Pedro Brito: «A pandemia obrigou as lideranças a cuidar das pessoas com mais empatia»

A pandemia expôs o quão diferente é a realidade de cada um. «Lideranças que respeitem e atuem de acordo com essas realidades pessoais, criam culturas que cuidam e colaboram, independentemente da crise e mudança que surja», defende Pedro Brito.


Para o associate Dean for Executive Education & Business Transformation da Nova School of Business & Economics a pandemia deu-nos o maior projeto piloto de trabalho remoto de sempre, «mostrando que afinal é possível fazê-lo com resultados maioritariamente positivos».

Pedro Brito foi convidado há pouco mais de ano e meio para assumir a missão de abrir a NOVA SBE ao mundo. Formado em Tecnologias de Gestão pelo ISG e com uma experiência de mais de 20 anos em Consultoria e Gestão, Pedro é um dos fundadores da Jason Associates, hoje Mercer Jason Associates.

Em conversa com a Líder alerta ainda para o facto de, paradoxalmente, a pandemia ter provocado distanciamento físico e proximidade relacional, o que acabou por se traduzir em «impactos positivos na confiança, alinhamento e foco», diz.

Colocámos a pergunta: Que tipo de cultura faz sentido assumir no “novo normal”? Pedro Brito aceitou o desafio:

«Flexibilidade: Muitas organizações ensaiaram entusiasticamente projetos piloto de trabalho remoto que, ainda que vanguardistas, realçaram falhas e injustiças do modelo. A pandemia deu-nos o maior piloto de sempre, mostrando que afinal é possível fazê-lo com resultados maioritariamente positivos. Organizações que promovam modelos baseados na responsabilização dos elementos pelos seus resultados e não só pelas atividades, fomentam culturas de trabalho mais flexíveis, responsáveis e produtivas.

Bem-estar: Apesar de valorizado por todos, as iniciativas propostas por muitas empresas parecem responder a diagnósticos generalizados, pouco personalizados e focados na redução das tensões profissionais. A pandemia expôs o quão diferente é a realidade de cada um, obrigando as lideranças a cuidar das pessoas com mais empatia e personalização. Lideranças que respeitem e atuem de acordo com essas realidades pessoais, criam culturas que cuidam e colaboram, independentemente da crise e mudança que surja.

Comunicação: Constantemente ouvimos que o feedback é uma ferramenta fundamental no desenvolvimento das pessoas e equipas. Então porque é que em tantas organizações continua a acontecer apenas em momentos formais e de forma tão esporádica? Paradoxalmente, a pandemia trouxe-nos distanciamento físico e proximidade relacional, com impactos positivos na confiança, alinhamento e foco. Lideranças que valorizem a comunicação contínua e próxima, criam culturas mais autónomas e com melhores resultados.»

Artigos Relacionados: