Para que serve uma bazuca?

Parece que vem aí o dinheiro da bazuca. Coloca-se por isso uma questão: para que serve uma bazuca? Pode servir para o que tem servido e daqui a uns anos teremos outro primeiro-ministro a perguntar se já pode ir ao banco. Tem sido assim: o país melhora mas menos que os outros e com o dinheiro dos outros. Sermos ultrapassados por todos é uma lástima.

Alternativamente a questão que se coloca é a de saber como usar os fundos para melhorar o país. Eis um elenco de questões, sem nenhuma ordem especial:

  • Como desenvolver uma agricultura moderna sustentável?
  • Como criar universidades capazes de atrair talento internacional, tirando partido das extraordinárias condições do país?
  • Como atrair novos projetos industriais estruturantes?
  • Como desenvolver o cluster do novo espaço para desenvolver uma nova indústria de ponta?
  • Como tratar com seriedade dos problemas demográficos que tanto nos afligem?
  • Como quebrar o círculo vicioso de um ensino público básico e secundário mais focado em si mesmo que no futuro do país (vide os resultados dos rankings)?
  • Como requalificar a população em áreas de ponta (e.g. as novas linguagens digitais)?
  • Como acabar com a maldição da fraca produtividade e dos baixos salários, usando esta oportunidade para requalificar?

 

Estas são as questões que o momento exige que coloquemos. Se estas e outras questões não forem consideradas, o dinheiro será como chuva na areia: vai desaparecer, alimentar as desconfianças, degradar as instituições e atirar-nos um pouco mais para o fundo do poço europeu. O começo, com a pergunta da ida ao banco, já não foi auspicioso.


Por Miguel Pina e Cunha, diretor da revista Líder

 

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