Paulo Pena: «Para sermos livres dentro das redes temos de perceber que o problema é nosso»

Paulo Pena, jornalista e investigador, tem passado os últimos anos a estudar e a escrever sobre o tema das “fake news.” No princípio achava que não havia “notícias falsas” em Portugal, “e esse foi o meu primeiro erro.”


Começou a explorar o tema e desde logo percebeu como este novo fenómeno que nasceu principalmente com as redes sociais estava a destruir o caráter de personalidades políticas. Mas, além de serem usadas para ataques políticos, as “fake news” são uma forma de negócio muito rentável que se alimenta do número de cliques que gera receita de publicidade.

Na opinião deste profissional dos media e grande repórter em publicações nacionais, “saber o que é verdade ou mentira é um dos grandes problemas de hoje; afeta as nossas democracias e a forma como pensamos.”

Paulo Pena não trouxe ao webinar da Leadership Summit Portugal, cimeira da liderança que aconteceu na semana passada no Casino Estoril, em Cascais, apenas informação sobre as “fake news” e sobre o fenómeno da desinformação, como também trouxe uma solução para resolver os prolemas da desinformação.

Comece por perguntar: o meu feed de notícias do Facebook é igual ao dos outros? A resposta é não, o que significa que não nos estamos a informar de forma aberta e livre; e, além do mais, “há muitas contas portuguesas que não são reais”, afirmou.  Assim, aconselha: “Temos de combater a desinformação pela forma como gerimos a nossa privacidade e a informação que partilhamos.”

Devemos usar uma das nossas maiores qualidades que é a curiosidade e a capacidade de pôr em causa a veracidade do que estamos a ver e a ler. Aconselha a não clicar em sites de que nunca ouvimos falar, por exemplo. “Se o fizemos estamos a dar lhes pontos e forma de beneficiarem da publicidade – estaremos a dar ao algoritmo da rede uma forma de prever o que gostamos de ver.”

“Somos nós que alimentamos a rede dando-lhe informação. Para sermos livres dentro das redes temos de perceber que o problema é nosso e exigir um jornalismo mais sério”, diz para concluir.

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