Para algumas empresas de Tecnologia, o escritório é tudo

O Instagram trata o seu escritório como uma vitrine e “as nuvens” são um espetáculo imperdível. A instalação em tamanho real de nuvens brancas em plástico onde, quem quer, pode tirar fotografias, serve como uma ferramenta de recrutamento, um foco de orgulho corporativo e uma experiência para todos os chefes da marca e as celebridades que aparecem.

No ano passado, os chefes do Instagram queriam demolir a estrutura e substituí-la por uma cena de um pouso de OVNIs, mas a equipe opôs-se. Em vez disso, aumentaram a paisagem do céu, expandindo o espaço para que toda uma equipa de engenheiros pudesse chegar lá simultaneamente. As luzes rosa e laranja melhoraram ainda mais o cenário do pôr-do-sol.

Facebook versus Instagram
O contraste na abordagem do Instagram versus Facebook manifesta-se claramente nas respetivas decorações, defende um artigo da revista 1843 do universo The Economist.

O Facebook grava as paredes com posteres motivacionais, exibindo slogans como “Feito é melhor que perfeito” e “Esta viagem está apenas 1% concluída”. As superfícies não envernizadas, a ventilação exposta, os acessórios de cimento e metal mostram uma empresa com coisas maiores com que se preocupar do que interiores polidos. No Facebook, qualquer colaborador ou visitante pode rabiscar os seus pensamentos numa “parede” com giz. Já as paredes do Instagram estão pintadas de branco.

O Facebook coloca as latas de lixo em baixo das mesas, para que a equipa não precise separar-se durante uma série de códigos, enquanto o Instagram esconde as suas caixas em elegantes gavetas de madeira.

Não é surpresa que o Instagram, uma rede de curadores meticulosos e viciados em filtros, se preocupe com a aparência do escritório. Mas o esforço que coloca no design tem um propósito mais profundo. A empresa, que o Facebook comprou em 2012, tinha a sua sede inicialmente no Facebook (eram 13 colaboradores apenas). Não teve sede própria até 2016, altura em que já tinha centenas de pessoas.

Com a compra do Instagram, o Facebook começou a propor uma visão corporativa na qual grandes empresas poderiam existir quase de forma independente. À medida que o Facebook, a Amazon, a Alphabet e a Apple expandiram os negócios para setores adjacentes, as startups começaram a sonhar menos em competir com estas marcas e mais em serem adquiridas por elas. A Amazon comprou a Whole Foods, e a Google adquiriu tantas empresas que teve de renomear a holding como Alphabet.

A Amazonificação da Whole Foods aconteceu aparentemente da noite para o dia em 2017, com a marca amarela a salpicar os corredores da loja. Em contrapartida, o WhatsApp, adquirido pelo Facebook em 2014, exigia portas de casa de banho e salas de conferência maiores só para os seus colaboradores.

A mais recente jóia de design do Instagram é uma “floresta light”, um conjunto de colunas de plástico retângulares do lado de fora de um dos saguões do escritório de São Francisco. Se experimentar tocar nas colunas, brilham em néon e reproduzem um som gravado.

©Gensler

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