A IA já está estabelecida no centro da estratégia das empresas, mas continua a falhar na execução, na liderança e na criação de valor à escala.
Esta tecnologia deixou de ser um mero tema experimental. Com expectativas de retorno imediato e pressão crescente para gerar resultados, a IA é hoje vista como um motor de crescimento. No entanto, apesar do investimento, muitas organizações continuam a enfrentar dificuldades em transformar ambição em resultados concretos.
Com base no The Global Intelligent Delusion, estudo desenvolvido pela Emergn, consultora especializada em transformação organizacional, estas são as cinco tendências que vão marcar a forma como as empresas usam inteligência artificial em 2026.
«A IA já faz parte da estratégia da maioria das empresas, mas 2026 vai expor uma realidade desconfortável: muitas organizações não estão preparadas para a executar à escala. O problema deixou de ser tecnológico e passou a ser organizacional, na forma como se lidera, se decide e se transforma ambição em valor real», afirma Alex Adamopoulos, Chairman e CEO da Emergn.
1. A maior parte das empresas vai descobrir que não consegue escalar a IA
Este ano, a dificuldade das empresas em escalar a IA começa a ficar clara. Apesar do investimento crescente e da pressão por resultados rápidos, o estudo indica que 57% dos líderes admitem que as expectativas em torno da IA estão a evoluir mais rapidamente do que a capacidade real de execução, obrigando as organizações a passar da fase de experimentação para um foco mais rigoroso na execução, nas prioridades e na geração de valor sustentável.
2. A complexidade organizacional torna-se o principal travão à escala
A complexidade afirma-se como um dos principais obstáculos à expansão da IA. Com a tecnologia a estender-se rapidamente por produtos, processos e operações, modelos de gestão assentes em hierarquias rígidas, governança tradicional e controlo centralizado mostram-se incapazes de responder à velocidade da transformação.
«A dificuldade já não está na tecnologia, mas na forma como as empresas tentam gerir a mudança, acumulando iniciativas, dependências e decisões desalinhadas. Controlo formal não substitui alinhamento nem capacidade de execução», refere Alex Adamopoulos, Chairman e CEO da Emergn.
3. O product management consolida-se como eixo estratégico
A criação de valor com IA está cada vez mais dependente de uma lógica clara de produto. Organizações sem equipas de product management consolidadas continuam a desenvolver iniciativas de IA fragmentadas, enquanto aquelas que colocam esta função no centro da decisão conseguem alinhar tecnologia, estratégia e necessidades do cliente.
O estudo indica que 88% das empresas aumentaram o investimento em product management, refletindo a sua importância na execução de estratégias de IA.
4. A liderança intermédia emerge como principal ponto de tensão
A tecnologia deixou de ser o maior entrave à transformação organizacional. Em 2026, o foco recai sobre a liderança intermédia: 68% dos inquiridos afirmam que os gestores precisam de reforçar as suas competências de liderança.
Sobrecarregados por múltiplas prioridades e pouco preparados para contextos de mudança contínua, estes líderes concentram hoje tanto o risco como o potencial de sucesso na execução das estratégias de IA, num cenário marcado pela aceleração das decisões e das expectativas.
5. A formação passa a ter impacto direto na competitividade das empresas
A aprendizagem deixou de ser um benefício extra e tornou-se um fator estratégico para as empresas. Segundo os dados, 64% dos profissionais evitariam candidatar-se a organizações sem bons programas de formação e 89% afirmam ser mais leais a empresas que investem em upskilling. Este ano, atrair e reter talento dependerá diretamente do investimento no desenvolvimento contínuo das pessoas.
«As organizações que não aprendem à velocidade da mudança ficam para trás. Mais do que uma questão tecnológica, 2026 deverá confirmar que a verdadeira transformação das empresas é organizacional. A diferença estará menos nas ferramentas adotadas e mais na forma como as organizações trabalham, decidem e desenvolvem as suas pessoas,» conclui Alex Adamopoulos, Chairman e CEO da Emergn.


