As políticas públicas devem tornar-se mais eficientes e céleres, tentando envolver simultaneamente os cidadãos e decisores políticos. Poderá a Inteligência Artificial (IA) e a ciência de dados automatizar este processo, sem comprometer os resultados? Foi este o tema da talk «AI Data-Driven Policies», de Pedro Simões Coelho, Professor Catedrático da NOVA IMS. A sua apresentação […]
As políticas públicas devem tornar-se mais eficientes e céleres, tentando envolver simultaneamente os cidadãos e decisores políticos. Poderá a Inteligência Artificial (IA) e a ciência de dados automatizar este processo, sem comprometer os resultados?
Foi este o tema da talk «AI Data-Driven Policies», de Pedro Simões Coelho, Professor Catedrático da NOVA IMS. A sua apresentação teve lugar na Data with Purpose Summit, que aconteceu na reitoria da NOVA Information Management School (IMS), em maio.
O Professor abordou o Laboratório de Políticas Públicas Baseadas em Dados, «cujo objetivo é desenvolver um conjunto de projetos que associem os promotores de políticas públicas a criar propostas mais eficientes e desenhadas para o benefício da sociedade».

Projetos inovadores que pretendem otimizar tarefas
Um dos projetos mais revolucionários desenvolvidos por este Laboratório está ligado à auditoria, mais especificamente à «avaliação dos fundos europeus».
Todos os processos de auditoria requerem recursos humanos «especializados, com enormes custos» e que levam muito tempo a ser realizados. Desta forma, é difícil cumprir com os deadlines e objetivos estipulados e, muitas vezes, os resultados são inconclusivos.
«A nossa ideia consistiu em desenvolver novas metodologias baseadas em ciência de dados e Inteligência Artificial que fosse capaz de substituir, pelo menos parcialmente, o trabalho que era feito por humanos», explicou. Em última instância, o objetivo era aumentar «a fiabilidade e as conclusões» destes processos, aumentando também a produtividade e praticidade.
Este programa foi feito à base de modelos preditivos, em que «este auditor de silício pode, em certas circunstâncias, substituir completamente a auditoria feita pelos técnicos». Pedro Simões Coelho ressalva, no entanto, que não se deve auditar projetos cegamente e optar por uma verificação.
Com este novo programa, foi possível «reduzir o esforço da auditoria até 60%, sem deteriorar a qualidade das conclusões e permitindo até a eliminação da auditoria em determinadas partes do ano». Este projeto muniu-se de Inteligência Artificial (IA) e ciência de dados para simplificar os processos e melhorar a qualidade dos resultados.
O segundo projeto utiliza as mesmas competências para avaliar o impacto da legislação. «Esse trabalho é feito, mais uma vez, por seres humanos altamente especializados, que demoram dias ou semanas a ler uma legislação e a fazer um relatório», explicou.
A missão desta iniciativa é simplificar este processo através de um sistema autónomo que é capaz de ler um texto jurídico, identificar e classificar encargos administrativos, custos associados e produzir um relatório de avaliação.
Uma vez mais, é necessária a verificação de um perito, mas este processo não será tão demorado como anteriormente. «O perito reduziu dramaticamente o seu tempo e aumentou o nível de qualidade do seu trabalho», refere o Professor, e estas correções fazem com que a IA seja treinada e melhorada.
Antes de ambos os projetos estarem concluídos, Pedro Simões Coelho afirma que havia algumas reticências quanto ao sucesso, mas que foi preciso acreditar nas potencialidades destas tecnologias, antes de o resultado ser totalmente conhecido.
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