metade de agosto.

Acabadinho de chegar mesmo a tempo de ir para o saco, segue para sul o segundo volume de História do Declínio e Queda do Império Romano, de Edward Gibbon (Book Builders).

Trata-se, como no caso anterior, de um clássico de prosa saborosa que nos ajuda a compreender as origens da nossa civilização. O início dá o tom: “A incapacidade de um governo fraco e desorientado pode frequentemente assumir a aparência de produzir os efeitos de uma traiçoeira cumplicidade com o inimigo público”.

Para compor o ambiente não resisto a partilhar a recomendação de uma canção: Bite of papaya, de Myint, single disponível no Spotify. É a melhor canção de Verão desde Souvenir dos Flamingos. Bom Verão para os leitores da LÍDER e muita força para a rentrée.


Por Miguel Pina e Cunha, diretor da revista Líder

 

 

 

 

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