Política pós-COVID

Um dos autores que por estes dias vale mesmo a pena ler é Branko Milanovic. Tem escrito sobre a facto de o triunfo de um sistema conduzir à sua bifurcação. Por exemplo, depois de o cristianismo ter dominado o Mediterrâneo separou-se nas igrejas católica do ocidente e ortodoxa do oriente. Com o capitalismo ocorreu o mesmo: tornado o modo de produção dominante deu origem a duas versões: o capitalismo liberal (ocidental) e o capitalismo político (de que a China é mais cabal exemplo).

A luta entre estes dois sistemas é hoje evidente no clima de tensão entre os EUA e a China. A Europa, como de costume, prefere confrontar-se entre si, ultimamente sob a liderança de uma nova classe de inefáveis governantes politicamente incorretos dos agora designados Países Baixos.

Passado aparentemente o pior na sua casa, o capitalismo político chinês volta a assumir a dianteira, projetando soft power e preparando-se para assumir as rédeas do sistema global. Putin e Cuba usam a mesma receita e mandam médicos e materiais para Itália (“From Russia with Love“, diz o primeiro). Enquanto isto, a Europa mostra como, batalha após batalha, se pode mesmo acabar perdendo a guerra. A COVID-19 parou muita coisa mas não parou a política. As decisões de hoje vão criar o mundo – e a Europa – de amanhã.

Por: Miguel Pina e Cunha, diretor da revista Líder

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