Os fatores que mais influenciam a saída de talento estão a mudar, mas há questões que se tornam cruciais: reconhecimento, proximidade e equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Num mercado de trabalho cada vez mais competitivo, a retenção de talento continua a ser um dos maiores desafios para as empresas. A evolução das prioridades dos profissionais está a transformar a forma como as organizações encaram temas como motivação, liderança, bem-estar e experiência do colaborador.
Segundo a Olisipo, empresa portuguesa especializada em recrutamento, outsourcing e formação na área das tecnologias de informação, os profissionais valorizam hoje muito mais do que o salário. A falta de perspetivas de crescimento, lideranças distantes e ausência de reconhecimento estão entre os principais fatores que levam colaboradores a procurar novas oportunidades.
Falta de crescimento continua a afastar talento
De acordo com a empresa, um dos principais motivos para a saída de profissionais das organizações é a ausência de evolução e valorização profissional.
Quando os colaboradores sentem que deixaram de crescer ou que o seu trabalho não é reconhecido, a ligação à empresa tende a enfraquecer. A falta de progressão, de feedback regular e de novos desafios pode aumentar a desmotivação e acelerar a procura por outras oportunidades.
Neste contexto, a aprendizagem contínua, o desenvolvimento de competências e a construção de percursos de carreira claros assumem um papel cada vez mais relevante na retenção de talento.
Liderança distante aumenta sentimento de desconexão
Outro dos fatores identificados pela Olisipo é o distanciamento entre liderança e equipas. A ausência de comunicação próxima e transparente pode gerar um sentimento de desconexão em relação à empresa e dificultar o alinhamento de expectativas, motivações e objetivos profissionais.
Criar espaços de diálogo e manter um acompanhamento contínuo dos colaboradores permite compreender melhor dificuldades, mudanças de motivação e necessidades individuais.
Flexibilidade e bem-estar ganham peso nas decisões de carreira
A empresa alerta ainda para a crescente importância do equilíbrio entre vida pessoal e profissional nas decisões de carreira.
Ambientes demasiado rígidos ou excessivamente focados na componente operacional podem afetar os níveis de satisfação e compromisso das equipas. Em contrapartida, políticas de flexibilidade, autonomia e preocupação genuína com o bem-estar contribuem para relações profissionais mais sustentáveis e duradouras.
Experiência do colaborador começa no onboarding
A experiência do colaborador é outro dos elementos destacado como determinante para fortalecer o sentimento de pertença e envolvimento com a cultura organizacional. o acompanhamento próximo desde o onboarding, o reconhecimento contínuo e o investimento no desenvolvimento profissional ajudam a reforçar a ligação dos profissionais às organizações.
Formação, certificações e oportunidades de evolução continuam entre as iniciativas mais valorizadas pelos colaboradores.
«A retenção vai muito além da componente salarial»
Para Paula Peixoto, Diretora de People and Culture da Olisipo, as empresas precisam de compreender que a retenção de talento deixou de depender apenas da remuneração. «Quando existe acompanhamento e uma preocupação genuína com a experiência das pessoas, a ligação à organização torna-se naturalmente mais forte», acrescenta.


