Pedro On The Road: Coragem de ser líder da sua própria vida

António Pedro Moreira é um líder da sua própria vida porque decidiu viver a sua vida e não a vida que alguém quis que ele vivesse. Quantas vezes as pessoas vivem sonhos que nunca foram os seus – questionou durante a sua intervenção na Leadership Summit Portugal, a cimeira da liderança da Tema Central que decorreu a semana passada em Cascais.


“Um dia decidi que queria dar tudo por tudo para ter experiências memoráveis. Agarrar a vida pela raiz e deixá-la tomar conta de mim”, escreveu no seu blogue de viagens. Conta que teve esta revelação em 2009 numa pequena viagem de duas semanas à Índia. Depois disso nada voltou a ser igual para “Pedro On The Road”, o nome da sua marca pessoal.

Aquela viagem fê-lo despedir-se do emprego que tinha como psicólogo em Inglaterra e lançar-se numa viagem de Portugal a Singapura, numa epopeia de 50 mil km por terra, 20 mil dos quais à boleia. Descobriu então que viajar era uma paixão que podia juntar ao desejo de ser escritor, e assim lançou-se como escritor de viagens e publicou, em 2013, o seu primeiro livro “Daqui Ali – De Portugal a Singapura Por Terra”.

A viagem que se seguiu, em janeiro de 2014, foi de Portugal a África do Sul – de bicicleta. “Saí da porta da minha casa em Vale de Cambra com o Cabo da Boa Esperança na minha mente.” E conseguiu: em 15 meses atravessou 21 países.

Depois de dois “Daqui Ali”, dois livros sobre duas viagens épicas, uma de Portugal a Singapura por terra, e outra de bicicleta de Portugal à África do Sul, chegou a vez de fazer 10 mil km de boleia do Panamá ao México, atravessando oito países sem nunca pagar para dormir. Da inspiração desta última viagem nasce o seu terceiro livro: “Vago – Do Panamá ao México à Boleia”, que além de físico, foi também um projeto digital e de áudio.


Perguntam-lhe muitas vezes porque viaja. Não soube responder durante algum tempo até ter descoberto que era, como contou, uma nova maneira de lidar com a sua angústia da morte. “Nunca fui grande fã da ideia de que vou morrer um dia.” Durante as viagens, pelo menos, o medo da morte dissipou-se.

Mais importante do que as várias historias que viveu na estrada é o entendimento que passou a ter da sua própria pessoa: “quero fazer as coisas por mim e não porque me exigem, quero viver, quero ser como quero ser sem seguir a bíblia social que foi escrita para todos nós”, escrevia em 2011.

Ainda tentou adorar o trabalho que tinha e voltou a Inglaterra. Mas despediu-se pela segunda vez e voltou sim, mas à estrada. Porque viaja? “Em viagem apercebo-me de que um dia vou morrer, mas que pelo menos fiz parte de algo maravilhoso.” O viajante escritor, que já esteve em mais de 100 países, quer pisar o trilho que escolheu para si e diz, para concluir, “prefiro cair mil vezes no meu caminho do que seguir direitinho no caminho de outra pessoa.”

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