• Skip to main content
Revista Líder
Ideias que fazem futuro
  • Revista Líder
    • Edições
    • Estatuto Editorial
    • Ficha Técnica
    • Publicidade
  • Eventos
    • Leadership Summit
    • Leadership Summit CV
    • Leadership Summit Next Gen
    • Leading People
  • Cabo Verde
    • Líder Cabo Verde
    • Leadership Summit CV
    • Strategic Board
    • Missão e Valores
    • Calendário
    • Contactos
    • Newsletter
  • Leading Groups
    • Strategic Board
    • Leading People
    • Leading Politics
    • Leading Brands
    • Leading Tech
    • Missão e Valores
    • Calendário
  • Líder TV
  • Contactos

  • Notícias
    • Notícias

      Todos

      Academia

      África

      Cibersegurança

      Ciência

      Clima

      Corporate

      COVID-19

      Cultura

      Desporto

      Diversidade e Inclusão

      Economia

      Educação

      Finanças

      Gestão de Pessoas

      Igualdade

      Inovação

      Lazer

      Legislação

      LGBTQIA+

      Liderança

      Marketing

      Nacional

      Pessoas

      Política

      Responsabilidade Social

      Saúde

      Sociedade

      Sustentabilidade

      Tecnologia

      Trabalho

      Empresas reforçam resposta da Cruz Vermelha às populações afetadas pelas tempestades

      Portugal à mercê do voto e da tempestade: Seguro ou Ventura?

      CFOs sob pressão: gerir custos num mundo onde tudo ficou mais caro

      Antes dos supercarros: saiba qual foi o primeiro produto da Lamborghini

      Vender a casa sem sair dela: o negócio que está a mudar a habitação sénior em Portugal

      Ver mais

  • Artigos
    • Artigos

      Todos

      Futuristas

      Leadership

      Leading Brands

      Leading Cars

      Leading Life

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Líderes em Destaque

      Novo ano, nova marca? Eis o Guia de Marketing para 2026

      Simplificar é resistir – humanidade no coração da máquina

      Simplificar é devolver significado

      A força de um clássico português que se reinventa no simples 

      Simplificar para alimentar o futuro

      Ver mais

  • Opiniões
  • Entrevistas
    • Entrevistas

      Todos

      Leadership

      Leading Brands

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Paulo Pascoal: «A imaginação é onde a cultura volta a ser liberdade»

      «A cooperação internacional tem sido um fracasso em África» Luis Álvarez Mora traz a visão para o futuro do desenvolvimento

      Saúde mental no trabalho: «É preciso desnormalizar o sofrimento como sinal de empenho»

      O «equilíbrio entre confiança e exigência está onde a informalidade convive com o profissionalismo», garante Sérgio Tavares (Decathlon)

      «O comando e controlo é o único modelo que muitos líderes conhecem», realça Carlos Sezões

      Ver mais

  • Reportagens
  • Encontros
  • Biblioteca
    • Livros e Revistas

      Todos

      Leadership

      Leading Brands

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Tahrir. Os Dias da Revolução – Alexandra Lucas Coelho

      Sobre os Sentimentos – António de Castro Caeiro

      Toda a Beleza do Mundo – Patrick Bringley

      A Invenção do Ocidente – Alessandro Vanoli

      Três livros essenciais para compreender a transformação digital

      Ver mais

  • Líder Corner
  • Líder Events
Loja
  • Notícias
    • Notícias

      Todos

      Academia

      África

      Cibersegurança

      Ciência

      Clima

      Corporate

      COVID-19

      Cultura

      Desporto

      Diversidade e Inclusão

      Economia

      Educação

      Finanças

      Gestão de Pessoas

      Igualdade

      Inovação

      Lazer

      Legislação

      LGBTQIA+

      Liderança

      Marketing

      Nacional

      Pessoas

      Política

      Responsabilidade Social

      Saúde

      Sociedade

      Sustentabilidade

      Tecnologia

      Trabalho

      Empresas reforçam resposta da Cruz Vermelha às populações afetadas pelas tempestades

      Portugal à mercê do voto e da tempestade: Seguro ou Ventura?

      CFOs sob pressão: gerir custos num mundo onde tudo ficou mais caro

      Antes dos supercarros: saiba qual foi o primeiro produto da Lamborghini

      Vender a casa sem sair dela: o negócio que está a mudar a habitação sénior em Portugal

      Ver mais

  • Artigos
    • Artigos

      Todos

      Futuristas

      Leadership

      Leading Brands

      Leading Cars

      Leading Life

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Líderes em Destaque

      Novo ano, nova marca? Eis o Guia de Marketing para 2026

      Simplificar é resistir – humanidade no coração da máquina

      Simplificar é devolver significado

      A força de um clássico português que se reinventa no simples 

      Simplificar para alimentar o futuro

      Ver mais

  • Opiniões
  • Entrevistas
    • Entrevistas

      Todos

      Leadership

      Leading Brands

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Paulo Pascoal: «A imaginação é onde a cultura volta a ser liberdade»

      «A cooperação internacional tem sido um fracasso em África» Luis Álvarez Mora traz a visão para o futuro do desenvolvimento

      Saúde mental no trabalho: «É preciso desnormalizar o sofrimento como sinal de empenho»

      O «equilíbrio entre confiança e exigência está onde a informalidade convive com o profissionalismo», garante Sérgio Tavares (Decathlon)

      «O comando e controlo é o único modelo que muitos líderes conhecem», realça Carlos Sezões

      Ver mais

  • Reportagens
  • Encontros
  • Biblioteca
    • Livros e Revistas

      Todos

      Leadership

      Leading Brands

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Tahrir. Os Dias da Revolução – Alexandra Lucas Coelho

      Sobre os Sentimentos – António de Castro Caeiro

      Toda a Beleza do Mundo – Patrick Bringley

      A Invenção do Ocidente – Alessandro Vanoli

      Três livros essenciais para compreender a transformação digital

      Ver mais

  • Líder Corner
  • Líder Events
  • Revista Líder
    • Edições
    • Estatuto Editorial
    • Ficha Técnica
    • Publicidade
  • Eventos
    • Leadership Summit
    • Leadership Summit CV
    • Leadership Summit Next Gen
    • Leading People
  • Cabo Verde
    • Líder Cabo Verde
    • Leadership Summit CV
    • Strategic Board
    • Missão e Valores
    • Calendário
    • Contactos
    • Newsletter
  • Leading Groups
    • Strategic Board
    • Leading People
    • Leading Politics
    • Leading Brands
    • Leading Tech
    • Missão e Valores
    • Calendário
  • Líder TV
  • Contactos
Subscrever Newsletter Assinar

Siga-nos Lider Lider Lider

As ideias que fazem futuro, no seu email Subscrever
Home Entrevistas Leadership Pode o futuro estar nas mãos dos indígenas? Kiliii Yüyan (National Geographic) diz que sim

Leadership

Pode o futuro estar nas mãos dos indígenas? Kiliii Yüyan (National Geographic) diz que sim

Pode o futuro estar nas mãos dos indígenas? Kiliii Yüyan (National Geographic) diz que sim

Link copiado

Partilhe este conteúdo

17 Janeiro, 2025 | 17 minutos de leitura

A conexão indígena com a natureza traduz-se numa relação simbiótica, na medida em que estas comunidades vivem do que a terra oferece enquanto simultaneamente a honram e protegem. O vínculo que une estas pessoas ao planeta terra é mais do que uma subserviência: é uma fusão, onde um não respira - nem pode existir - sem o outro.

É este sentimento que Kiliii Yüyan procura capturar no seu trabalho. É fotógrafo, contador de histórias e explorador, cujo trabalho se centra nas culturas indígenas e na sua ligação humana ao mundo natural. De ascendência chinesa e Nanai/Hézhè (indígenas da zona da Manchúria), o seu discurso transparece o misto de culturas que o formam: fala com um à-vontade americano que cativa e envolve, transmitindo com propriedade o seu legado e vivências indígenas.

Afirma que não pertence na totalidade a nenhum dos mundos, mas é neste meio-termo que conta as histórias de ambos e espelha as vozes que não chegam com facilidade ao seio da opinião pública.

Numa conversa exclusiva com a Líder, no âmbito do evento Raízes do Futuro, organizado pela Azimuth World Foundation, o fotógrafo, que contribui regularmente para a National Geographic, partilhou os seus pensamentos sobre a construção de ligações significativas com as comunidades indígenas. O seu trabalho assenta no delicado equilíbrio de captar com lente canina a sabedoria destes povos em imagens, enquanto respeita o seu papel essencial no cuidado do planeta.

Com uma rede de mergulho, o pescador Karuk Ryan Reed procura salmão Chinook sob o olhar atento do seu pai, Ron, no rio Klamath, na Califórnia, em Ishi Pishi Falls, em outubro de 2020. Os Reeds não apanharam nenhum peixe – um contraste gritante com os tempos antigos. Antes de a Califórnia se tornar um estado, o rio recebia cerca de 500 000 salmões em cada outono, mas no ano passado apenas 53 954 chinooks adultos subiram, o que representa um declínio de 90%. Créditos: Kiliii Yüyan.

Como é que uma herança indígena moldou a tua vida e carreira como fotógrafo?

Eu só peguei numa câmara fotográfica por volta dos 32 anos, bem mais tarde na vida.  Durante cinco anos as minhas carreiras sobrepuseram-se, pois eu continuava a construir caiaques mesmo quando estava a fotografar. Muitas pessoas me perguntam como é que em cinco anos passei a fotografar para a National Geographic, mas quando se vive uma vida interessante e se tem algo para contar ao mundo, a parte técnica da fotografia nunca é o mais importante, mas sim as histórias. A parte técnica pode-se aprender rapidamente.

Eu fui criado maioritariamente pela minha avó, os meus pais não estavam presentes, pois eram imigrantes. Vivi no Taiwan, na Ásia, quando era criança, e depois mudei-me para os Estados Unidos. A minha avó é o lado indígena da minha família e contou-me muitas histórias, encorajou-me a caçar lá fora, pescar peixe, apanhar lagartos e pô-los em jaulas de bambu, para depois os libertar.  Desde muito cedo, ela começou a mostrar-me este mundo.  À medida que fui crescendo, comecei a aperceber-me de que queria estar mais interessado em saber o que significa ser indígena e ter uma relação com a terra. Esta vontade vem deste lugar muito humano.

Talvez isto soe muito abstrato, mas eu sentia que não me encaixava. Eu não cresci na minha comunidade indígena ancestral, devido à guerra e ao comunismo, que mataram muitas pessoas. A minha avó conseguiu escapar da Manchúria, durante a Segunda Guerra Mundial, e foi muito sortuda. Dos cerca de 4000 de nós que lá viviam sobraram apenas 300. Ao mesmo tempo sinto que perdi muito e por isso passei grande parte da minha vida adulta a tentar perceber o que é que perdi.

E porque passei tanto tempo a viver nas comunidades indígenas, a construir caiaques, a apanhar peixe e a caçar, a maior parte do meu trabalho como fotógrafo através da National Geographic – e não só – é sobre estas pessoas. Eu tenho esta experiência de estar em constante relação com a terra, apesar de ser um bocadinho diferente da maioria das pessoas indígenas, por não estar circunscrita a um único sítio. Dá-me vantagens e desvantagens.

Penso que, no final do dia, o mais importante é a terra. Ela é a maior anciã, que mais nos ensina.

Como filho de imigrantes, não existia o sonho de ser fotógrafo para a National Geographic. O sonho que nos incutem é ser contabilista ou advogado. Mas para mim, o sonho era poder ir tirar fotografias para algum lugar e construir caiaques. Fui para o Norte, pois estava a construí-los para eventos culturais e comunidades do ártico, onde não existem muitos artesãos tradicionais.

Nesta comunidade do Alasca para onde fui, havia uma anciã que sabia coser as peles para os caiaques, que têm de ser cosidas com um ponto específico para serem à prova de água, algo importante num barco (risos). Além de usarem barcos feitos de pele, também caçavam baleias e convidaram-me a participar.  Aprendi que a caça à baleia tem muito a ver com comunidade e à medida que comecei a trabalhar nestas atividades, fui começando a tirar fotografias também.

Já tenho passado cerca de uma década lá e eles são a minha família. Algo que descobri muito rapidamente foi o quanto me sentia compreendido, quão em casa me sentia. Ali tinham-me aceitado e sentia-me normal ao redor deles: os nossos tópicos de conversa, o que comíamos, nada era estranho. Senti-me maravilhoso.

Nunca tinha passado tempo no Ártico antes, onde não há de todo árvores e se vive sobre o gelo marinho, não no solo. Lá, estamos a flutuar no Oceano Ártico, no gelo, apesar de a sensação ser como em terra.

Quando saí da comunidade e comecei a apresentar as minhas fotografias, percebi que as pessoas, especialmente os americanos, pensam que a morte das baleias é como matar cachorrinhos ou bebés. Que é a pior coisa que se pode fazer, e não se apercebem da profundidade da questão e da responsabilidade que existe.  Nesta comunidade ainda existem baleias, que são capturadas há 2 000 anos, e essa população ainda persiste, enquanto as populações de baleias em todo o mundo desapareceram. Esta comunidade lutou em tribunal para garantir o seu direito de gerir a sua população de baleias e, sob a sua gestão, sem o governo dos EUA nos últimos 30 anos, quadruplicaram a população de baleias.

Para muitos cientistas e conservacionistas, aquela foi a primeira vez em que pensaram em ouvir mais estas comunidades e respeitar o seu papel no meio ambiente.

 

Como equilibras a fotografia com a criação de ligações profundas e reais com as comunidades indígenas?

É um equilíbrio difícil. Eu estou sempre presente primeiro como ser humano e depois como fotógrafo, mas uma das coisas que realmente faz com que funcione é estar nestas comunidades durante muito tempo. E este é um dos problemas com os media em geral, ou os documentários, em que não há tempo suficiente.

É por essa razão que eu e a National Geographic trabalhamos bem em conjunto, pois a revista tem sempre a ver com tempo. Se estivermos numa comunidade durante dois meses e na primeira semana tirarmos a máquina fotográfica, não vai funcionar. Mas se nos descontrairmos, convivermos com as crianças e esfolarmos a pele de baleias com as pessoas, jantarmos com elas e ficarmos entusiasmados com a sua comida e tudo mais, elas sentem-se honradas quando tirarmos fotografias porque percebem que gostamos da cultura delas. Percebem que somos apenas um ser humano normal, um pouco estranho por andar com uma câmara em mãos, mas está tudo bem.

Estou sempre lá para o meu grupo, para a minha família baleeira primeiro. Quando o capitão precisa que lhe façam café, eu estou a fazer café, não estou a tirar fotografias. Tenho de fazer as coisas importantes, mesmo que sejam triviais, e ajudar as pessoas. O que acontece com muitos cineastas ou fotógrafos que acabam em comunidades indígenas é não saberem fazer nada e depois torna-se difícil conectar com as pessoas. Existe esta ideia de não quererem interferir, mas os nativos olham para estas pessoas e não compreendem o porquê de estarem ali.

 É preciso ser humano e, esperançosamente, o melhor humano possível.

Como é que as visões dos indígenas podem influenciar a nossa compreensão da sustentabilidade e das questões ambientais? O que podemos aprender com eles?

Há dois aspetos diferentes nesta questão: o primeiro é que essa cultura leva muito tempo a mudar. Estamos habituados, no século XXI, a que a cultura mude radicalmente. Mas esta ideia de aprender coisas de outra cultura, que seja muito diferente da nossa, demora mesmo muito tempo.

Mesmo que toda a gente esteja a ouvir o que os indígenas têm para dizer, são precisos 50 ou 100 anos para algo mudar e nós não temos tanto tempo. O mundo vai ser muito triste daqui a cem anos. É importante não dizer apenas «vamos aprender com os povos indígenas», mas sim empoderá-los. Dar-lhes o direito das suas terras para gerir esses sítios. Eles já estão a fazer isto, mas tem-se tornado mais difícil e é preciso ajuda do ‘mundo exterior’.

Sobre lições, dou o exemplo do Palau, uma nação insular situada nas Filipinas, de maioria indígena. Lá, as pessoas têm um sistema de gestão de pesca há centenas de anos e por isso confiam nele. Quando se apanha um jovem a pescar numa zona proibida, para ganhar algum dinheiro ou simplesmente ultrapassar os limites, a sua tia grita-lhes. A família repreende-os.  Eles não querem ouvir isso do governo ou levar uma multa. Querem que a sua tia os chame à razão.  E é por isso que Palau tem os recifes mais saudáveis do planeta.

Os cientistas descobriram que, muitas vezes, a recuperação dos corais demora cerca de dez anos. Em muitos dos lugares mais saudáveis, os recifes podem recuperar num ano, dois anos, um período de tempo muito curto. Isto acontece porque o peixe nessas zonas é realmente saudável. As pescas são saudáveis e os peixes comem as algas que impedem o coral de se regenerar.

A mentalidade ocidental consiste em: vamos fazer uma lei e dizer às pessoas que não podem fazer esta ou aquela coisa. Mas podemos ver que é mais complexo do que isso. Temos de tratar as pessoas como seres humanos. Colocarmo-nos no lugar de quem está a prevaricar. Tudo isto são coisas que os povos indígenas já descobriram e que podemos aprender.

Precisamos de sentir primeiro para depois aprender.

 

Que papel consideras que o storytelling desempenha na preservação dos conhecimentos indígenas e na sua divulgação ao mundo?

O storytelling é tudo hoje em dia. Especialmente hoje em dia.  Há tanta competição entre storytelling muito bom que, se queremos a atenção das pessoas, não podemos simplesmente comunicar algo. Tem de ser cativante, como se estivéssemos sentados com alguém à volta da fogueira. Tem de ser autêntico e temos de estar entusiasmados quando o contamos.

Quando ouvimos académicos a falar de direitos indígenas e de termos como terra e soberania, pode ser algo muito abstrato. As histórias são muito mais viscerais, tais como a do como o povo Cofán, na floresta amazónica do Equador, que corta um corredor através das árvores, na floresta, com machetes, à volta de todo o seu território – que é enorme, maior que o Vaticano. Tudo para que, caso alguém chegue ao seu território – colonizadores – não possam dizer que não sabiam que alguém já lá estava. Isto é soberania!

A mesma comunidade recolhe ovos de tartaruga para comer no início da época de acasalamento. Consomem alguns e, com o passar dos meses, guardam esses ovos em pequenas piscinas ao redor das suas casas e criam as tartarugas. Posteriormente, devolvem todas as tartarugas ao rio e nos últimos anos já devolveram cerca de 40 mil tartarugas. Isso é responsabilidade!

Quando houver mais trocas de conhecimento entre culturas, mais partilha, onde se fala de nação para nação, com os storytellers a criar pontes e a ensinar os próprios indígenas a criar histórias, teremos algo poderoso.

É importante haver estes aliados do Ocidente pois não se sabe se numa comunidade de 500 pessoas existe um storyteller inato. Eles estão no meio de uma floresta ou de uma ilha, têm outras prioridades.

 

Devem os povos indígenas estar mais envolvidos na tomada de decisões, papéis de liderança e esfera pública? Como é que isso pode ser conseguido?

Sem dúvida e isso já está a acontecer. Estamos a ver mais representação de povos indígenas a níveis mais elevados e só precisa de continuar.  Um dos problemas que estas comunidades têm em geral é que, como o mundo é composto por nações ou estados-nação, os povos indígenas são minorias em todos esses países. E vemos que os lugares onde estes povos têm as melhores vozes têm a maior percentagem dessas comunidades na população.

Os maoris na Nova Zelândia são cerca de 17 a 18 por cento da população e é por isso que têm uma voz tão importante. No Alasca, os indígenas têm uma voz bastante importante porque são cerca de 15 por cento da população ou algo do género.  Aumentar a soberania das nações indígenas dentro de países maiores é realmente importante.

Que lições fundamentais podem os líderes mundiais retirar das comunidades indígenas sobre como viver harmoniosamente com a natureza?

Penso que muitos dos melhores líderes já são, de facto, bons a ouvir as outras pessoas. Bem, talvez não os Xi Jinping’s e Putin’s do mundo (risos).  Só precisamos de sair um pouco mais do nosso lugar, da nossa própria cultura e ir a alguns desses lugares e visitá-los realmente.

Por exemplo, quando o Obama, antigo Presidente dos EUA, visitou as comunidades nativas do Alasca, ficou comovido e as comunidades sentiram-se realmente vistas. Obama voltou e mudou pequenas coisas, muito fáceis de fazer. Isso teve um grande impacto na comunidade nativa do Alasca.  À medida que as prioridades para a conservação aumentam, apercebemo-nos de que os povos indígenas têm as chaves para muitas destas questões. Os líderes só precisam de andar por aí e conviver com esta cultura. Quantos líderes têm amigos que são indígenas?

Quando uma população representa 3% de um país, é muito fácil para o seu líder ignorá-la completamente.  Não têm muita voz política.

Gostaria de dizer a todos os líderes que, como seres humanos, a vida é muito mais interessante e divertida quando conhecemos pessoas que são de diferentes culturas, que são elas próprias tão diferentes, e que há muita alegria para encontrar. A vida é muito mais interessante e divertida quando conhecemos pessoas diferentes.

No Ocidente, é comum ouvir: «Vou acender o incenso no meu altar budista. Preciso de aprender a estar no agora, preciso de aprender a dar prioridade à minha vida e a não trabalhar tanto». Bem, deitem fora o incenso, vão para o Palau e aprendam a pescar, brinquem com as crianças, corram à chuva na praia. Vão regressar pessoas diferentes.

 

Quais são os maiores desafios que as comunidades indígenas terão de enfrentar na luta contra as alterações climáticas na próxima década?

Um dos maiores problemas da utilização da palavra ‘indígena’ é o facto de a utilizarmos como um termo genérico, mas é um pouco como dizer a palavra ‘pessoas’. Que problemas enfrentam as pessoas em todo o mundo?  É muito difícil de dizer porque é diferente em todo o lado. É o mesmo com os povos indígenas, todos enfrentam problemas diferentes e por isso é importante que as pessoas abordem as questões locais.

Os povos indígenas são muito bons a adaptar-se, e temo-nos adaptado desde o início dos tempos. É isso que fazemos. Muitas das coisas que nos impedem de nos adaptarmos a momentos importantes como as alterações ambientais são as mudanças coloniais. Outrora, se o nível do mar estivesse a subir, a aldeia seria transferida para outro local. Mas não é possível transferi-la agora porque existe uma escola construída, que custou um milhão de dólares. Nós não queríamos essa escola, mas alguém a deu e agora estamos dependentes dela.

 O mais importante é eliminar os impedimentos coloniais, coisas que outros criaram e que são problemas ou encontrar formas de os resolver.

 

Podes partilhar uma história que te tocou especialmente e que resuma as tuas aprendizagens com estas comunidades?

Na Califórnia, havia uma série de barragens no rio Klamath, que era um dos maiores rios de salmão do mundo. Dois milhões de salmões subiam o rio todos os anos, mas no início dos anos 1900, construíram uma série de barragens e o salmão começou a morrer lentamente.

Os povos, as tribos, lutaram contra as barragens no Klamath durante trinta anos, durante várias gerações, e venceram. Não só ganharam em tribunal a batalha para restaurar o salmão e derrubar as barragens, como conseguiram que outras partes adiantassem o dinheiro necessário, o governo e empresas privadas. E agora, no ano passado, todas as grandes barragens do rio Klamath foram removidas. É a maior remoção de barragens na história do mundo.

Eu estive lá durante muito tempo, ao longo dos anos, a ver como as removiam. O rio tinha-se tornado num grande lago, totalmente verde, brilhante, com algas tóxicas. Obviamente, o salmão não sobrevive, nestas condições. Até as pessoas e os cães ficavam doentes quando andam por lá. Mas isso tinha desaparecido, foi tudo drenado. Tiraram as barragens e o rio voltou imediatamente para as suas antigas margens de há cem anos atrás. Eu fui até lá com Lisa e Leif Hillman, dois dos líderes da tribo que estavam lá desde o início, desde crianças. Eles tinham lutado por aquele momento a vida inteira.

Eu acompanhei-os até lá para tirar um retrato deles perto do rio e podia sentir-se cheiro do rio selvagem, ao invés de algas quentes a cozer ao sol. Cheirava um pouco como o oceano. Sentia-se o cheiro dos peixes, das árvores e da erva, era lindo! Eles entram na água, com os sapatos calçados porque queriam sentir a água, e Lisa agarra no marido, beija-o, olha para mim e diz: «Nós pertencemos a esta terra, esta terra pertence-nos».

Eu não podia acreditar, foi como se alguém tivesse escrito um guião. A fotografia que tirei carrega a alegria absoluta nos seus rostos ao sentir o cheiro do ar e ao ouvir os sons dos pássaros. E apenas alguns meses mais tarde, a primeira corrida de salmões do ano já tinha levado peixes para lá do local onde estava a última barragem, o que é inacreditável.

 

Imagens: Direitos Reservados

Leonor Wicke,
Jornalista e Coordenadora Editorial

ver mais artigos deste autor
Lider Notícias

Líder Magazine

Assine já
Lider Notícias

Newsletter Líder

Subscrever

Opinião

Humanizar em tempos de aceleração

Ler artigo

A única alternativa ao populismo chama-se (ainda) democracia

Ler artigo

Leading Opinion

Coisas de um Janeiro frio

Ler artigo

Leading Opinion

O fim dos jornais

Ler artigo

Siga-nos nas Redes Sociais

Lider

+10k Seguidores

Lider

+3k Seguidores

Lider

+268k Seguidores

Artigos Relacionados

Leadership

Jan 20, 2026

Saúde mental no trabalho: «É preciso desnormalizar o sofrimento como sinal de empenho»

Ler Entrevista

Leadership

Jan 16, 2026

O «equilíbrio entre confiança e exigência está onde a informalidade convive com o profissionalismo», garante Sérgio Tavares (Decathlon)

Ler Entrevista

Leadership

Jan 07, 2026

«O cartão reforça a nossa missão: ninguém fica sem resposta quando precisa de cuidados» (António Saraiva)

Ler Entrevista

Leadership

Dez 18, 2025

«É complexo ser simples» – A grande Arte do ‘Menos’ segundo Mats Alvesson

Ler Entrevista

Leadership

Dez 17, 2025

Maria Amélia Cupertino de Miranda: «Longevidade sem equidade não é progresso, é distopia»

Ler Entrevista

Leadership

Dez 05, 2025

«Um líder que se permite ser vulnerável quebra a barreira da infalibilidade», considera Tiago Santos

Ler Entrevista

Leadership

Nov 03, 2025

Neste contexto geopolítico, «vivemos uma verdadeira permacrise», afirma Marlene Gaspar

Ler Entrevista

Leadership

Out 27, 2025

«A empatia é o que nenhum algoritmo pode substituir», realça Frederico Abecassis

Ler Entrevista

Leadership

Out 24, 2025

«O investidor português tende a ser conservador», explica Tomás Penaguião

Ler Entrevista
Lider
Lider
Lider
Lider
Lider
Tema Central

Sobre nós

  • Estatuto Editorial
  • Ficha Técnica
  • Contactos
  • Tema Central
  • Termos e Condições
  • Política de Privacidade

Contactos

Av. Dr. Mário Soares, nº 35,
Tagus Park
2740-119 Oeiras
Tel: 214 210 107
(Chamada para a rede fixa nacional)
temacentral@temacentral.pt

Subscrever Newsletter
Lider

+10k Seguidores

Lider

+3k Seguidores

Lider

+268k Seguidores

Subscrever Newsletter

©Tema Central, 2026. Todos os direitos reservados.