«Para que a economia portuguesa não pare»

Nesta fase, o mais importante é criar as condições de saúde e bem-estar para todos os colaboradores e respetivas famílias. Se adicionarmos o permanente contacto com o cliente e parceiros, temos o trabalho que a Microsoft Portugal tem em mãos para começar a desenhar a fase seguinte: a «reinvenção do novo normal».

Paula Panarra agarrou o desafio de liderar a Microsoft Portugal corria o ano 2016, bem no final, em Dezembro. Mandatos exigentes sucederam-se, já que a tecnológica é assumidamente um laboratório vivo, mas nunca como o atual, em que o ritmo de mudança está mais acelerado e a necessidade de transformação digital é ainda mais importante.

Consciente do papel activo que a tecnológica que lidera assume em criar um País mais competitivo, inovador e socialmente sustentável, Paula Panarra encara as circunstâncias e o seu papel. «Neste momento, espera-se de um líder calma e transparência na comunicação do que são as iniciativas que estão a ser tomadas, do que se está a passar dentro da organização e no País. (…) A empatia é outra caraterística essencial para um líder neste momento. Mais do que nunca, é preciso estarmos próximos e termos a consciência de que cada um dos nossos colaboradores vive uma situação diferente», garante, explicando ainda que o foco está em assegurar o bem-estar alargado, não só dos colaboradores como das suas famílias. Assim, criou condições para uma maior proximidade entre todos como cafés virtuais, reuniões semanais com toda a organização com espaço aberto para perguntas e comentários, concursos de fotografia e aulas de ginástica virtuais. Adicionalmente, alargou para 12 semanas o período de apoio parental aos colaboradores, permitindo uma maior flexibilidade a todos os que têm de apoiar a família.

A Microsoft é conhecida por ser uma casa de talentos, que diariamente interage com um gigante ecossistema de parceiros e clientes. E, aqui, os desafios também são acrescidos e tiram partido do salto tecnológico que se deu atualmente. «Com o aumento de utilização das ferramentas, veio também um aumento na necessidade de formação para a correta utilização desta e de outras ferramentas por parte do utilizador final. Sentimos também, numa segunda fase, uma necessidade de respostas para gestão de plataformas digitais, essenciais para a continuação de prestação de serviços e contacto com clientes. E uma acrescida preocupação com todas as questões ligadas à segurança. Sabemos que este momento está a ser aproveitado pelo cibercrime e, como tal, sentimos uma maior preocupação em garantir a segurança dos nossos clientes».

Em conversa, via remota, com a Líder, Paula Panarra explica como a empresa está a dar resposta imediata a estas mudanças de paradigma, a controlar o cibercrime, a garantir a melhor experiência aos clientes e parceiros, ou «a ajudar a reimaginar processos, serviços, análises, para que a economia portuguesa não pare», entre muitos outros temas.

O que é mais assustador nesta crise de saúde pública mundial?
A grande preocupação nesta situação de pandemia é, sem dúvida, a saúde pública. O número de infetados, de mortes, o estado grave de muitos dos doentes em todo o mundo e a capacidade de resposta por parte dos sistemas nacionais de saúde. Nesta altura, o mais importante, é a saúde e o bem-estar.
Mas também o impacto que se prevê na economia a um nível global, numa situação em que tantos setores se veem afetados e em que é incerto o tempo necessário para uma total recuperação.
Não temos ainda o total controlo deste vírus e, portanto, não temos certezas de quanto tempo demorará nem se haverá uma próxima vaga. Cabe-nos estar preparados para o desconhecido com uma postura de flexibilidade e adaptação às novas circunstâncias. 

Quais as medidas implementadas para assegurar a saúde dos vossos colaboradores?
Numa primeira fase, garantimos que todos os nossos colaboradores estavam a trabalhar remotamente. É um facto que, na Microsoft, já temos práticas que nos permitem trabalhar desta forma com bastante frequência, mas não com as circunstâncias que vivemos atualmente em que temos toda a família em casa, temos de coordenar o nosso trabalho com a escola virtual e com os cuidados aos mais idosos. Portanto, à realidade do trabalho remoto, acresceu a preocupação em garantir o bem-estar de todos os colaboradores com uma comunicação constante. No fundo, trazer não apenas as ferramentas necessárias, mas também as boas práticas para assegurar o bem-estar alargado, não só dos colaboradores como das suas famílias. Criámos condições para uma maior proximidade entre todos como cafés virtuais, reuniões semanais com toda a organização com espaço aberto para perguntas e comentários, concursos de fotografia e aulas de ginástica virtuais para garantir que continuamos fisicamente ativos. Adicionalmente, alargamos para 12 semanas o período de apoio parental aos nossos colaboradores para permitir uma maior flexibilidade a todos os que têm de apoiar as suas famílias.

Que impacto no negócio?
Sentimos imediatamente uma necessidade acrescida, por parte dos nossos clientes, de respostas para trabalho remoto. Com o aumento de utilização das ferramentas, veio também um aumento na necessidade de formação para a correta utilização desta e de outras ferramentas por parte do utilizador final. Sentimos também, numa segunda fase, uma necessidade de respostas para gestão de plataformas digitais, essenciais para a continuação de prestação de serviços e contacto com clientes. E uma acrescida preocupação com todas as questões ligadas à segurança. Sabemos que este momento está a ser aproveitado pelo cibercrime e, como tal, sentimos uma maior preocupação em garantir a segurança dos nossos clientes. O ritmo de mudança está mais acelerado que nunca, a necessidade de transformação digital é agora ainda mais importante.

Como contornar esse impacto? É possível já começar a desenhar algumas medidas a esse nível?
Na Microsoft, tentamos dar resposta imediata a estas mudanças de paradigma. Reforçamos as nossas equipas de suporte, para garantir a melhor experiência possível aos nossos clientes e parceiros. Criámos vários webinars, sessões de formação e esclarecimento para dar resposta às necessidades de formação do mercado. Trabalhamos diariamente em processos de melhoria das nossas ferramentas de ciber segurança e no aumento da sensibilização dos nossos clientes para esta realidade, que já há muito existe, mas que agora ganha ainda mais relevância. E mantemos contacto permanente com cliente e parceiros para começarmos também a desenhar a fase seguinte, a ajudar a reimaginar processos, serviços, análises, para que a economia portuguesa não pare.

Situação complexas em concreto que enfrentam e com pensam atuar?
Nesta fase, um dos temas mais sensíveis é a questão da segurança e privacidade. Num momento em que muitos de nós trabalham remotamente e estão ainda a habituar-se a este novo normal, o cibercrime tira proveito e ataca. Na Microsoft, tratamos este assunto com a máxima responsabilidade e estamos diariamente a trabalhar para o reforço das equipas e a melhoria das nossas soluções para proteção do nosso ecossistema. Adicionalmente, aumentamos a sensibilização e contacto com os nossos clientes e parceiros sobre o tema, alertando-os para as ameaças e possíveis soluções.
Também, a liderança e gestão de pessoas neste contexto, que é de insegurança, torna-se diferente e mais complexo. Temos trabalhado para adaptar os nossos processos e relações à atual situação, aumentando a comunicação, a flexibilidade e a confiança, focando-nos no bem-estar de todos para que possamos dar continuidade ao negócio da melhor forma.

Já tinham vivido um desafio destes?
Nunca tínhamos vivido nenhuma situação como a atual, nem noutras situações de pandemia, e dificilmente poderíamos esperar uma situação como esta. Tínhamos um plano de contingência, não só local como global, que assumia uma possível circunstância em que as instalações físicas não poderiam ser utilizadas e, portanto, teríamos de deslocalizar todos os colaboradores para casa e fazer as operações a partir de trabalho remoto. O que não estava previsto era que isto acontecesse em simultâneo em todo o mundo. Prevemos a possibilidade de uma situação de disrupção limitada geográfica ou temporalmente, mas não uma situação transversal a toda a atividade económica, com uma escala global.

Qual o papel que o Estado deve assumir perante as empresas?
Mais do que antes, o Estado deve apoiar as PME que são grande parte do tecido empresarial da nossa economia, garantindo que têm as condições necessárias para darem continuidade aos seus negócios. Deve assumir uma comunicação clara e transparente, essencial para um momento como este. Ultrapassar esta situação da melhor forma não depende apenas do Estado, mas de todos nós, atores da economia e membros da sociedade.

Conselhos que deixa aos portugueses que lideram outras empresas ou organizações?
Neste momento, espera-se de um líder calma e transparência na comunicação do que são as iniciativas que estão a ser tomadas, do que se está a passar dentro da organização e no País. A transparência e a frequência na comunicação são os pilares para a criação de uma plataforma de confiança que, com a calma, trazem o sentimento de tranquilidade possível numa situação de tanta incerteza. A empatia é outra característica essencial para um líder neste momento. Mais do que nunca, é preciso estarmos próximos e termos a consciência de que cada um dos nossos colaboradores vive uma situação diferente. Só assim conseguiremos manter a proximidade e gerar a energia necessária para um momento como este, que deve ser também um momento de inspiração para a transformação. Como líderes devemos recentrar-nos no propósito das nossas organizações para vivermos as semanas que aí vêm, projetando o que é a nossa visão para os próximos anos.
E agir, a pensar já no regresso, na retoma, na reinvenção do novo normal. Tirar partido do salto tecnológico que se deu agora, para uma transformação mais rápida, eficiente e mais produtiva no futuro. 

E aos portugueses em geral?
Que mantenham a calma, o foco e a energia positiva. Que sigam e confiem nas indicações das autoridades locais. O esforço comum é essencial para que possamos ultrapassar esta situação da melhor forma. Depende de cada um de nós.
Que absorvam o lado positivo deste novo normal. Sabemos que nada vai ser igual – as empresas, as escolas, nós mesmos. Aprendemos muito nas últimas semanas, vamos garantir que levamos connosco estas aprendizagens para o futuro.
E que retomamos com toda a segurança a atividade económica tão rápido quanto possível.

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