Pedro Oliveira, CEO da BP Portugal: “Na linha da frente das operações tomámos todas as decisões possíveis”

A BP Portugal encerrou todas as lojas e passou a operar os postos de abastecimento através do ponto de pagamento noturno. Numa rede com quase 1300 postos, cerca de 7500 operadores de caixa e 300 mil transações por dia, as situações complexas sucedem-se de minuto a minuto.


Portugal encontra-se em estado de alerta como resposta à emergência de saúde pública que o país atravessa, resultante da situação epidemiológica do novo Coronavírus. E se é verdade que nas simulações de business continuity plan, a BP Portugal já tinha simulado esta situação, a realidade é sempre diferente.

“Nada se lhe compara, mas as simulações ajudam a enfrentar estes eventos com mais confiança. (…) Estamos a gerir com a confiança de um passado que fala por nós, mas com a humildade de quem nunca viveu algo parecido”, conta Pedro Oliveira, CEO da BP Portugal.

O compromisso da BP Portugal mantém-se: continuar a disponibilizar um bem essencial e de primeira necessidade ao funcionamento da sociedade neste contexto. Embora a prioridade agora seja proteger as pessoas, os clientes e a sociedade em geral.

Em entrevista à Líder, Pedro Oliveira partilha a lógica de consciência social da BP e a nova atuação das operações ao nível da sede e na linha da frente, de forma a minimizar contactos e interações diretas entre clientes finais e pontos de venda avançados.

O que é mais assustador nesta crise de saúde pública mundial?
A aparente inevitabilidade de nos termos que deparar com o dilema ético que implicará escolher quem tem acesso a equipamentos médicos que poderão fazer a diferença entre viver ou morrer.

Quais as medidas implementadas para assegurar a saúde dos vossos colaboradores?
Ao nível da sede, desde a primeira hora e com a antecedência necessária, passámos a trabalhar todos desde casa e temos neste momento as operações bastante estabilizadas a esse nível. Na linha da frente das operações tomámos todas as decisões possíveis para minimizar contactos e interações diretas entre clientes finais e pontos de venda avançados. Por exemplo, encerrámos as lojas e passámos a operar os postos de abastecimento através do ponto de pagamento noturno.

Quais os impactos no negócio?
Será certamente muito material, mas neste momento é a nossa última preocupação. Neste momento a nossa prioridade é proteger as nossas pessoas, os nossos clientes e a sociedade em geral numa lógica de consciência social.

É possível já começar a desenhar algumas medidas a esse nível?
Neste momento, concentramos todas as nossas energias em proteger as pessoas e em certa medida garantir que conseguimos continuar a disponibilizar um bem essencial e de primeira necessidade ao funcionamento possível da nossa sociedade neste contexto.

Situação complexas em concreto que enfrentam e como pensam atuar?
Numa rede com quase 1300 postos, cerca de 7500 operadores de caixa e 300 mil transacções por dia, como deve imaginar, as situações sucedem-se de minuto a minuto. Estamos a gerir com a confiança de um passado que fala por nós, mas com a humildade de quem nunca viveu algo parecido. É verdade que na dinâmica normal que temos de simulações de business continuity plan já tínhamos simulado esta situação, mas a realidade é sempre a realidade… nada se lhe compara, mas as simulações ajudam a enfrentar estes eventos com mais confiança.

Qual o papel que o Estado deve assumir perante as empresas?
Não é o Estado, somos todos nós, o Estado será apenas um elo de transmissão e redistribuição. Este é um custo social que todos teremos de suportar à razão das possibilidades de cada um. No entanto, e para já, a grande prioridade do Estado será fazer chegar rapidamente rendimento a todos os que se estão a ver realmente privados deste (empresas e colaboradores), de modo a manter uma rede mínima a funcionar. Depois, as contas do “deve e haver” deverão ser feitas mais à frente.

Conselhos que deixa aos portugueses que lideram outras empresas ou organizações?
Não sou ninguém para dar conselhos, mas não resisto a pedir que nos concentremos no essencial que é a proteção das pessoas. Para além do mais, este é o momento de ouvir bem, de ler bem a realidade e de antecipar necessidades e atuar.

E aos portugueses em geral?
Aos portugueses aconselho o mesmo que a mim próprio. Com resiliência, respeito pela ordem e pelo próximo, tudo se resolve. Este é o tempo de todos e não de alguns. Nós temos uma grande vantagem sobre este nosso inimigo, nós pensamos, e se pensarmos bem em conjunto somos uma espécie com uma capacidade de superação sem igual. É nessa dimensão que temos de apostar tudo para vencer esta adversidade como tantas outras.

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