Plano do World Economic Forum põe as empresas a liderarem a mudança verde

A pandemia COVID-19 provou não ser apenas uma crise de saúde, perturbou a nossa segurança alimentar, resiliência económica e eficácia de governação. E ainda não sabemos como tudo vai acabar.

Para o World Economic Forum, responder a estas múltiplas crises é uma enorme oportunidade para transformar a forma como vivemos, comemos, crescemos, construímos e fortalecemos as nossas sociedades. E por isso lançou o movimento “The Great Reset”, ou Grande Reconstrução, com as palavras oportunidade e transformação no centro.

As empresas têm aqui um papel fundamental a desempenhar, ajudando nesta transição, defendem os autores de um relatório do WEF sobre o futuro da natureza e dos negócios. O estudo fornece um plano para as empresas desempenharem um papel de liderança na mudança do modelo económico para que seja compatível com os limites do Planeta Terra. “Os negócios devem liderar o caminho.”

A velocidade da mudança, as restrições orçamentais dos governos na sequência da COVID-19, e as atuais falhas na cooperação internacional são fatores que, segundo o WEF, colocam as empresas em melhor posição para conduzir as transições de que o mundo necessita.

Para lançar a transformação, os líderes empresariais devem identificar as transições mais relevantes para os seus negócios e a mistura de facilitadores, incluindo modelos inovadores de investimento financeiro e tecnologias inteligentes. Têm também um papel crucial a desempenhar no apoio aos governos para adotarem as políticas corretas que desencadearão mudanças em escala e facilitarão as desejadas transições.

O documento “The Future of Nature and Business”, o segundo de uma série produzida em 2020 no âmbito do projeto “New Nature Economy”, identificou 15 transições prioritárias com potencial para gerarem, ao todo, cerca de 10,1 mil milhões de dólares em valor adicional e criar 395 milhões de empregos em 10 anos.

3 Sistemas com maior impacto na natureza

O WEF identifica três sistemas socioeconómicos que têm o maior impacto na natureza e, portanto, também os que têm a maior oportunidade de mudar: alimentação, uso da terra e dos oceanos; infraestruturas e ambiente construído; e indústria extrativa e energia. Em conjunto, representam mais de um terço da economia global e proporcionam até dois terços de todos os empregos.

Contudo, as atividades nestes sistemas põem em perigo quase 80% das espécies ameaçadas e quase ameaçadas na Lista Vermelha da The International Union for Conservation of Nature’s Red List of Threatened Species- IUCN. É mais urgente do que nunca fazer a transição destes sistemas, para que sejam sustentáveis e resilientes no futuro, destacam os autores.

O relatório oferece uma agenda de ação pragmática para todas as empresas que queiram “construir um futuro positivo para a natureza”, ao mesmo tempo que oferece oportunidades significativas de colaboração intersetorial e inovação.

Alimentação, utilização da terra e dos oceanos

Um novo modelo que incorpora várias transições é a agricultura regenerativa dos oceanos. Por exemplo, o sistema de policultura vertical da GreenWave, que cultiva uma mistura de algas marinhas e moluscos que produzem maiores rendimentos, capturam carbono e reconstroem ecossistemas de recifes.

A prática deste tipo de agricultura em 5% das águas dos EUA poderia absorver 135 milhões de toneladas de carbono. Se expandido para apenas 1% do oceano global, poderia criar 50 milhões de empregos.

As infraestruturas e o ambiente construído

As mudanças necessárias deste sistema incluem a mudança para um ambiente construído e estrategicamente compacto, que tornaria as nossas cidades mais eficientes, menos poluídas e mais baratas de construir e operar, ao mesmo tempo que permitiria que mais terrenos fossem selvagens.

Por exemplo, na Europa, a partilha de escritórios poderia reduzir a expansão urbana ao equivalente a uma área do tamanho da Bélgica. Ao mesmo tempo que reduziria os custos de investimento e ofereceria modelos de trabalho flexíveis em tempos de necessidade.


As cidades mais verdes utilizam soluções baseadas na natureza para darem resposta aos desafios urbanos. Por exemplo, explica Akanksha Khatri, responsável pelo plano de ação do WEF, uma das principais iniciativas da Cidade do Cabo para evitar futuras crises hídricas após 2018 foi restaurar as suas bacias hidrográficas, que são severamente afetadas por invasões de plantas alienígenas.

Proteger e restaurar as suas bacias hidrográficas não só permitiria à cidade gerar água suficiente para satisfazer um sexto das atuais necessidades anuais de toda a cidade em seis anos, como também o faria a um décimo do custo de outras opções.

 

Indústria extrativa e energia

Oportunidades de negócio emergentes que melhorem a eficiência na forma como extraímos e consumimos recursos, ao mesmo tempo que mudamos para as energias renováveis, poderiam criar quase 87 milhões de empregos até 2030.

Os exemplos incluem a adoção de uma transição de energia positiva para a natureza, que permitiria cumprir as metas climáticas e de biodiversidade ao mesmo tempo. Por exemplo, a Elion, a primeira empresa chinesa a comprometer-se a 100% com as energias renováveis, desenvolveu um modelo económico abrangente baseado na restauração ecológica.

O modelo combina uma das maiores centrais fotovoltaicas da China com a criação de animais, ecoturismo e plantas medicinais que geram fluxos de receitas complementares, enquanto restauram solos degradados. Este pacote recuperou com sucesso quase 1,6 milhões de acres ou 6,5 milhões de hectares de terra no Deserto de Kubuqi, na Mongólia Interior, registando ao mesmo tempo um bom valor económico e social.

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