Plano de recuperação da França: “A prioridade absoluta é o emprego”

Para recuperar da crise económica causada pela atual pandemia, os países da União Europeia foram levados a definir visões estratégicas e a criar planos de recuperação até 2030 para apresentar à Comissão Europeia e receber os fundos europeus.

Para Emanuelle Macron, o Presidente de França, o objetivo de ter um plano estratégico é “redescobrir o sentido do longo prazo” e garantir que o governo não se preocupa apenas com a gestão de crises. Como é que França se deve preparar para 2030? Como caminhar em direção a uma economia de baixo carbono, investir nas qualificações certas e fortalecer as indústrias locais em todo o país?

Um artigo publicado na revista The Economist conta como em França o planeamento feito pelo governo e o desejo de manter a autonomia em setores de atividade estratégicos para o país têm uma longa história com origem em Jean-Baptiste Colbert, ministro das Finanças de Luís XIV.  “A pandemia trouxe de novo este debate à França e a muitos outros países”, destaca a publicação britânica de economia.

A escassez de máscaras pôs os governos a questionar a confiança nas cadeias globais de fornecimento. Os hospitais sobrelotados mostraram que é preciso mais investimento na saúde publica e o fecho das fronteiras não podia ter desorganizado mais a indústria das viagens, turismo e aeroespacial.

Jean Castex, o novo primeiro-ministro, lançou o plano de França no início de setembro, no mesmo dia em que revelou um pacote de estímulo de 100 biliões de euros para serem gastos em dois anos. Dois quintos desta quantia vêm do novo fundo de recuperação da União Europeia.

Parte da ideia é de curto prazo: manter os negócios à tona e as pessoas empregadas durante uma recessão profunda. “Em proporção à riqueza nacional, é o maior plano de recuperação anunciado até agora entre os principais países europeus”, disse Jean Castex ao portal Euronews, acrescentando que 100 biliões de euros são o montante necessário “para recuperar o nosso nível de riqueza anterior à crise e até 2022” e que “a prioridade absoluta é o emprego.”

A economia francesa encolheu 13,8% no segundo trimestre – menos do que na Espanha, mas mais do que na Alemanha – e está prevista uma contração de 11% durante 2020. O governo já disse, por exemplo, que irá continuar com os esquemas de lay-off ou “furlough” durante dois anos, apesar da contribuição do estado ir descendo. Prometeu cortes de impostos para as empresas e deixou o compromisso de não aumentar nenhum imposto.

Mas a ideia é também fazer da crise uma oportunidade para aumentar e redirecionar o investimento público francês. Por um lado, haverá muitas “medidas verdes”, como isolamento de edifícios, investimento em hidrogénio e investigação, bem como a expansão da banda larga de alta velocidade e da infraestrutura local.

Por outro lado, haverá um reforço de competências, estágios e formações, principalmente para os jovens. Ao contrário da Alemanha, França estará concentrada menos no estímulo vindo da procura e mais no apoio a negócios e investimentos.

“Graças em parte à ajuda do governo, os consumidores franceses acumularam economias durante o confinamento, guardando os seus rendimentos. A esperança é que, se a confiança voltar, comecem a gastá-los”, avança a The Economist.

Artigos Relacionados: