PMBOK 7ª Edição – O Que Mudou?

O tão aguardado e muito esperado PMBOK® – Project Management Body of Knowledge Guide 7ª edição do PMI® – Project Management Institute foi finalmente lançado.

O mais recente guia de gestão de projetos teve um lançamento preliminar em Julho de 2021, apenas para associados do PMI e, logo de seguida, como previsto, para a comunidade global de gestão de projetos.

Como aconteceu com as anteriores versões do PMBOK® Guide, este referencial continua a ser desenvolvido, tendo por base várias fontes de stakeholders, tais como: membros do PMI, grupos de líderes de PMO’s, gestores de projeto e equipas de projeto, quer tradicionais quer ágeis, formadores e vários workshops realizados por todo o mundo, com vista a recolher as melhores práticas da gestão de projetos atuais.

O novo PMBOK® 7 apresenta-se como uma evolução e não uma substituição do PMBOK® 6. Apesar de haver várias e significativas alterações, na sua génese, continua a ter definidos em grande maioria os conceitos que tão bem conhecemos da versão anterior.

Tal como o revisto exame de certificação para PMP®, que entrou em vigor em janeiro de 2021, definiu, também o novo PMBOK ®7 se foca maioritariamente nas pessoas, nos processos, tendo ainda um relevante destaque para o ambiente organizacional. Este novo PMBOK® evolui assim de um modelo orientado a processos e sequencial, para um modelo orientado ao valor a entregar.

Encontramos também uma considerável mudança para a anterior versão no conceito do projeto, que evolui de entregar “outputs” para o conceito de obter “outcomes” de projeto. Outcomes esses que visam criar benefícios e consequente valor. O objetivo já não é cumprir apenas o planeado no âmbito, tempo e custo com a qualidade espectável, entregando o produto do projeto, e passa a ser entregar o valor necessário com a elaboração do projeto, no qual o produto é apenas um dos possíveis componentes resultantes do projeto. É necessário que o plano seja o plano correto e de acordo com o contexto do projeto. Para isso, muito contribui a correta e ajustada definição da metodologia a aplicar. A coordenação de programas, portfolios e operações são igualmente determinantes nesta definição.

Neste sentido deixamos de aplicar uma framework A ou B e passamos a aplicar a abordagem que melhor serve o propósito absoluto do projeto – Entregar valor aos stakeholders.

Nesta nova versão do PMBOK® temos, tal como acontecia na versão anterior, dois livros:

O “Standard para a Gestão de Projetos” e “PMBOK® Guide”.

No “Standard para a Gestão de Projetos” está a norma ANSI que, ao invés de incluir a iniciação, o planeamento, execução, monitorização e controlo e fecho do projeto, como acontecia na versão do PMBOK 6, passa a incluir 12 princípios, pelos quais a gestão de projetos e os gestores de projetos em particular, se devem guiar.

Estes doze princípios encontram-se claramente alinhados e corroborantes com os valores identificados no Código de Conduta e Ética do PMI (Responsabilidade, Respeito, Justiça e Honestidade) e servem para guiar o nosso comportamento enquanto profissionais. São, portanto, princípios basilares a qualquer abordagem na profissão de gestor de projetos, divididos entre princípios de gestão, e outros mais relacionados diretamente com a gestão de projetos. Todos estes princípios são “human centered”, ou seja, centrados no indivíduo.

Os doze princípios são:

1 – Seja diligente e respeitoso guardião dos recursos que lhe foram confiados;

2 – Crie um ambiente colaborativo com a equipa de projeto;

3 – Crie um envolvimento eficaz com os stakeholders;

4 – Enfoque na entrega de valor;

5 – Reconheça, avalie e responda a interações com a organização ou contexto organizacional;

6 – Demonstre comportamentos de liderança;

7 – Ajuste a metodologia com base no contexto;

8 – Inclua qualidade nos processos e nos entregáveis;

9 – Navegue na complexidade;

10 – Otimize as respostas ao risco;

11 – Seja adaptável e resiliente;

12 – Inclua as alterações que o permitam atingir a visão definida.

 

Estes doze princípios definem, de forma clara, qual a postura e abordagem a ter em relação ao projeto. São determinantes, mas necessitam ser complementados pelos oito domínios identificados no PMBOK®.

Estes domínios estão presentes na segunda parte do guia – O “PMBOK® Guide”. Relacionam-se, consideravelmente, com áreas de conhecimento já enunciadas do PMBOK 6, mas não de forma absolutamente direta, muito pelo facto de não se definirem por uma abordagem preditiva ou tradicional, mas por um conjunto de conceitos que podem ser aplicados a qualquer tipo de abordagem. Os domínios de performance são: Stakeholders, Equipa, Desenvolver a abordagem ao projeto e o ciclo de vida, Planear Projeto, Executar Projeto, Entregar, Avaliar e medir, Incerteza.

O PMBOK® passa a ter não apenas referências, mas um capítulo completo relacionado com a necessidade de customização no projeto – “Tayloring”

Se ainda duvidas restassem, aqui não há definitivamente “one size fits all”.

Isto implica uma clara compreensão do contexto do projeto, dos objetivos e do contexto organizacional, definindo dessa forma a necessidade de ajuste e parametrização de todos os domínios do projeto determinantes para o sucesso.

Em suma, o novo PMBOK ®7, como referência e guia de boas práticas na gestão de projetos que é, aponta o caminho para a evolução que existe nesta área. Esta evolução e mudança incentiva o gestor de projeto a focar-se na entrega de valor e na gestão da constante volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade, que está presente nos nossos projetos.

Deixamos de ter um modelo prescritivo, para passarmos a ter um modelo que nos permite navegar na complexidade e diversidade presente nos nossos contextos.

O paradigma muda de “Frameworks” to “Whatever Works”.


Por J. Miguel Vieira, formador na Rumos em Gestão de Projetos

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